18.2.06

"O Namoro", de Viriato da Cruz

Tenho o écran em branco e uma “estória” para contar.
Escrevo … ou deixo o segredo adormecido?
A “estória” tem anos de silêncio…

Nove, dez anos? Digo que foi ontem…
... Numa tarde, quase noite, falei do teu sorriso e respondeste sorrindo.
Sem o saberes, nessa hora, como na “estória” do “Principezinho”, de Saint-Exupéry, ”… tornaste-te responsável para todo o sempre por tudo aquilo que cativaste…”!
Depois, trocámos olhares e palavras umas vinte, trinta vezes, não mais.
Consoante a sorte ou o azar dos dias, assim os fomos medindo, pesando, contabilizando. Alguns foram demasiado longos, enormes, deixaram marcas, modificaram-nos, alteraram as nossas vidas.
Sabiamos de nós, quanto mais não fosse, pela curiosidade de uma notícia inesperada, de mão em mão. Por mim, sempre encontrei modo de saber de ti, de fonte segura!
Diziam-me:
- Nem sempre sorri por dentro
No momento, entristecia.
Devagar, voltavas ao sono na minha mente, e no leito onde te deitava, os lençóis eram de ilusão de seda pura, sem cor definida.
Às vezes acordavas com o sorriso de sempre e eu ficava em sobressalto.
Agora, a meio de um monólogo solitário, um amigo comum acordou-te! Bruscamente!
Foi hoje!
Para meu desespero, como nunca o tiveras feito, saltaste do teu canto, e disseste sem falar, que estavas desperta!
Vieste: olhei de soslaio, tremeu a mão que escrevia, alteraram-se os sentidos - fiquei tenso. Pouco disse.Tu, sorrias...
Recorri ao disfarce, usei-o para te deixar longe das minhas emoções.
E assim continuarias, sem saber de mim, não tivesse eu subido às nuvens nas asas de sonhos em noites seguidas.
Então, decidi plagiar parte do ”Namoro” do Viriato da Cruz e…

Mandei-(te)lhe uma carta/ em papel perfumado/ e com letra bonita/ dizia ela tinha/ um sorriso luminoso tão triste e gaiato/ como o sol de Novembro/ brincando de artista/ nas acácias floridas/ na fímbria do mar (…)” !

Agora, consciente de mim, que fazer? Acordo-te de vez com um bouquet de flores, ou volto ao secreto do meu segredo?
Adormecerás para sempre no (teu) silêncio, ou preferes conhecer o resto da canção do Viriato da Cruz?
Entretanto, as flores!
Depois, a carta!
Agora...alegra-te com um sorriso – fica-te bem!

4 comentários:

Anónimo disse...

Cá estou num acto de expiação :-)
Isto também é uma carta de amor ?
Parabéns á contemplada.
bapsi

rafaela disse...

Li tantas vezes esse poema que já o soube de cor.

é lindo, como qualquer carta em papel perfumado.

espero que tenha sido riscado o canto do sim.

* boa semana

Um outro olhar disse...

é impressão minha, ou a paixão anda a rondar essas paragens?

uso agora as palavras da bpsi
parabéns à contemplada

Paixao disse...

não restam dúvidas: a paixão anda mesmo por aqui...

depois de alguma ausência da blogosfera, volto para dizer-me de ti. acalmam-se ânsias quando te leio.

*