31.8.07

A emoção de ter inveja

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Alguns dos meus amigos estão de férias e a minha inveja é proporcional à qualidade imaginária das ditas, isto é: se o destino foi a Figueira, vá que não vá; Algarve, eriçam-se os cabelos, se foram de abalada até Punta Cana e arredores, começo a ficar vermelho, mas quando me chegam notícias da velha Europa, do tipo: “olá, por aqui está tudo bem, estou a jantar em Varsóvia (…), a passear por Riga (capital da Letónia, imaginem!) …”etc e tal, chispo labaredas!

A inveja é um tipo de sentimento interessante, estou de acordo com Rui Zink, escritor de mérito - que aprecio por certa linguagem desabrida - porque quando existe, a inveja, é sinal de que ambicionamos o mesmo que o parceiro do lado: emprego “fixe” e bem remunerado, talvez um carrinho com motor, mais actual, mesmo uns dias de férias em paragens de puro exotismo panfletário, por exemplo….

Diz o escritor: “…Calar uma emoção tão salutar como a inveja, que é o desejo de estar melhor (e não necessariamente o desejo de o outro estar pior), leva a quê? Ao sufoco, à castração emocional…” – uff, nem mais!

A partir deste “elogio”, alguém se atreve a condenar uma das minhas invejas, por mais pequenina que seja?

Haverá outras “invejas” que não são próprias de gente de bem, mas enfim...

Ora, a minha inveja, perfeitamente assumida, não é incomodativa, apesar de tudo, e como não faço uso dela, fico-me pelas raivinhas, igualmente invejosas e assumidas, sobre as viagens, passeios e visitas turísticas dos meus amigos.

Bem gostaria de outros horizontes “nas minhas férias” que não estes, mas como estão longe do alcance do meu mealheiro, fiquei-me pela visita à rotunda da “Iral”, vi ao pormenor a escultura do Luís Queimadela, que tem feito levantar o som cavo das tubas, desavindas com a estética do belo, mas isso não é importante - como posso apreciar música clássica, se lá na aldeia, quando era miúdo, só ouvia a banda filarmónica?; para bom entendedor… – “descobri alguns recantos escondidos” do parque do Mandanelho, passei um excelente fim de tarde nas Caldas de S. Paulo, na companhia de amigos, voltei á Bobadela, enfim , andei por aí...

A propósito de música erudita: apesar de tudo, fui habituando o ouvido, quando era adolescente, e hoje sou mediano consumidor, graças ao tempo de África, sem televisão mas com rádio – novelas e fadinhos da Maria Pereira nos programas publicitários da Robbialac! E “sofri as consequências” do festival de Woodstock, apaixonei-me pela música dos Beatles, Shadows Amália e outra gente famosa do Show Business internacional; gostei do Conjunto 1111, Quinteto Académico, Tony de Matos, Simone de Oliveira, e outros artistas da casa - e fui a tempo de ver “nascer” o Marco Paulo para consumo interno…

Bom, falava de férias e da inveja que me corrói as entranhas pelo gozo com que os meus amigos ostentam o tom moreno trazido da praia, que para mim é uma chatice: areia em demasia, água salgada, ondas revoltas, sol, muito sol… calor! Praia de jeito é a que tem esplanadas, mesas e cadeiras confortáveis, cervejinhas bem frescas, e, já agora, uns camarões grelhados para desenjoar da bebida; se houver mar calmo e o reflexo da lua nas águas vier acompanhado do romantismo de companhia agradável e gentil, tanto melhor……

Recordo que o ano passado, por esta altura, sofri da mesma maleita; dados os factos passados e presentes, acho que sou portador de um “vírus crónico” que não se dá nada bem com este tempo… de férias.

-“Hoje estou em Tallinn ( capital da Estónia)” e estou a adorar… – escreve a Graça, para me “irritar”, só pode.

Quando voltar, há-de contar tudo, tintim por tintim…

5 comentários:

Serenidade disse...

Bem, desse mal (em relação ás férias) não sofro eu. Até porque já tive direito as minhas humildes férias, tal como eu. Em tudo proporcionais a mim.

Não fui para longe. Mas o melhor estava na companhia. Essa sim, foi, é e há-de ser a ideal.

Sabe também caminhar a beira mar junto da pessoa que mais amamos...

Deixe lá. Há-de chegar o seu dia de ganhar o Euromilhoes e passear pelos mais belos recantos do mundo deixando estas gentes roidinhas de inveja e cíumes.

Aquele beijito! Serenamente...

Luís a Oriente de Lisboa disse...

O invejoso quer o mal dos outros, mesmo que daí não venha qualquer benefício para si...a não ser o prazer de os ver mal.

l_eau_d_issey disse...

....sabe uma coisa...eu tbm n fui para "fora"... eu gosto de praia, sol, areia... :)...n seja "invejoso" um dia destes algm o convida para ir de férias (com tdo a que tem direito)...quem sabe c o tal passeio de mãos dadas a beira mar....beijoquita...

Tozé Franco disse...

Ao fim de 3 anos tive férias este ano. Fui para fora e também andei cá dentro. Estava mesmo a precisar.
Um abraço.

eternidade disse...

Pois sim meu amigo, carinhoso, simpático e tudo mais de boas qualidades, Sr. Cuco :D, eu (por muito criança que seja) vim aqui marcar a minha presença, e dizer-lhe algumas coisas que discordo.

Por muito real e nossa parceira ( não diria tal, pois os parceiros ajudam) que a 'inveja' seja, não é uma coisa boa, bem pelo contrário, é dito que a tal, pensado por uma pessoa com mente extremamente forte possa causar danos até à pessoa 'invejada' ora pois que isso ate pode não ser mau de todo, mas aqui a menina tinha que dar a opinião. =P


Beijinho do tamanho do Mundo (para poder viajar por lá)
Anita^^