15.11.06

Posso ajudar?

A Mariana trabalhava na Livraria Académica e usava os cabelos compridos.
Perdi o conto às visitas que fiz à livraria, na esperança de ser ela a ouvir os meus pedidos de coisas simples: lápis, borrachas, papel cavalinho, aguarelas...
Quando não estava necessitado de nada, teimava em continuar cliente de leituras, embora curtas. Foi assim que conheci Mário Sá Carneiro, António Botto, Alves Redol e tantos outros autores portugueses
A estratégia era simples: para que a Mariana viesse ter comigo, entrava na loja e ia direitinho à estante das obras menos procuradas. E ela vinha, mesmo depois de se ter apercebido da marosca, com um sorriso malandro.
- Posso ajudar?
Poder, podia, mas a ajuda necessária não tinha nada a ver com esclareciemntos sobre as obras expostas.Talvez se falasse do tempo que fazia lá fora, do "single" musical em voga ou de qualquer coisa que me fizesse ganhar coragem, eu teria saído do canto da minha timidez e declarava-me... "apaixonado"!
A Mariana foi sempre muito profissional no seu papel de balconista e nunca passou do cumprimento de circunstância e da frase sempre igual:
-Posso ajudar!
Eu, como não tinha asas para voar para outras conversas, fiquei cativo da timidez e ela nunca soube da minha "paixoneta"... adolescente.

6 comentários:

Teresa Durães disse...

ahahahahah
adorei!!!!!

boa noite!!!

Mitsou disse...

Tão doces, estas memórias de paixões adolescentes!

E obrigada pela recordação da nossa querida Académica :)

Um abraço

Serenidade disse...

Quer saber de um segredo!?

Eu tinha encontros secretos na biblioteca com o menino do piano...

Escapava-me de casa dizendo á minha mãe que ia á biblioteca... entretia-me com a Anita e a Cristina...

Sentava-me no chão d biblioteca e lia... nem sei bem o quê... Os meus sentidos centravam-se no menino do piano...

Vou fazer um post disto... Quando tiver tempo...

Gostei...

Beijinho!

Maia disse...

Só mesmo uma história destas para acabar bem a semana.

Um abraço forte

Tozé Franco disse...

AS paixões da adolescência são espantosas sobretudo para os mais tímidos.
Um abraço.

Mélita Leitão disse...

Como são marcantes os sonhos da adolescência!!! Ficam para toda a vida mesmo que não se realizem...