15.9.06

O contador de "estórias"

Havia um amigo comum e foi por essa via que eu e o “contador de estórias” chegámos à fala.
Das conversas simples passámos à discussão de temas importantes (ou nem por isso…).
Debatemos ideias e encontramos pontos comuns no modo como nos revemos na comunidade.
Se nos entendemos nos ideais, naturalmente procuramos nos “bons costumes” o equilíbrio entre a “sabedoria a força e a beleza” dos nossos actos. Infelizmente, continuamos a “anos-luz” da “perfeição”, mas acreditamos que virá “um tempo de amor e fraternidade total” para que se cumpra o vaticínio do tal amigo comum: Fernando Vale.
O “meu contador de estórias” tem tanto de desportista como de boémio, mas não são apenas as memórias desses tempos, com o requinte do pormenor, que fazem de si a melhor das companhias numa tertúlia ao serão…
Como gestor e autarca, recolheu fama de “pessoa séria, competente e rigorosa”. Agora, diz ter atingido a “reforma sem vencimento”, e fica longe dos encómios, de modo próprio.
Para mim, basta que remexa nas suas lembranças - fico de imediato preso às circunstâncias de cada momento vivido na irreverência da juventude, mas não desdenho uma boa “estória” dos seus tempos de homem feito.
Aprecio, sobretudo, seja em que circunstância for, a brejeirice com que envolve cada conto, talvez pelas gargalhadas que arranca à plateia da qual faço parte. Gabo-lhe o talento.
Peço-lhe para rabiscar as memórias, e a resposta vem sempre a meias com um sorriso, que não, “são coisas minhas” – diz.
Perante isto, “ameaço-o” de gravar os seus contos, à socapa, e um dia ainda vou enricar à sua custa – garanto-lhe!
O meu amigo e “contador de estórias” volta a sorrir, sorri sempre, porque está de bem com a vida e consigo próprio.
….
Faço uma breve pausa na escrita, debruço-me sobre o tema desta croniqueta e dou comigo a reviver outras “estórias”, que são minhas por inteiro, vividas no “outro lado do mundo” (como se não existissem “outros mundos deste lado”, que percorri das mais variadas formas com os sentidos despertos e atentos ao desconhecido…)!
Do “outro lado” sobram recordações do menino que aí cresceu e se fez homem entre “matateus e eusébios” de pé descalço, e partiu à descoberta do futuro que o mítico Festival de Música e Artes de Woodstock, realizado numa fazenda em Bethel, Nova Iorque, em Agosto de 1969, fez sonhar aos jovens do mundo civilizado…
No “outro lado do mundo” nasceram e morreram paixões e ilusões, mas o sonho (não importa qual!) manteve-se, e é em função desse sonho que “comando a vida” da “minha pedra filosofal”, porque quero fazer jus às palavras de António Gedeão.
Agora, desse “lado” veio uma encomenda que abri com sofreguidão e ansiedade, emoção e nostalgia - todas as minhas memórias vinham consubstanciadas em meia dúzia de coisas: castanha de caju para matar a saudade dos sabores africanos, boné e “t-shirt” para resguardar do Sol quente da “minha cidade”, e um punhado de terra onde mergulhei o olfacto e as duas mãos, quase em êxtase!
A Isaísa, senhora que nunca vi, foi a ”ponte” para o meu “regresso ao passado”!
… (Se tiver arte e engenho, sou capaz de fazer pirraça ao meu amigo contador de “estórias”. Ele que se cuide).

2 comentários:

manuel neves disse...

Viva!
Bonita estória e também história, de uma pessoa que não conhecendo fisicamente sei que é uma pesoa bonita.
Partilhe as sua estórias connosco, seja o nosso contador...

Um abraço

Teresa Durães disse...

hum... histórias que remontam a agosto de 1969... era eu um grão de areia na barriga da minha mãe... contudo sou ouvidos e olhos para o que aí vier!