12.12.05

... E o telefone mesmo à mão!


Volto à nostalgia para situar um ponto no Índico: Moçambique!
Foi naquele país encantado por deuses de múliplas facetas estéticas que me descobri como homem; cresci e quase completava determinado cíclo da minha existência quando valores mais altos se levantaram e retornei, em boa companhia (fomos milhares!), à casa onde nasci neste ponto da Europa, longe do Atlântico que levaria saudades à Baía do Espírito Santo em barquinhos de papel - fosse eu Pedro na lenda da Quinta das Lágrimas e teria chamado à minha cidade, Inês! Mesmo assim, continua rainha dos meus sentimentos, sonhos e ideais...
Na falta de ondas e marés, sem correntes de feição, recorro à ciência deste tempo para estar mais perto da minha gente, e ouço os sons que chegam do outro lado do mundo, aqui mesmo: basta um "click" e chego a casa!
No serão da última noite, tive companhia de elevado grau e qualidade - do locutor de serviço ao homem da técnica, de Villaret a Manuel Alegre, de Pedro Abrunhosa à "ELisa Gomara Saia", interpretado por voz genuína, sem trejeitos.
...E o telefone mesmo aqui à mão!
Num impulso, marco um número.Espero dois, três segundos:
- Bom dia, fala da Rádio Moçambique.
.............................
Eram quatro da madrugada na "minha terra"...

5 comentários:

Anónimo disse...

Saudade é uma palavra tão portuguesa! :-)
bapsi

Um outro olhar disse...

é bom recordar e lembrar bons e maus tempos, acima de tudo é bom termos lembranças sejam elas boas ou más, significa que soubemos viver
:)

Anónimo disse...

Grandes sentimentos e um texto de muita ternura.Parabéns

Anónimo disse...

Se recordar é viver...
Se recordar é sentir...
Se recordar é sonhar...
Se recordar é cheirar...
Se recordar é saborear...
então recorde a vida vivida nesse linda terra, sinta o peso das saudades dela, sonhe com ela,e inspire os pulmões de odores de capim e ke tal uma carilada de camarão para terminar...
Ju

H.M. disse...

Um texto de grande sensibilidade
Parabéns.