31.10.11

"Um líder não se faz: já nasce feito"



O dia de domingo foi atarefado, a ponto de me perder nas horas do jantar; verdade seja dita que a culpa vai para o ritual da mudança da hora. Posso, ainda, endereçar uma parte da culpa para a conversa animada que mantive com amigos ao fim da tarde sobre um tema que há pouco foi superiormente esmiuçado pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, quando se referiu às questões que o Governo tem entre mãos, como o Orçamento, que vê a sua discussão adiada.


Argumentava o professor que os membros do Governo, a começar pelo primeiro-ministro, têm de ser transparentes - digo eu: nas palavras e nos actos. De transparência se falou, também, durante a conversa de amigos esta tarde.


O associativismo, aqui no meu sítio e arredores, tem carência de lideranças capazes de levar a “bom porto” algumas instituições - do desporto à cultura, há um vazio de pessoas válidas que não pode deixar de preocupar quem tem memórias vivas de um passado recente. Entende-se não ser apelativo “dar o corpo ao manifesto”, oferecendo tempo e dinheiro em troca de quase nada, melhor: recebendo como reconhecimento do seu esforço e dedicação, desconfianças e palavras amargas. É por isso que (quase) ninguém aceita liderar um grupo, assumindo a gestão de algumas colectividades, que correm o risco de fechar portas por falta de “carolas”. Naturalmente, há excepções, algumas credíveis, outras nem por isso… por falta de transparência, até na assunção da ausência das próprias limitações, intelectuais e/ou outras.


Escreve um famoso psicólogo: “…é comum dizer-se que um líder não se faz: já nasce feito!...” Tenho as minhas dúvidas...

25.10.11

Aquilo é mesmo uma galena

Comprei uma “alta fidelidade” pela fortuna de  um euro e meio numa loja chinoca!
O aparelhinho “dá “ música desde que rode o botão do volume no sentido dos ponteiros do relógio; como não tem ecrã nem qualquer outro sinal informativo da frequência, é ao “calhas”, às vezes “apanho” a Antena 1, outras a Renascença e por aí fora até ao máximo de cinco, o que abona da potência da minha rádio galena – sim, aquilo é mesmo uma galena, mas das modernas, com pequenos circuitos integrados e tudo, bem diferente daquelas que ajudei a construir quando era “puto”. Lembro-me que uma das peças fundamentais do aparelho, que também “dava” música, era um carrinho de linhas sem elas, as linhas…
Diariamente, a mania (o vício, sei lá!), da música “obriga-me”   a carregar no “on”  de um outro aparelho, muito mais sofisticado e grandinho, que tenho na casa de  banho. Há dias, o aparelho “adoeceu”, cansou-se, e eu, por uns tempos, substituí-o pela galena. Aleatoriamente, “dá-me” a música de uma qualquer emissão de rádio, como disse, sem “avisar” de onde é emitida (a música); hoje, o nome da “estação” estava identificado pelos acordes do piano, muito bem acompanhado por uma orquestra sinfónica: Antena 2!
Moral da estória: “pelo andar da carruagem se conhece quem vai   lá dentro”…
… Já agora, por falar em história (com H…): quem se lembra das galenas e do telefone construído com um fio e duas caixas de fósforos?

Rádio galena



O “vermelho” quase não se nota, mas existe

O meu sítio e o meu concelho, em termos políticos, é maioritariamente “laranja”, um pouco “rosa”, uma pitada de “azul”, e o “vermelho” quase não se nota, mas existe.
Perante este cenário, as grandes acções partidárias, obviamente têm o peso que a força da simpatia lhes confere, sobretudo nos comícios (e “bebícios”!) em tempo de eleições, sejam elas quais forem. Fora isso, raramente os partidos políticos vêm para a rua falar às massas; as excepções, quando existem, quase nunca são consideradas relevantes.
Este tempo de múltiplas crises é o “campo de batalha” para, pelo menos, um partido não deixar esmorecer os seus princípios filosóficos; alguns dos seus destacados militantes desdobravam-se em sessões de esclarecimento, assiste quem quer, com ou sem aplausos, mas por maior que seja a distracção de quem se faz presente, há sempre uma frase do orador, uma ideia, talvez um argumento a reter...
O Partido Comunista Português é o exemplo puro do que ficou dito mais atrás…
Depois de largos anos de ausência das festas políticas que não sejam bastante “rosa”, este fim de semana, no sábado, durante o almoço do aniversário de uma instituição social e cultural, usou da palavra o ex candidato às últimas eleições presidenciais e deputado com assento na Assembleia da República, Francisco Lopes. Sendo natural “daqui perto”, de Vinhó, a sua presença foi entendida como ilustre, e não teve qualquer cariz político, embora a situação do país estivesse presente no discurso, como era esperado. Francisco Lopes “entregou a carta a Garcia” sem ser “chato” com as palavras acertadas, foi atentamente escutado e recebeu palmas.
Domingo, agora no meu sítio, durante a tarde, com a chuva por perto, durante um convívio no “parque de merendas” o deputado Bernardino Soares, líder de bancada do PCP, foi brilhante na sua intervenção, objectivamente partidária - todos sabíamos ao que íamos e daí não “veio mal ao mundo”, bem pelo contrário…
O convívio merendeiro, seguido de um magusto, juntou largas dezenas de pessoas com “alma de poeta”, isto é: creio que os seguidores do PCP, sobretudo os mais velhos na militância, continuam fiéis às ideias do antigo e carismático líder que foi Álvaro Cunhal…
Os tempos mudaram (ou não?...), mas como tenho um fraquinho pela melodia do refrão do hino “Avante Camarada”, entrei no coro…

23.10.11

Memórias


Memórias de todos os "ritualistas" 
fieis a um tempo único - poesia, pintura, música, artesanato e o aconchego de um "copo"...

“Não sendo nada por aí além”, é uma boa notícia

1.-Para aliviar as chatices das responsabilidades de quem desempenha funções públicas, nada melhor do que uma pantagruélica refeição de euros ao fim do mês, o que é mais do que justo. Se assim não fosse, as grandes inteligências do país simplesmente procurariam outras paragens com a mesma ementa dos banquetes democráticos; felizmente, não é o caso da senhora Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que continua por cá e não esconde do povo as "iguarias" que, anualmente, lhe servem de sustento - qualquer coisa como 146.784,82 euros!


2.-Podem dizer… “é pá, isso é uma pipa de massa!”, mas para quem tem o dever de zelar pela ordem na Casa da Democracia, além de outros afazeres, como sorrir, enfim, até nem é nada de “muito”…


Acontece, simplesmente, que este valor, “não sendo nada por aí além” quando comparado com a “folha do salário” de alguns príncipes do pontapé na bola, políticos de falas mansas e meia dúzia de cantores “pimba”, é a soma do que lhe é devido segundo as leis de um país com dificuldades económicas e financeiras. Portanto, nada de ilegalidades…


3.-Entretanto, o Presidente da República entendeu criticar as opções do Governo, o Primeiro-ministro, ficou estupefacto com esta “intromissão” mas achou por bem não responder ao Chefe Supremo das Forças Armadas; por outro lado, um dos capitães de Abril, para lembrar as (suas) virtudes revolucionárias, foi dizendo que o país tem uma “revolução nos braços”, e os seus camaradas de armas, no activo, marcaram um “passeio” reivindicativo para o dia 12 de Novembro. Tudo normal - democraticamente normal!


4.-“Não sendo nada por aí além”, quando comparado com o que se passa em alguns países, estes sinais não podem deixar de nos apoquentar e são bem mais graves (digo eu…) do que o tema do novo livro do “ meu conterrâneo” José Rodrigues dos Santos. Vir agora, em plena crise, afiançar que Jesus Cristo não era cristão, que tinha uma catrefa de irmãos, além de acrescentar mais umas quantas “verdades”, segundo ele, é o melhor que nos podia acontecer – passamos a discutir a obra literária e esquecemos o défice!


5.-Depois desta “boa notícia”, caros leitores (as), ainda estão (muito) interessados (as) nas contas da segunda Figura de Portugal? Então, leiam o que anda por ai à solta:





“Assunção Esteves, a actual Presidente da Assembleia da República reformou-se aos 42 anos, com a pensão mensal (14 vezes ano) de € 2.315,51. Fica o Diário da República de 30/07/1998 para vossa informação. Para que saibam ainda, a Senhora Assunção Esteves recebe ainda de vencimento mensal (14 vezes anos) € 5.799,05 e de ajudas de custas mensal (14 vezes ano) € 2.370,07. Aufere, portanto, a quantia anual de € 146.784,82. Ou seja, recebe do erário público, a remuneração média mensal de € 12.232,07 (Doze mil, duzentos e trinta e dois euros, sete cêntimos). Relembramos que também tem direito a uma viatura oficial BMW a tempo inteiro!"

21.10.11

Já se vai embora?

A tia Deolinda (por parte da minha ex mulher) era uma senhora de uma gentileza sublime; tinha sentido de humor e até os queixumes sobre a sua avançada idade vinham envolvidos em sorrisos. Teria sido uma pessoa divertida e alegre na mocidade e, por razões que nunca questionei, não chegou a constituir família.
Durante os anos em que privámos, sobretudo durante as visitas de cortesia, recebia com um certo requinte: chá, café e bolinhos servidos em louça ”de marca”, toalhas bordadas à mão, mas o melhor de tudo eram as conversas sobre as suas memórias…
Não sendo senhora de frequência diária, sempre que podia assistia à Missa de domingo. Um dia – contava a tia Deolinda - estava tão absorvida nos seus pensamentos que não deu conta que se aproximava o momento da saudação. De repente, a pessoa que estava a seu lado, cumprimentou-a com um aperto de mão e ela, sem saber muito bem que dizer, possivelmente a pensar nas despedidas, continuou, como sempre, a ser gentil e fina no trato com palavras de circunstância, enquanto mantinha a mão que lhe era estendida apertada na sua:
 - Já se vai embora? Fique mais um bocadinho…
“Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto” – terei feito o mesmo, mas a estória da tia Deolinda é verdadeira e faz sorrir, o que, nos dias de agora, dá um certo jeito… por ser de borla.

19.10.11

Ritualidades II

"...pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma estratégia maquiavélica ..."

O Orçamento apresentado pelo Governo tem sido dissecado até à medula - haverá qualquer coisa mais para esmiuçar? Duvido…
A informação, boa e má, que a Comunicação Social despeja na nossa corrente tem sentido e é eficaz porque acicata os medos e acelera a tensão arterial; pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma "estratégia maquiavélica", com a finalidade de apressar o passamento de milhares de cidadãos; a acontecer, imagine-se o jeito que dava ao actual Governo deixar de contar no activo com reformados a longo prazo, funcionários públicos desesperados, jovens “ à rasca”, desempregados, poetas e sonhadores, artistas e outros domadores da arte do perigo, como os funâmbulos – afinal, somos todos equilibristas a caminhar na corda bamba! – e gente sem profissão definida, os “desenrasca”, especialidade muito nossa pela força das circunstâncias  geracionais…
Deixo para os especialistas as contas – todas as contas, das mais simples às mais complexas. Perante a evidência dos resultados, o ministro das finanças era capaz de sorrir e acelerar o discurso de ocasião…

18.10.11

Ritualidades

Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem

Acordar, abrir a janela por onde o sol entra (quando brilha!) sem pedir licença, lavar a cara e pentear os cabelos desgrenhados, tomar o pequeno-almoço, voltar ao quarto, ligar o portátil, ler as notícias de primeira página, retocar as leituras mais próximas da minha sensibilidade - um ritual que não dispenso pela manhã, quer a noite tenha sido bem ou mal dormida. Para alguns, começar o dia desta maneira, sempre igual, trata-se de um vício, sobretudo porque incluo a internet no pacote dos hábitos matinais, e a internet vicia, dizem. O outro vício, da leitura, vem do tempo em que tinha um jornal diário à mão; agora, felizmente, tenho muitos jornais à distância de vários cliques.
A cadência dos pequenos gestos descansa-me o espírito, como quem ora a pedir graças para o dia inteiro; o meu dia, de há muitos anos a esta parte, começa tarde, tão tarde que, por norma, programo os meus afazeres para depois das doze horas – outro ritual, que se quebra por imperativos inadiáveis e só por isso.
Como é manhã, e cedo, depois da leitura, tenho tempo para dele fazer uso durante uma hora e vou, de seguida, aparar a relva do jardim, soltar os pombos (diariamente ansiosos pelo voo redondo com que me brindam do alto…), alimentar duas galinhas e um coelho que “responde” pelo nome “Guilherme”, dois canários e três periquitos, e depois subo ao primeiro andar para o banho retemperador.
Ontem a mãe fez uma sopa de feijão vermelho com batatas e couves do quintal, acrescentou um pouco de massa, e, para dar gosto, azeite e uma morcela. Está, garanto, uma delícia – não há melhores sopas do que estas, espessas e saborosas: duas conchas e ficamos a abarrotar, sem vontade de comer uma peça da fruta que está encavalitada num taça no centro da mesa. O almoço está feito, é só aquecer…
Como ando atarefado com o entendimento das várias crises, fico-me por aqui - é preferível dar continuidade aos meus rituais diários, a começar pela contemplação do voo dos meus pombos; às crises, agarro-as pelos bigodes, faço-as rodopiar e lanço-as para longe!
Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem – façam tudo isso em “segredo”e depois logo se vê, se sou capaz, ou não, de sobreviver com a minha “profissão” de reformado a tempo inteiro - outro ritual que não dispenso!

17.10.11

Bombeiros de Coja festejaram S. Mguel




Não tenho por costume assistir à Missa dominical, mas hoje decidi aceitar por inteiro o convite dos Bombeiros Voluntários de Coja e participei na cerimónia religiosa dos festejos a S. Miguel.
Missa cantada, qualidade vocal e instrumental acima da média, o templo repleto. O padre Dinis, como sempre, foi brilhante na homilia.
Para quem não é frequentador assíduo das práticas religiosas, o tempo desta manhã de domingo foi propício ao pensamento profundo; cada um por si, a seu modo, interiorizou as suas convicções religiosas e espirituais. Por mim, saí da Igreja “melhor do que entrei, de "alma cheia"...

16.10.11

Fórum “Freguesias com futuro”

Assisti em Alvôco das Várzeas ao fórum “Aldeias com futuro”.
Em análise e discussão, o “documento verde”, onde estão definidos os critérios que determinam o futuro das mais de quatro mil freguesias do país.
A mesa foi composta por gente de muito saber; uns renegam em absoluto a “carta de intenções”, outros colocam reticências à remodelação autárquica, outros entendem que “não tem pés nem cabeça” o que está escrito no papel; há contradições aberrantes nos critérios, e o próprio documento, em si mesmo, é uma aberração. O Primeiro-ministro e o super Ministro Miguel Relvas bem podem esperar pela “voz da razão”  das populações e autarcas  atingidos…
Como se sabe, as freguesias que não cumprirem determinados rácios, serão agregadas a outras, dando lugar a NOVAS FREGUESIAS. Sobre este ponto, está escrito no “documento verde”:
No caso das novas Freguesias, a designação deverá ser definida com base numa ampla discussão entre cidadãos e os seus representantes nos Órgãos Autárquicos de Freguesia
e Municipais, devendo as propostas ser submetidas à Assembleia da República…”.
Sempre quero ver  os consensos quando chegar a hora de escolher uma NOVA designação para a Freguesia de Coja, se lhe calhar em “sorte” a Freguesia de Barril de Alva, ou a Vila Cova de Alva, se lhe sair na “rifa” a Freguesia de Anseriz!
... E o povo, pá? 

15.10.11

"Brigadinho" pelos incentivos

Anos depois de ter feito uma pausa, o "Ritual" ( blog), para meu contento, ainda não estava esquecido. Quando remexia  o baú das minhas memórias, com frequência  tomava  conhecimento   dos registos das visitas  dos amigos do "RiTuAL bar" ( como se sabe, o estabelecimento continua em franca actividade, embora com um outro conceito lúdico), Agora que anunciei o retorno,  tenho recebido palavras simpáticas de pessoas de quem gosto - os tais amigos de sempre, do peito, pelo amor espiritual que nos une no gosto do belo.
Imaginam  o "estado calamitoso" do meu ego?
"Brigadinho" pelos incentivos...

14.10.11

De regresso...


Por razões de consciência, faz todo o sentido voltar "a casa"... 
A partir de agora, marco o próximo encontro nesta esquina, onde as palavras por escrever são mais intensas - eventualmente, diferentes das que teriam forma. Quem vier, encontra sempre a porta aberta e um lugar vago para dois dedos de conversa.
Fica, pois, o convite para "um café sem segredos", acompanhado de um cálice  de "medronheira" ou, se preferirem, um copo com vinho tinto, sem aumento de IVA! "Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses"! É isso que faremos, quando a fome apertar...
Abençoado Governo que tudo faz pelo bem estar do povo!