23.10.11

“Não sendo nada por aí além”, é uma boa notícia

1.-Para aliviar as chatices das responsabilidades de quem desempenha funções públicas, nada melhor do que uma pantagruélica refeição de euros ao fim do mês, o que é mais do que justo. Se assim não fosse, as grandes inteligências do país simplesmente procurariam outras paragens com a mesma ementa dos banquetes democráticos; felizmente, não é o caso da senhora Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que continua por cá e não esconde do povo as "iguarias" que, anualmente, lhe servem de sustento - qualquer coisa como 146.784,82 euros!


2.-Podem dizer… “é pá, isso é uma pipa de massa!”, mas para quem tem o dever de zelar pela ordem na Casa da Democracia, além de outros afazeres, como sorrir, enfim, até nem é nada de “muito”…


Acontece, simplesmente, que este valor, “não sendo nada por aí além” quando comparado com a “folha do salário” de alguns príncipes do pontapé na bola, políticos de falas mansas e meia dúzia de cantores “pimba”, é a soma do que lhe é devido segundo as leis de um país com dificuldades económicas e financeiras. Portanto, nada de ilegalidades…


3.-Entretanto, o Presidente da República entendeu criticar as opções do Governo, o Primeiro-ministro, ficou estupefacto com esta “intromissão” mas achou por bem não responder ao Chefe Supremo das Forças Armadas; por outro lado, um dos capitães de Abril, para lembrar as (suas) virtudes revolucionárias, foi dizendo que o país tem uma “revolução nos braços”, e os seus camaradas de armas, no activo, marcaram um “passeio” reivindicativo para o dia 12 de Novembro. Tudo normal - democraticamente normal!


4.-“Não sendo nada por aí além”, quando comparado com o que se passa em alguns países, estes sinais não podem deixar de nos apoquentar e são bem mais graves (digo eu…) do que o tema do novo livro do “ meu conterrâneo” José Rodrigues dos Santos. Vir agora, em plena crise, afiançar que Jesus Cristo não era cristão, que tinha uma catrefa de irmãos, além de acrescentar mais umas quantas “verdades”, segundo ele, é o melhor que nos podia acontecer – passamos a discutir a obra literária e esquecemos o défice!


5.-Depois desta “boa notícia”, caros leitores (as), ainda estão (muito) interessados (as) nas contas da segunda Figura de Portugal? Então, leiam o que anda por ai à solta:





“Assunção Esteves, a actual Presidente da Assembleia da República reformou-se aos 42 anos, com a pensão mensal (14 vezes ano) de € 2.315,51. Fica o Diário da República de 30/07/1998 para vossa informação. Para que saibam ainda, a Senhora Assunção Esteves recebe ainda de vencimento mensal (14 vezes anos) € 5.799,05 e de ajudas de custas mensal (14 vezes ano) € 2.370,07. Aufere, portanto, a quantia anual de € 146.784,82. Ou seja, recebe do erário público, a remuneração média mensal de € 12.232,07 (Doze mil, duzentos e trinta e dois euros, sete cêntimos). Relembramos que também tem direito a uma viatura oficial BMW a tempo inteiro!"

2 comentários:

José Manuel Fernandes Simões disse...

...isto é o que chamo de má-lingua.
Então ela não pode receber isso porquê? Porque é que o actual Chaiman da Mota-Engil, ex-deputado PS, ex-ministro PS, ex uma série de coisas, ganha na Mota uma pipa de massa e ainda recebe do Estado (pago por todos nós) outra pipa de massa? E o Dias Loureiro que está enterrado no caso BPN, SLN e outros negócios obscuros com a matilha de babecos habituais (por coincidência todos do PSD e CDS, aquelas coincidências, estão a vêr?????), ainda está a receber uma pensão do Estado? Quando falo nestes dois matrecos, não tenho adjectivos para qualificar todos aqueles que, quais vampiros, gravitam à volta da vítima (o Povo, que é o Estado) para lhe sugarem o sangue. Assistimos neste momento a uma cópia do PREC (ainda se lembram?), mas da direita reacionária. Para eles chegou a hora da vingança, a vítima somos nós, o Bom Povo Português.

redonda disse...

Com tudo isto, parece-me que o Governo bem poderia ter pensado, em dar o exemplo e começar os cortes por cima...