8.10.07

Monumento a quem merece


Por isso, a hipotética ideia (do monumento…),

ainda que risonha, brejeira, irónica, sarcástica, pouco, muito ou nada séria, tem pernas para andar – os clientes merecem!

Haja quem a proponha em letra de forma junto das competências devidas!

Depois, logo se vê…

A proximidade afectiva torna suspeita a opinião que tenho do dono de certo bar da cidade. Diria até que estamos tão próximos que nos “confundimos” pelo riso de uma boa piada; como o grande poeta Mário de Sá Carneiro disse de si; “eu (também) não sou eu nem sou o outro…”, enfim – daí esta confusão de personalidades que, bem vistas as coisas, nada tem de bizarro...

Ora, se pelo riso nos entendemos, quando a “graça tem piada”, foi esse o trejeito que nos ficou dependurado após leitura apressada, depois vagarosamente repetida, da parte final do terceiro parágrafo da peça publicada pelo CBS na edição anterior, a propósito de uma praceta da cidade, onde, por coincidência, eu e o meu amigo, dono do tal bar, coexistimos de forma fraterna e solidária.

O corpo da notícia, na verdade, não justifica, a meu ver, o espaço desta croniqueta, mas o pequeno “pormenor” do presidente da edilidade de Oliveira do Hospital, num momento de saudável disposição, acrescentar à sua resposta, a propósito da necessidade da requalificação da tal praceta, onde eu e o meu amigo coexistimos pacificamente, insisto, a lapidar frase:”… a não ser que o senhor queira lá colocar um monumento aos frequentadores do Ritual Bar”, (como se isso constasse das ideias de quem propunha intervenção camarária), merece, pelo menos, um meio sorriso e um pequeno “devaneio” da minha parte, com a aquiescência do meu amigo, claro está…

A notícia é para ser lida no seu todo, por isso remeto os leitores para a dita – ficarão a conhecer as “causas” da ironia do presidente da edilidade oliveirense, como está escrito no CBS.

Imaginemos que a proposta incluía, além do corte dos arbustos e arranjo dos passeios, um monumento para embelezar a praceta (o que não seria de todo descabido, na pessoa do seu patrono, o poeta Manuel Cid Teles)…

Então, particularizar determinado estabelecimento comercial e os seus ilustres clientes (ilustres, digo bem – de outro modo não justificariam a “estátua”) seria uma atitude simpática, no meu modesto raciocínio, e reflectia a importância do mesmo em determinado contexto; no caso, com ou sem ironia, o presidente da edilidade do “meu concelho” por certo pretenderia exaltar uma mão cheia de actos culturais levados à prática no tal bar durante oito anos – oito –, que me dispenso de recordar por serem sobejamente “visíveis” aos olhos de quem quer ver, perante a presença de gente elegante no porte, de classes sociais díspares, atentas e respeitosas.

Tamanha honraria bem poderia ser aplicada, por inerência de atitudes semelhantes, a outros estabelecimentos similares e aos seus fiéis e cordatos clientes; eu e o meu amigo entendemos que o “sol quando nasce é para todos”: para uns, o aconchego do entretenimento espiritual pode ser um sarau de poesia, uma noite de boa música ou a contemplação de uma exposição de pintura; para outras, uma sessão de anedotas ou uma noitada de jogo de cartas, por exemplo, têm o mesmo efeito reparador das maleitas da alma. Por isso, a hipotética ideia (do monumento…), ainda que risonha, brejeira, irónica, sarcástica, pouco, muito ou nada séria, tem pernas para andar – os clientes merecem! Haja quem a proponha em letra de forma junto das competências devidas! Depois, logo se vê…

Enquanto me distraio com a escrita nesta ânsia indomável de escrevinhar coisa que mereça leitores – um que seja! – o meu amigo, coitado, faz de Villaret no “Cântico Negro”:

"Vem por aqui — dizem-me alguns com os olhos doces”

“ (…) Sei que não vou por aí”!

Entre o princípio e o fim do poema, fica o inconformismo do grande poeta José Régio.

3 comentários:

Serenidade disse...

Pelos anos que tenho nessa casa, pelas noites que ajudei a proporcionar e pelas ajuditas que vou dando acredito merecer um lugarzito nesse grande monumento... contento-me com o lugar mais recatado.

Acredite que ficava bem esse monumento, com a figura do mestre, o amigo, o confidente desse tal bar... e era merecido... "ao mestre que ensinou a arte de sonhar".

com ou sem estatueta eu pertenço a essa casa. Pena o sr. presidente não pertencer. Podia ser que aprendesse um pouco mais.

Aquele eterno beijito

Anónimo disse...

deliciosa crônica....
um abraço do tamanho....à este escrivinhador..
cristina

Maia disse...

Momentos, mas que saudades dos momentos do RITUAL, era mesmo um ritual de alegria e simplicidade. Enfim, por serem tão bons nunca se esquece nem os momentos nem as pessoas.Um forte abraço