11 de janeiro de 2026

RiTuAL Bar: onde a Arte e a Cidadania se cruzavam em Oliveira do Hospital



Manuel Alegre  no ano de 2006



No panorama cultural e social de Oliveira do Hospital, poucos espaços deixaram uma marca tão eclética como o RiTuAL Bar. Mais do que um local de lazer, o estabelecimento afirmou-se, especialmente entre 2005 e 2007, como um palco privilegiado para o debate democrático e a expressão artística espontânea.

O Fervor das Presidenciais de 2006

O ano de 2006, marcado por uma das corridas presidenciais mais disputadas da história recente, que opôs figuras como Cavaco Silva, Manuel Alegre e Mário Soares — encontrou no RiTuAL um eco local. No dia 6 de janeiro desse ano, o bar serviu de sede para uma tertúlia dedicada à "Cidadania", inserida na campanha de Manuel Alegre.
O debate, que contou com as presenças de Elísio Estanque, José Gama e Pedro Bandeira, antecipou o clima eleitoral que levaria Manuel Alegre ao segundo lugar nas urnas, atrás de Cavaco Silva.
O ano de 2026, entretanto, suplantou  todas as expectativas: 11 candidatos "baralham as contas"  aos eleitores.

Debate Social e Intervenção

A vocação do espaço para a intervenção cívica não se esgotou na política partidária. Em fevereiro de 2007, o RiTuAL acolheu um debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, um tema que então dominava a agenda nacional. O evento, organizado pelo Movimento de Intervenção e Cidadania por Coimbra, foi moderado pelo jornalista Henrique Barreto e reuniu especialistas como as Dras. Alice Castro e Margarida Bandeira. além do Dr. Pedro Bandeira.

"Música Vadia" e Erotismo na Poesia

Para além da política, o RiTuAL era um refúgio para as artes. A sua filosofia incluía exposições regulares de pintura e artesanato, mas era na palavra dita e no som que o espaço ganhava uma alma única:
Sessões de Poesia: Momentos marcantes como o serão dedicado ao “Erotismo na Poesia”, onde vozes como as de José Vieira , Álvaro Assunção e João Dinis reabilitaram clássicos de Bocage, Natália Correia e de outros autores
Música ao Vivo: Entre concertos programados e divulgados à comunidade, surgia a chamada “música vadia” — sessões improvisadas que, sem dia nem hora marcada, aconteciam simplesmente, ao sabor da presença de músicos e clientes.
Como refere a memória viva do espaço, o RiTuAL Bar servia "copos", mas o seu verdadeiro serviço à comunidade eram os "pretextos para dois dedos de conversa em ambiente a condizer", mantendo viva a chama da convivência democrática.

10 de janeiro de 2026

Havia um sonho

No aconchego de uma boa conversa,
em ambiente a condizer, talvez poesia, música, artesanato ...


Em 1999 ganhou corpo e nome, e dele fiz morada, rumo e promessa. Era um sonho habitável, onde a vida cabia inteira: o riso solto, os dias longos, a certeza ingénua de que o tempo obedeceria à vontade do coração.
Durante anos caminhei dentro dele, sem pressa, como quem sabe que chegou ao lugar certo. Cada gesto tinha sentido, cada passo deixava marca.
Mas a vida, que nunca pede licença, mudou o curso do rio em 2008. O brilho recolheu-se, como o sol quando decide esconder-se atrás de nuvens densas, e a existência ficou suspensa num intervalo sem nome. Fiquei preso por um fio — fino, quase invisível — tecido pela Ciência, esse engenho humano que desafia o destino e negocia com o impossível.
O corpo, cansado de tantas batalhas silenciosas, aprendeu a ficar. A permanecer. Foi reprogramado para se manter de pé, mesmo quando a alma pesava mais do que a carne. Dentro dele, a alma resistia, vigilante, recusando-se a abandonar o sonho. Não o sonho intacto, mas o que sobrevivera.
Desde então, vivo de outra maneira. O tempo deixou de correr; passou a respirar. O sonho recolheu-se às memórias, onde permanece desperto. Habita os sons guardados com ternura, as imagens que o amor selou para sempre — instantes pequenos, luminosos, invencíveis.
Há dias em que preciso regressar. E então acontece o milagre: as memórias erguem-se, ressuscitam, ganham asas e voam. Aprendi que nem tudo o que a vida interrompe se apaga. As belezas da minha vida são eternas — e só essas. Não envelhecem, não adoecem, não se rendem. Acompanham-me, silenciosas e fiéis, até ao dia da derradeira viagem ao desconhecido.






Aerógrafo - "ao vivo"

workshop  de aerografia destinado aos professores (e alunos...) por um artista oriundo da comunidade estrangeira, Wild de Wildt

 

Multi-instrumentista


 

O mestre

Rui Marques

 

Dizer poesia


 

Sons de qualidade superior


 

Trio de honra