30 de outubro de 2026

Reflectir em liberdade

 Autorretrato

* Há 81 anos que procuro construir uma biografia marcada pela serenidade e pela curiosidade intelectual perante o mundo, sem deixar de desafiar os números e de celebrar a liberdade, no espírito do socialismo democrático.

* Procuro manter a mente viva, desperta e criativa. Preencho o quotidiano com o prazer da leitura, da escrita e da música de que mais gosto, reservando sempre tempo para cuidar das minhas plantas. Acompanho o que se passa para além do meu pequeno mundo, sem pressas nem correrias. Gosto de pensar sobre o trivial e de reconhecer, com humildade, «o pouco que sei sobre o muito que ignoro» …

* A minha caminhada continua a ser, assumidamente, a de me apaixonar pelas pessoas e pelas causas públicas, mantendo acesa a chama de uma cidadania humanista, moldada pelos ideais da fraternidade e inspirada no pensamento de Spinoza: vejo o divino na harmonia da Natureza e na essência do próprio Universo.

* Deste modo, a finitude faz parte de uma reflexão lúcida sobre a morte física, que procuro encarar sem dramatismos, vivendo com a leveza de quem acredita já ter compreendido o essencial.

* A ternura com que olho o próximo e a disponibilidade com que me dou a quem procura o aconchego de uma palavra ou a simpatia de um sorriso são, talvez, o reflexo daquilo que recebo dos meus cinco filhos. Também nisso reconheço uma parte essencial do meu autorretrato.

* Porque a vida é um balanço constante, quando chegam as angústias, lembro-lhes tudo o que de bom ela me proporcionou — e sigo adiante.


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