Autorretrato
* Há
81 anos que procuro construir uma biografia marcada pela serenidade e pela
curiosidade intelectual perante o mundo, sem deixar de desafiar os números e de
celebrar a liberdade, no espírito do socialismo democrático.
* Procuro
manter a mente viva, desperta e criativa. Preencho o quotidiano com o prazer da
leitura, da escrita e da música de que mais gosto, reservando sempre tempo para
cuidar das minhas plantas. Acompanho o que se passa para além do meu pequeno
mundo, sem pressas nem correrias. Gosto de pensar sobre o trivial e de
reconhecer, com humildade, «o pouco que sei sobre o muito que ignoro» …
* A
minha caminhada continua a ser, assumidamente, a de me apaixonar pelas pessoas
e pelas causas públicas, mantendo acesa a chama de uma cidadania humanista,
moldada pelos ideais da fraternidade e inspirada no pensamento de Spinoza: vejo
o divino na harmonia da Natureza e na essência do próprio Universo.
* Deste
modo, a finitude faz parte de uma reflexão lúcida sobre a morte física, que
procuro encarar sem dramatismos, vivendo com a leveza de quem acredita já ter
compreendido o essencial.
* A
ternura com que olho o próximo e a disponibilidade com que me dou a quem
procura o aconchego de uma palavra ou a simpatia de um sorriso são, talvez, o
reflexo daquilo que recebo dos meus cinco filhos. Também nisso reconheço uma
parte essencial do meu autorretrato.
* Porque
a vida é um balanço constante, quando chegam as angústias, lembro-lhes tudo o
que de bom ela me proporcionou — e sigo adiante.
Autorretrato
* Há
81 anos que procuro construir uma biografia marcada pela serenidade e pela
curiosidade intelectual perante o mundo, sem deixar de desafiar os números e de
celebrar a liberdade, no espírito do socialismo democrático.
* Procuro
manter a mente viva, desperta e criativa. Preencho o quotidiano com o prazer da
leitura, da escrita e da música de que mais gosto, reservando sempre tempo para
cuidar das minhas plantas. Acompanho o que se passa para além do meu pequeno
mundo, sem pressas nem correrias. Gosto de pensar sobre o trivial e de
reconhecer, com humildade, «o pouco que sei sobre o muito que ignoro» …
* A
minha caminhada continua a ser, assumidamente, a de me apaixonar pelas pessoas
e pelas causas públicas, mantendo acesa a chama de uma cidadania humanista,
moldada pelos ideais da fraternidade e inspirada no pensamento de Spinoza: vejo
o divino na harmonia da Natureza e na essência do próprio Universo.
* Deste
modo, a finitude faz parte de uma reflexão lúcida sobre a morte física, que
procuro encarar sem dramatismos, vivendo com a leveza de quem acredita já ter
compreendido o essencial.
* A
ternura com que olho o próximo e a disponibilidade com que me dou a quem
procura o aconchego de uma palavra ou a simpatia de um sorriso são, talvez, o
reflexo daquilo que recebo dos meus cinco filhos. Também nisso reconheço uma
parte essencial do meu autorretrato.
* Porque
a vida é um balanço constante, quando chegam as angústias, lembro-lhes tudo o
que de bom ela me proporcionou — e sigo adiante.

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