11.8.09

Alberto Martins de Carvalho


A profissão de jornalista em tempos de transição” é um excelente exercício de ideias que o director do Correio da Beira Serra, Henrique Barreto, trouxe à luz do sol – digo bem, luz do sol, porque a liberdade, para ser visível, necessita de “luz”, de preferência a que nos aquece e ilumina de borla.
Vem este propósito de enveredar pelas “ideias dos outros" – como se alguma delas fosse minha! - o facto de ter passado a vista e as mãos pelas doze páginas do número zero de hebdomadário Tábua/Arganil Notícias.Posso ter uma ideia sibilina e permanecer calado, em sossego pela inércia do “não vale a pena, deixa-me estar quieto”, mas não é bem esse o jeito de me fazer entender, na linha de João Carreira Bom, Roby Amorim, e outros ilustres camaradas com quem privei no extinto O Século, ou do Henrique Barreto, amigo de alguns anos, e parece ser, também, o mote de quem dá corpo e (alguma) alma ao novel jornal, nascido “ali ao lado”. Posto isto, vamos ao pormenor (da ideia!) que trago à croniqueta.
Era adolescente quando conheci o insigne pedagogo Alberto Martins de Carvalho, licenciado em Direito e Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra. Quando tomou conhecimento de que tínhamos as mesmas origens (Barril de Alva), procurou-me no Liceu D.João III., em Coimbra; desse (s) encontro (s), guardo poucas memórias.Bastante mais tarde, trinta anos depois de África, fiquei a conhecer com algum pormenor a sua carreira académica, e soube que “… nas décadas de 20 e 30 do século passado, foi um dos grandes vultos intelectuais de Coimbra, privando com nomes como Miguel Torga (a quem apresentou Fernando Valle), Paulo Quintela, Vitorino Nemésio, José Régio e outros…”, (in Universidade Fernando Pessoa). Mais recentemente, com agrado, tomei nota da sua incursão no jornalismo, ao estilo das figuras que são referidas atrás, isto é: sem papas na língua, preciso nas ideias, vincando o seu carácter iluminado de homem livre. Foi assim que fez carreira, nas palavras sábias de Fernando Valle.
Os tempos actuais não são diferentes dos de outrora, quando se manifesta a verticalidade de qualquer cidadão, seja em que circunstância for.No campo específico do jornalismo, existem agora outros suportes para dar a conhecer a notícia, passar ideias, divulgar conhecimentos, e será por aí, sem dúvida, que passa o próximo futuro, talvez em exclusividade, com as edições electrónicas dos jornais a justificarem aposta segura, mas, como refere o director do CBS, “…como todo este conjunto de meios tecnológicos, está indissociavelmente dependente da Internet, é importante que os jornalistas, “em tempos de transição”, se apercebam de como é que este fenómeno comunicacional está a evoluir em Portugal…”.Se fossem vivos e no activo, não tenho qualquer dúvida em acreditar que homens do gabarito intelectual de Roby Amorim, João Carreira Bom, e sobretudo do meu conterrâneo (também) jornalista Alberto Martins de Carvalho – que recordo, para que as memórias não fiquem vazias de si – com facilidade abraçariam as novas tecnologias, usando-as como meio rápido e eficaz de se fazerem ouvir!
Dirão: nada se compara ao folhear do jornal impresso, o cheiro da tinta, enfim… – sou pelo romantismo de algumas tradições, mas quando se trata de divulgar informação, através das edições impressas, o “agora” já é “passado”!Vida longa ao Tábua/Arganil Notícias, que surge nas bancas quando ainda se “chora” o passamento da Comarca de Arganil.

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