12 de maio de 2023
4 de maio de 2023
Tertúlia "ritualista"
https://ritualmente.blogspot.com/2017/12/ritual-bar-alem-de-copos-servia-outros.html
RiTuAL BAR - além de "copos", servia outros pretextos (...)
19 de março de 2022
"Correio da Manhã", Contumélias e eu
A vida é feita de opções - umas boas, outras nem por isso...
O "Correio da Manhã" completa hoje mais um aniversário.
Num dia qualquer do ano da primeira edição, durante um beberete social no Hotel Sheraton, em Lisboa, o futuro chefe de redação do jornal, Mário Contumélias, honrou-me com um convite para fazer parte do corpo redatorial. Na época, era redator da revista Plateia, colaborador de outras publicações da Agência Portuguesa de Revista…e estava "a caminho" de Jerusalém para "cobrir" o Festival Eurovisão da Canção.
Eu e o Mário Contumélias, profissional prestigiado da Imprensa (além de João Carreira Bom, Francisco Máximo, Roby Amorim, José Mensurado e outras personalidades), fomos companheiros no semanário "Telex", que teve, infelizmente, vida curta.
Ao honroso convite de Contumélias disse NÃO, obrigado - tinha “em mãos” outro projeto de vida.
10 de março de 2020
7 de janeiro de 2018
O "segredo", segundo Gabriel Garcia Márquez
A senhora é de poucas falas, na verdade mal a conheço, mas sempre que nos cruzamos sorri e toma a iniciativa do cumprimento de ocasião.
Um dia, à mesa do café, fomos mais longe nas palavras de circunstância e a senhora perguntou como ia o meu coração - calmo e sossegado graças a uma mão cheia de "pastilhas" diárias, respondi.
Disse a senhora:
- Como sempre o vi sorrir, ninguém diria que esteve com um "pé no outro lado"...
Gargalhei moderadamente - nem sempre o sorriso é sinal despreocupado da melhor disposição, da melhor saúde.
Gabriel Garcia Márquez "aconselhou-me" para nunca deixar de sorrir "(...), nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem se pode apaixonar pelo teu sorriso".
Mais consentâneo com a (minha) realidade sigo à risca o conselho do Nobel da Literatura:
- "O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão".
*Adaptado de um texto escrito e publicado em abril de 2011
5 de janeiro de 2018
Dupond e Dupont
Por
curiosidade segui o debate entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio na RTP.
Um deles irá liderar o PSD a partir do próximo dia 13 do mês corrente, o que
pouco me diz, confesso. Não sou partidário da “cor laranja”, mas gosto de
estar minimamente informado sobre o que
se passa na “casa do vizinho”…
O título do jornal “I” de hoje não faz a coisa
por menos e assegura que ” Santana põe Rui
Rio em KO técnico”! Nem mais -
perdoe-se o exagero (?), mas
respeite-se a opinião de quem a teve e tornou pública.
Do
debate guardei de memória alguns remoques dos candidatos. Destaco Santana Lopes
(por quem nutro alguma simpatia pelo facto de
ter ligações familiares na Beira Serra - a sua família paterna tem
origens no concelho de Arganil), que me fez
sorrir quando “esclareceu” que,
afinal, a dupla Dupond e Dupont, das aventuras
de Tintim, tinha seguidores em Portugal: António Costa e Rui Rio! Ups…
Quando Costa e Rio
lideraram as Câmaras Municipais
das duas principais cidades do país, a aproximação amistosa (?) entre ambos
fez correr alguma tinta na Imprensa e falatório à mesa do café, daí a laracha!
Rio, no debate, foi claríssimo e disse, mais coisa menos coisa: “não devo nada ao António Costa, nem ele me deve nada a mim”!
Com
“contas à moda do Porto” (cada um pagou a sua parte da despesa comum, se existiu…) fiquei esclarecido: nada de desculpas, ao estilo: “é pá, deixei a carteira
em casa, paga aí o cimbalino…”.
Rio, no debate, foi claríssimo e disse, mais coisa menos coisa: “não devo nada ao António Costa, nem ele me deve nada a mim”!
- A que horas sai o barco?
Havendo rio e pessoas,
falta o barco para navegar, rio acima, rio abaixo, que já ninguém quer um barco para transportar as pessoas, e as coisas das pessoas, de uma para a outra margem.
- A que horas sai o barco?
- Não tem horas nem hora - quando é preciso, sai o barco...
Não havendo cais, o barco adormece preso à margem de uma das margens - aquela onde mora o barqueiro, que tem o barco pronto para a próxima viagem...
...do João Brandão, "o terror das Beiras" (...) homem imperfeito do seu tempo, criminoso, homem cruel ou filantropo para o povo da sua região? (...), que chega na companhia dos seus, ainda o sol dorme. E o barqueiro também...
- Ó barqueiro, ó barqueiro - acorda que quero passar.
Diz a lenda que "o terror das Beiras" (ou filantropo?), chegado à outra margem, tirou do alforge uma moeda e pagou a viagem
... e o sono do barqueiro,
... e a viagem do barqueiro para a outra margem - aquela onde mora o barqueiro, que tem o barco pronto para a próxima viagem...
- A que horas sai o barco?
- Não tem horas nem hora - quando é preciso, sai o barco...
3 de janeiro de 2018
O realejo
o homem do realejo
trocava olhares e sorrisos
com a boneca das pernas compridas,
grandes, enormes.
Veio a turba a reboque das sardinhas assadas,
dos couratos e pasteis,
do bucho e da chanfana.
A boneca ganhou vida - cresceu em altura,
o realejo tocou,
o homem sorriu;
o povo sorriu,
o presidente sorriu
- todos os presidentes sorriram -
os confrades sorriram,
o emplastro sorriu,
os homens da segurança, não.
A boneca desceu das pernas altas,
o homem pousou a mão no realejo
- tinha passado o cortejo!
(Memórias da visita de Cavaco Silva, presidente, a Arganil)
1 de janeiro de 2018
Imani Nsambe e eu
Quando o sino da torre da igreja do meu sitio anunciou a meia-noite, e meia dúzia de foguetes poluíram o silêncio, é que dei conta do falecimento do ano velho. Trau, trau, trau - pum! É esta a fala dos foguetes, dos baratinhos, sem “lágrimas coloridas”.
Bolo rei, passas e “champanhe”, abraços e beijinhos, sorrisos e votos de bom ano. Na casa do meu amigo Armando a mesa estava posta - perto da lareira é que se estava bem...
- Vai à nossa e das nossas famílias, chim, chim – tocam-se os copos com a “Raposeira” a borbulhar.
De regresso a casa “aconcheguei-me nos braços da Imani Nsambe ”, (…) uma jovem negra que estudou numa missão católica (…), na esperança de “dois dedos de conversa” - impossível, o telefone não permitia tais mimos, há sempre retardatários, amigos e familiares: bom ano, bom ano, com saúde, digo eu, que é o que mais desejo - a ver se me faço anunciar em dezembro, daqui a um ano…
Já tarde, em sossego, aproximei-me novamente da Imani Nsambe e aí fiquei, as "minhas mãos nas mãos de Imani Nsambe".
Estou a meio da leitura do romance histórico escrito pelo meu amigo Mia Couto, “O Bebedor de Horizontes”. Foi ele, o autor, que me apresentou Imani Nsambe, a narradora dos (…) trágicos acontecimentos do final do reinado de Gaza (…).
Mia Couto “enfeitiça” o leitor com as palavras que escolhe para contar estórias e realça a história do seu (e meu!) povo com a autenticidade dos pormenores recolhidos em múltiplas fontes. A trilogia “As Areias do Imperador”, que termina com “O Bebedor de Horizontes”, é o melhor testemunho do que me vai no pensamento sobre as lendas que escutei aqui e ali, em terras de Inhambane, mais tarde em Gaza, sobre Gungunhana, o rei.
Possivelmente Imani Nsambe é figura de conveniência no romance - que importa? Hoje foi o mote para esta croniqueta de “trazer por casa” depois de um festim com espumante, “sonhos”, “fatias douradas”, “arroz doce” e, a abrir, camarões de Moçambique, possivelmente pescados nas águas de Morrumbene, a norte de Inhambane.
Bayete, Imani Nsambe!
___
Vale a pena ler "AS MULHERES DO GUNGUNHANA":
30 de dezembro de 2017
RiTuAL BAR - além de "copos", servia outros pretextos (...)
Recordar os tempos do RiTuAL BAR é um exercício dolorido.
Pela via do pensamento, quase sempre "sofro calado" memórias das noites que, na época, a cidade de Oliveira do Hospital desfrutava com prazer. O grupo dos habitués, só por si, fez do RiTuAl uma referência regional.
A assunção pública de determinada postura filosófica, renascida a "Oriente de Coja", trouxe ao espaço figuras ilustres da cultura que, de forma direta, ou não, patrocinaram noites inesquecíveis - da música à poesia, da pintura às letras, dos debates cívicos às tertúlias mais comezinhas.
As imagens que trago à primeira página deste RiTuAl fazem parte de mim, apaixonado como eu era pelas pessoas com quem partilhei as alegrias desses momentos.
O RiTuAl BAR, além de "copos", servia outros pretextos para dois dedos de conversa...
-
Texto publicado em novembro de 2012
17 de março de 2014
HUC: tratamento " VIP"
Perdi a conta aos anos que me separam de uma certa noite de sábado, que podia ter sido a última entre o número dos vivos.
Sem saber como, no RiTuAL Bar, caí atrás do balcão. O que aconteceu a seguir pertence ao mundo do "não me lembro", mas tenho presente que "acordei" com a voz mansa do João Paiva:
- Alguma quebra de tensão, não há-de ser nada , mas é melhor ir ao Centro de Saúde...
O Paiva continuou gentil, sugeriu que o seguisse até à sua viatura e lá fomos...
Passava das dez da noite, havia imensa gente à espera de consulta, mas como "ameacei" com novo desmaio, levaram-me quase ao colo à presença do doutor Herdade. Desse momento até ser encaminhado para uma ambulância de "teto alto", a pedido do médico, passaram-se poucos minutos...
A caminho dos HUC, sob a proteção de um enfermeiro, aconteceram outras peripécias que recordo vagamente . Quando "acordei" estava rodeado de médicos e enfermeiros, e a minha filha Ana Rita com cara de caso, mas sorriu quando trocámos olhares.
Durante quatro dias fui tão bem tratado, que me considerei "um VIP" !
Na verdade, TODOS os doentes da cardiologia eram bem tratados...
Volvidos não sei quantos anos, continuo a "sentir-me VIP" quando vou aos HUC para os exames de rotina.
Não tenho pressa em passar ao "Oriente Eterno", por isso acertei o passo com meia dúzia de comprimidos e cá vou indo, nem sempre muito ajuizado quando a ementa anuncia cozido à portuguesa e outras comidinhas leves...
Hoje, segunda feira, a meio da tarde, recebi um telefonema dos HUC. O cavalheiro com quem falei tratou-me como se eu fosse "VIP", lembrando-me que os meus registos sobre o colestrol não estavam atualizados e que seria melhor fazer análises.
- Olhe que não, amigo, disse eu - sempre que vou aí, levo uma catrefa de exames, colestrol incluído. Ainda a semana passada "cumpri todos os rituais" e a doutora Ana Rita achou que estava tudo dentro dos parâmetros...
- Ah, como as análises não são feitas aqui nos HUC, respondeu, não temos os seus registos atualizados. Ainda bem que é cuidadoso; sendo assim, não vale a pena duplicarmos os exames. Continuação de boa saúde, senhor Carlos...
- Muito obrigado, disse, e acrescentei:
- Registo o gesto com muito agrado, sobretudo agora, quando tanto se diz dos serviços hospitalares; " meio a brincar", digo-lhe que me sinto "um VIP" com a sua gentileza...
E deixei meia gargalhada no ar, "feliz da vida" !
Então, até Novembro...
2 de março de 2014
"Palavrões"
Há dias assim, feitos de leituras antigas.
Esta croniqueta vem de Junho de 2009.
Na passada semana voltei aos HUC, lembrei-me deste texto e notei "melhorias nos meus conhecimentos técnicos": drogas como Rosuvastantina, Ezetimiba, Perindopril permitem-me "acordar vivo". Se continuar com "juízo",em novembro volto aos cuidados da doutora Ana Rita Ferreira...
Seis horas no hospital à espera de uma consulta, são horas a mais, mas não havia volta a dar-lhe, e quem espera, desespera. Por vezes, quem espera tem um “bónus”, o meu foi uma consulta.
O médico que me recebe é simpático e deve ser muito competente; não apresento queixas, mesmo assim entendeu que o colesterol precisava de uma ajudinha para vir por aí abaixo na escala dos valores que considera ideais para quem tem problemas cardíacos, como é o meu caso. Vai daí, alterou-me a medicação e foi explicando, tintim por tintim, como serão úteis as diversas substâncias que compõem os novos comprimidos, possivelmente minúsculos, como eram os anteriores.
Fixo a posologia, mas quando percorreu caminhos enviesados para o meu entendimento, limito-me a ouvi-lo pronunciar “palavrões” do estilo: Rosuvastantina, Ezetimiba, Perindopril…! Continuo “sem fala”, mas se pergunta “Percebeu?”, quer que lhe responda com um sim, não, ou talvez, e eu sorrio, que é a melhor das respostas quando se é leigo no assunto. Acho que todos nós, os doentes, e mesmo aqueles que o não são, devemos responder sempre ao médico com um sorriso. O doutor não se obriga a grandes explicações, se dissermos “Não, não percebi patavina”, e se dissermos “Sim, senhor doutor, percebi”, ele sabe que estamos a mentir, mas ficamos por ali mesmo, pela nossa ignorância. Portanto, sorrir em tons de amarelo é uma boa resposta (se fosse verde, era sinal de que tínhamos percebido; vermelho, seria o mesmo que dizer “Troque isso por miúdos e numa linguagem que se perceba”).
Um sorriso, como se vê, é a salvação de quem está perante alguém que sabe mais do que nós sobre qualquer coisa, a não ser que estejamos numa sala de aula, onde o mestre tem por missão ensinar; aos alunos, só resta estar atento à matéria, nada de assim-assim no entendimento, como sucedeu há dias, durante uma lição sobre gestão da floresta, que dá sempre jeito a profissionais e a ignorantes (como eu!). Quando a engenheira Tânia falou da Pseudotsuga – um “palavrão” que em alguns casos assume grande porte, se o associarmos a uma espécie de “pinheiro” de jardim – fiquei a saber que é uma mentira apontar a resinosa como familiar do Pinus pinaster, o “nosso” pinheiro bravo”. Tem pinhas, sim senhor, mas isso não lhe confere qualquer parentesco!
Seis horas numa sala de espera, dão para imensa coisa: ler o jornal, partes de um livro, ouvir as conversas dos vizinhos, ou passear o olhar pelos rostos de quem está por ali… à espera. Aproveitei o tempo consoante o cansaço que proporciona a incómoda cadeira; se me concentrava na leitura, de quando em vez, ficava em alvoroço com uma voz de mulher que vinha do altifalante. Era timbrada, e os decibéis, acima da média para o local, preenchiam “violentamente” o espaço.
Ao meu lado, uma senhora, entrada na idade, “ passava pelas brasas”. Tantas vezes se sentiu incomodada com as chamadas, do estilo “António Francisco Simões, sala cinco” (aquilo era rápido, questão de segundos!), entre tremores e um ressonar “simpático”, a dado momento, talvez por estar a meio de um sonho bonito, deu um salto na cadeira e soltou um sonoro desabafo:
-“Ai credo, porra que me assustei”!
Nessa altura estava eu preso à leitura das últimas sobre o “meu” Benfica, depois de ter mergulhado numa crónica do Miguel Esteves Cardoso.
-“Carlos Alberto Ramos, gabinete dois” – chegou a minha vez!
Eram três da tarde.
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