
14 de setembro de 2007
29 de agosto de 2007
Morreu o "Pavarotti"

(...)
E tenho roseiras, muitas roseiras, rosas lindas, com cheiro, que me lembram amores caídos ( sempre a rosa, de preferência vermelha, nos momentos mágicos... e outros como este, espiritual, etéreo, pk não?).
Hoje dei com o meu "Pavarotti" ( um belo canário, cantor e sedutor, como todos os canários esbeltos e.. cantores!) caído num canto da prisão que lhe servia de guarida - uma assoalhada com trapézio onde o tenor exercitava o físico. Fiquei triste, estou triste, sobretudo depois do funeral em campa rasa, debaixo dos "Kivis". Com "pompa" e em silêncio cobri a sepultura com... pétalas de rosa.
O "Pvarotti" era a lembrança mais próxima de um amor "morto" , faz agora um ano, de curta duração. Coincidência, não?
Comprado "a meias", sobrou do espólio do "divórcio" (?) como coisa viva - tudo o resto são coisas mortas, menos as lembranças.
Partilho o "desgosto" sem lágrimas. Entenda-o como uma metáfora, como espero que entenda e aceite outras que deixei:"paixão", "amor","dedicação"...
(...)
Existe, sei que existe pk "toco" com gestos delicados a sua alma quando a encontro, errante. E se “ela” sorri, sei que é sua – só pode ser a sua!
As suas “cartas” nunca me cansam; se são pequenas, “sabem a pouco”.Adoro cheiros e paladares, para que saiba: tenho África no “sangue” e fui, num tempo passado, o “branco mais preto” daquele sítio de nostalgias permanentes, como disse “seu” Venicius de Morais.
Cá para mim, Mia Couto ainda não se atreveu a dizer o mesmo para que não seja apelidado de “surripiador”.
Ah, e de José Mauro de Vasconcelos, conhece “Meu pé de laranja lima”? Nem sei pk recordei a obra, que nada tem a ver com o Antoine de Saint Exupéry – este sim, estamos de acordo, paixão mútua, e ainda bem, para que me reveja na sua sensibilidade; por favor, permita que a minha fique por perto…
Fraternalmente,
… Carlos
7 de agosto de 2007
2 de maio de 2007
"Pavarotti" de penas
Forçado ao repouso, procuro cumprir com algum rigor a abstinência ao trabalho e às conversas longas; a dieta alimentar é sensaborona, mas o que mais me cansa, é estar de costas direitas, à espera que o tempo passe. A inércia nunca fez parte dos meus hábitos, mas como a ordem veio de cima, do médico que me assistiu nos HUC, faço-lhe a vontade, na esperança, como disse, de continuar por cá por mais uns tempos – sempre acontecem coisas novas, se não houver sabedoria, que haja conhecimento!
Na aldeia onde me "refugiei", o tempo parece mais vagaroso, por isso deixo o olhar perder-se no horizonte, visto do meu quintal: mimosas "perna-longas" de um lado, casas velhas desabitadas à minha frente, do outro lado, lá longe, um monte coberto de pinheiros, e atrás de mim a sombra da casa resguarda-me do calor primaveril.
No relvado, um melro anda aos saltinhos e em silêncio (e se é bonito o seu cantar!); faço um pequeno gesto, levanta voo e esconde-se na selva que invadiu o quintal do vizinho. Às mimosas, juntaram-se as silvas e arbustos que não conheço, cobrindo por completo as oliveiras. O melro deve ter o ninho nesta mata impenetrável…
Os pesticidas que os meus conterrâneos usam nos ataques às pragas e ervas daninhas (uma boa infusão de urtigas resolvia, não é "mestre" Zeferino?) afugentaram os pintassilgos que, noutros tempos, festejavam a Primavera com acordes de uma sinfonia, em homenagem à mãe Natureza. Uma vez, aqui perto, descobri um ninho destes passarinhos. Espreitei e vi três ovinhos de cor creme, pintalgados de cinzento. Dei tempo ao tempo e acompanhei a eclosão da ninhada.
Quando o vizinho (habituado a ir "aos ninhos" desde miúdo, coisa que nunca fiz…) entendeu que tinha chegado a hora da transferência, fez-se a mudança para uma gaiola, na esperança de que os pais, segundo ele, os alimentassem; estes, coitados, não gostaram que tivéssemos interferido na educação dos filhotes, por isso manifestaram-se de forma "ruidosa", sem se aproximarem da prisão, o que me deixou preocupado e, mais do que isso, bastante incomodado. Nem uma hora durou o martírio, porque, com paciência e jeito, devolvi os bebés à "casa" onde nasceram, felizmente sem consequências graves. Tempos depois, a família estava junta nos ramos da oliveira. Decidi que não voltaria a cercear a liberdade a nenhum animal que estivesse habituado à liberdade.
Para que a gaiola de grades brancas não ficasse vazia, comprei um canário de cor amarela – um autêntico tenor pela qualidade e pujança do canto! A partir de então, esta espécie de ave canora passou a fazer parte do meu mundo de sons. Agora, são dois os cantores que tenho na sala, cada um na sua gaiola. O mais atrevido é jovem e irrequieto; nunca lhe dei nome de gente, o que não aconteceu com o "Pavarotti", que habita a gaiola do rés-do-chão – baptizado com propósito pela Acácia à saída da loja da especialidade. Meses depois, a Acácia decidiu que lá em casa dois gatos não eram, de facto, a melhor companhia para o cantor de penas, ainda que este estivesse a salvo das arremetidas dos felinos, e pediu-me para o trazer para o jardim de entrada do meu local de trabalho.
As vidas do "Pavarotti" e do seu companheiro tenor eram tranquilas, pareciam "felizes" no cativeiro e as pessoas deliciavam-se com as "cantigas ao desafio". Um dia, a Acácia veio com uma novidade afiada na ponta da língua e quebrou em estilhaços o laço de cristal Lalique que prendia os sentimentos de ambos. Nessa hora, a sorte do "Pavarotti" ficou traçada: não voltaria à varanda do terceiro andar!
Agora, canta só para mim.
O Melro, esse insiste nos saltinhos, levantou vôo e leva qualquer coisa no bico. No meio daquela selva, quem se atreve a procurar o ninho?
17 de abril de 2007
Ai coração, coração!
A minha “estória” é semelhante a tantas outras: o coração achou por bem “ir de férias”, e vai daí “alertou-me” para a necessidade de repouso conveniente.”Partidas” destas não se fazem a ninguém, quanto mais ao dono do dito músculo, que (quase) sempre o estimou, deu-lhe amores e paixões q.b. e andava, agora, com ele nas palminhas, não fosse cair na esparrela de outra paixoneta…
De fonte segura nada se sabe sobre o futuro do SAP de Oliveira do Hospital. Talvez fique tudo como está (improvável!) ou então a responsabilidade (diz-se…) do atendimento nocturno passará pela competência dos serviços da Fundação Aurélio Amaro Diniz.
Há quem argumente que o Hospital oferece valências relevantes, logo, a mudança traria benefícios à população. A ver vamos…
Seria interessante recuar no tempo e contar a história do nosso Hospital, mas deixemos isso para melhor ocasião, porque o que importa, agora, é saber qual a solução encontrada. Obviamente, nem equaciono a hipótese de ficarmos sem assistência médica durante a noite, mas se tal vier a acontecer, é certo que algumas vidas humanas ficarão perante uma situação de elevado risco, principalmente se se vierem a verificar situações de urgência sem hora marcada – como me sucedeu na noite do passado dia 30.
A minha “estória” é semelhante a tantas outras: o coração achou por bem “ir de férias”, e vai daí “alertou-me” para a necessidade de repouso conveniente.”Partidas” destas não se fazem a ninguém, quanto mais ao dono do dito músculo, que (quase) sempre o estimou, deu-lhe amores e paixões q.b. e andava, agora, com ele nas palminhas, não fosse cair na esparrela de outra paixoneta…
Vá-se lá saber porquê, cansado de me aturar, atirou-me para o Centro de Saúde de armas e bagagens. Felizmente, o SAP ainda não recebeu guia de marcha (sorte minha!), e a equipa liderada pelo Dr Herdade tratou dos primeiros cuidados com eficiência e competência. Coimbra fica logo ali, a dois passos; na prestimosa e fundamental companhia do Enfermeiro Carlos, a viagem foi “rápida” e, uma vez mais, a sorte esteve comigo: cheguei aos HUC a tempo de tratamento capaz.
Durante o trajecto, viajei pelo mundo dos sonhos fantásticos (?), em tons de cinzento; mais tarde relacionei o “filme” com algumas leituras especulativas (?), interessantes apesar de tudo, imaginação fértil, digo eu, mas devo confessar o espanto por, de um momento para outro, as dores asfixiantes no peito terem desaparecido; veio um tempo, segundos talvez, de sossego maravilhoso, e não fora o chamamento do Carlos, talvez me deixasse ficar por ali!
-Fale comigo! – disse – e abanou-me o braço!
Regressaram as dores e a sensação de sufoco. Quando dei por mim, estava deitado numa marquesa, rodeado por umas quantas pessoas vestidas com batas de cores diferentes.
Os dias que passei na Unidade dos Cuidados Intensivos Coronários foram “óptimos” – nada a dizer do tratamento vip com que fui obsequiado; porém, ficaria de mal com a minha consciência (e o meu coração…) se não trouxesse à ribalta o nome da enfermeira oliveirense Sónia Nunes pela gentileza (à sua competência profissional, e das restantes colegas, nota máxima!) das suas atenções, a lembrar-me a cada momento os “trabalhos de casa”:
- Tem de mudar de vida, descanse mais, alimente-se bem, não faça isto, não faça aquilo…
Respondia a tudo que sim, claro – quem apanha um susto destes (ai coração, coração!) só pode dizer ámen a todas as recomendações.
Entretanto, em Oliveira, o Ricardo Brito vai ao leme dos barcos de ambos com jeito e algum sacrifício: de manhã nos computadores, ao meio dia de serviço aos cafés, volta à informática, e à noite regressa ao “local do crime”, que é como quem diz, ao barzinho onde me deu a macacoa! Enorme amigo este “filhote”, que adoptei pela via do amor fraterno, vai para sete anos…
Naquele dia, se o João Paiva tivesse sido multado por excesso de velocidade, quem pagava a multa era eu - foi o João que me conduziu ao Centro de Saúde num abrir e fechar de olhos. Amigos destes, felizmente tenho mais, muitos mais, e o Ritual deve ser o único bar do mundo onde esses amigos se servem, levantam a loiça, e ainda pagam a conta!!!
A partir de agora, vou preocupar-me mais a sério com o futuro do SAP da minha cidade, não vá o diabo tecê-las e eu ter de ir às pressas para Seia ou Arganil - a sorte também se procura… quando a assistência médica está a dois passos; de outro modo, a viagem é capaz de ter só um sentido9 de abril de 2007
Morrer devagar...
Confirmo: é possível morrer de amor, embora devagar!
Foi na semana passada.
"Testemunho" que a morte (?) não tem nada de negro - só não vi a luzinha nem o túnel, fiquei-me pelo cinzento. Sem dor nem tristeza.
Não me deixaram seguir viagem...
Um dia conto mais.
Talvez...
27 de março de 2007
"Morrer de amor"
Mas também me apercebi que era válida a verdade contrária: não teria trocado por nada deste mundo as delícias do meu pesar".
Gabriel Garcia Márquez
"Memórias das minhas putas tristes"
21 de março de 2007
Fim de festa
..
Queria ver-te nua
e da alma despida
na rua,
perdida...
Em gozos celestiais,
êxtases de loucuras
e orgias de entontecer,
banais seriam as tuas graças
- desventuras talvez!
E eu, rosto enxuto,
braços cruzados,
a ver morrer aos poucos,
de vez,
a alma, o corpo,
a tua imagem,
sem coragem
de oscular em fim de festa
o pouco que de ti resta....
...
Desenhei este amontoado de palavras ainda a censura ditava leis de azul, daí que não tivesse nascido em letra de jornal - aconteceu mais tarde, e anda por aí numa colectânea, pomposamente intitulada de "Novos Poetas".
Fica na leitura de quem merece lembranças...
27 de fevereiro de 2007
"Memórias" de Gabriel Garcia Márquez
Diz o autor, sobre o avanço da idade no homem maduro, que "...as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e continuamos a ver-nos de dentro como sempre tínhamos sido, mas os outros vêem-nos por fora...".
Quem olha de "fora para dentro", de facto nem sempre se apercebe que o "interior" não é, necessariamente, o reflexo do "exterior"...
Sugiro a leitura das cento e vinte páginas desta obra magnífica.
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