19 de março de 2022

"Correio da Manhã", Contumélias e eu


A vida é feita de opções - umas boas, outras nem por isso...
O "Correio da Manhã" completa hoje mais um aniversário.
Num dia qualquer do ano da primeira edição, durante um beberete social no Hotel Sheraton, em Lisboa, o futuro chefe de redação do jornal, Mário Contumélias, honrou-me com um convite para fazer parte do corpo redatorial. Na época, era redator da revista Plateia, colaborador de outras publicações da Agência Portuguesa de Revista…e estava "a caminho" de Jerusalém para "cobrir" o Festival Eurovisão da Canção.
Eu e o Mário Contumélias, profissional prestigiado da Imprensa (além de João Carreira Bom, Francisco Máximo, Roby Amorim, José Mensurado e outras personalidades), fomos companheiros no semanário "Telex", que teve, infelizmente, vida curta.
Ao honroso convite de Contumélias disse NÃO, obrigado- tinha “em mãos” outro projeto de vida.
Como a dita é feita de opções, umas boas, outras nem por isso... optei com o "coração", que não "sabe pensar"!

7 de janeiro de 2018

O "segredo", segundo Gabriel Garcia Márquez


A senhora é de poucas falas, na verdade mal a conheço, mas sempre que nos cruzamos sorri e toma a iniciativa do cumprimento de ocasião. 
Um dia, à mesa do café, fomos mais longe nas palavras de circunstância e a senhora perguntou como ia o meu coração - calmo e sossegado graças a uma mão cheia de "pastilhas" diárias, respondi. 
Disse a senhora: 
- Como sempre o vi sorrir, ninguém diria que esteve com um "pé no outro lado"... 
Gargalhei moderadamente - nem sempre o sorriso é sinal despreocupado da melhor disposição, da melhor saúde. 
Gabriel Garcia Márquez "aconselhou-me" para nunca deixar de sorrir "(...), nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem se pode apaixonar pelo teu sorriso". 
Mais consentâneo com a (minha) realidade sigo à risca o conselho do Nobel da Literatura:
- "O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão"

*Adaptado de um texto escrito e publicado em abril de 2011

5 de janeiro de 2018

Dupond e Dupont

Por curiosidade segui  o debate   entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio na RTP. Um deles irá liderar o PSD a partir do próximo dia 13 do mês corrente, o que pouco me diz, confesso. Não sou partidário da “cor laranja”, mas gosto de estar minimamente informado  sobre o que se passa na “casa do vizinho”…
O título do jornal “I” de hoje não faz a coisa por menos e assegura que ” Santana põe Rui Rio  em KO técnico”! Nem mais - perdoe-se o exagero (?), mas respeite-se a opinião de quem a teve e tornou pública.
Do debate guardei de memória alguns remoques dos candidatos. Destaco Santana Lopes (por quem nutro alguma simpatia pelo facto de  ter ligações familiares na Beira Serra - a sua família paterna tem origens no concelho de Arganil), que me fez  sorrir quando “esclareceu”  que, afinal,   a dupla Dupond e Dupont, das aventuras de Tintim,   tinha seguidores em Portugal:  António Costa e Rui Rio! Ups…
Quando  Costa e Rio  lideraram as  Câmaras Municipais das duas principais cidades do país, a aproximação   amistosa (?) entre  ambos  fez correr alguma tinta na Imprensa e falatório à mesa do café, daí  a laracha!
Rio, no debate, foi claríssimo e disse, mais coisa menos coisa: “não devo nada ao António Costa, nem ele me deve nada a mim”!
Com “contas à moda do Porto” (cada um pagou a sua parte da despesa comum, se  existiu…) fiquei esclarecido: nada  de  desculpas, ao estilo: “é pá, deixei a carteira em casa, paga aí o cimbalino…”. 

- A que horas sai o barco?

Havendo rio e pessoas, 
falta o barco para navegar, rio acima, rio abaixo, que já ninguém quer um barco para transportar as pessoas, e as coisas das pessoas, de uma para a outra margem. 


Não havendo cais, o barco adormece preso à margem de uma das margens - aquela onde mora o barqueiro, que tem o barco pronto para a próxima viagem...

- A que horas sai o barco?
- Não tem horas nem hora - quando é preciso, sai o barco...
Não havendo cais, o barco adormece preso à margem de uma das margens - aquela onde mora o barqueiro, que tem o barco pronto para a próxima viagem...
...do João Brandão, "o terror das Beiras" (...) homem imperfeito do seu tempo, criminoso, homem cruel ou filantropo para o povo da sua região? (...), que chega na companhia dos seus, ainda o sol dorme. E o barqueiro também...
- Ó barqueiro, ó barqueiro - acorda  que quero passar.
Diz a lenda que "o terror das Beiras" (ou filantropo?), chegado à outra margem, tirou do alforge uma moeda e pagou a viagem
... e o sono do barqueiro,
... e a viagem do barqueiro para a outra margem - aquela onde mora  o barqueiro, que tem o barco pronto para a próxima viagem...
- A que horas sai o barco?
- Não tem horas nem hora - quando é preciso, sai o barco...

3 de janeiro de 2018

O homem do realejo



Enquanto esperava  o cortejo
o homem do realejo
trocava olhares misturados com sorrisos
com a boneca das pernas compridas, grandes, enormes.
Veio a turba a reboque das sardinhas assadas,
dos couratos e pasteis,
do bucho e da chanfana.
A boneca ganhou vida - cresceu em altura,
o realejo tocou,
o homem sorriu;
o povo sorriu,
o presidente sorriu – todos os presidentes sorriram,
os confrades sorriram,
o emplastro sorriu,
os homens da segurança, não.
A boneca desceu das pernas altas, o homem pousou a mão no realejo - tinha passado o cortejo!


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dezembro 08, 2015