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7 de janeiro de 2018

O "segredo", segundo Gabriel Garcia Márquez


A senhora é de poucas falas, na verdade mal a conheço, mas sempre que nos cruzamos sorri e toma a iniciativa do cumprimento de ocasião. 
Um dia, à mesa do café, fomos mais longe nas palavras de circunstância e a senhora perguntou como ia o meu coração - calmo e sossegado graças a uma mão cheia de "pastilhas" diárias, respondi. 
Disse a senhora: 
- Como sempre o vi sorrir, ninguém diria que esteve com um "pé no outro lado"... 
Gargalhei moderadamente - nem sempre o sorriso é sinal despreocupado da melhor disposição, da melhor saúde. 
Gabriel Garcia Márquez "aconselhou-me" para nunca deixar de sorrir "(...), nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem se pode apaixonar pelo teu sorriso". 
Mais consentâneo com a (minha) realidade sigo à risca o conselho do Nobel da Literatura:
- "O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão"

*Adaptado de um texto escrito e publicado em abril de 2011

3 de janeiro de 2018

O realejo



Enquanto esperava  o cortejo
o homem do realejo
trocava olhares e sorrisos
com a boneca das pernas compridas, 
grandes, enormes.
Veio a turba a reboque das sardinhas assadas,
dos couratos e pasteis,
do bucho e da chanfana.
A boneca ganhou vida - cresceu em altura,
o realejo tocou,
o homem sorriu;
o povo sorriu,
o presidente sorriu 
- todos os presidentes sorriram -
os confrades sorriram,
o emplastro sorriu,
os homens da segurança, não.
A boneca desceu das pernas altas, 
o homem pousou a mão no realejo 
- tinha passado o cortejo!

(Memórias da  visita  de Cavaco Silva, presidente, a Arganil)