Mostrar mensagens com a etiqueta ESTÓRIAS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ESTÓRIAS. Mostrar todas as mensagens

10 de agosto de 2024

..."a alma daquele lugar! "

 

Carlos (Vilaça) Ramos - quem (é) era?

Estória de trazer por casa” da Rita e do Tiago e outras personagens (com a devida vénia e a (minha) autoestima “em alta”!) 

Era um encontro de amigos, um  disse  que tinha estudado na ESTGOH ( Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital) e eu perguntei -lhe  se frequentava o Ritual  - respondeu de imediato: 

- " Claro,  o Ritual… o Senhor Carlos Vilaça Ramos!!! Aquele Senhor era espetacular, ofereceu me um livro (…)" -  e continuou   a relatar as suas memórias, sem  me deixar  dizer  que és o meu pai!!

Quando viemos embora,   disse o Tiago:

-“É tão engraçado… quando encontramos alguém que frequentava o bar do teu Pai as pessoas não falam do café ou do bar, ou da decoração, falam sempre dele e de como ele é especial, ou seja o teu pai era a alma daquele lugar! "

 

 

30 de dezembro de 2017

RiTuAL BAR - além de "copos", servia outros pretextos (...)



Recordar os tempos do RiTuAL BAR é um exercício dolorido.
Pela via do pensamento, quase sempre "sofro calado" memórias das noites que, na época, a cidade de Oliveira do Hospital desfrutava com prazer. O grupo dos habitués, só por si, fez do RiTuAl uma referência regional.
A assunção pública de determinada postura filosófica, renascida a "Oriente de Coja", trouxe ao espaço figuras ilustres da cultura que, de forma direta, ou não, patrocinaram noites inesquecíveis - da música à poesia, da pintura às letras, dos debates cívicos às tertúlias mais comezinhas.
As imagens que trago à primeira página deste RiTuAl fazem parte de mim, apaixonado como eu era pelas pessoas com quem partilhei as alegrias desses momentos.
O RiTuAl BAR, além de "copos", servia outros pretextos para dois dedos de conversa...
-
Texto publicado em novembro de 2012

21 de outubro de 2011

Já se vai embora?

A tia Deolinda (por parte da minha ex mulher) era uma senhora de uma gentileza sublime; tinha sentido de humor e até os queixumes sobre a sua avançada idade vinham envolvidos em sorrisos. Teria sido uma pessoa divertida e alegre na mocidade e, por razões que nunca questionei, não chegou a constituir família.
Durante os anos em que privámos, sobretudo durante as visitas de cortesia, recebia com um certo requinte: chá, café e bolinhos servidos em louça ”de marca”, toalhas bordadas à mão, mas o melhor de tudo eram as conversas sobre as suas memórias…
Não sendo senhora de frequência diária, sempre que podia assistia à Missa de domingo. Um dia – contava a tia Deolinda - estava tão absorvida nos seus pensamentos que não deu conta que se aproximava o momento da saudação. De repente, a pessoa que estava a seu lado, cumprimentou-a com um aperto de mão e ela, sem saber muito bem que dizer, possivelmente a pensar nas despedidas, continuou, como sempre, a ser gentil e fina no trato com palavras de circunstância, enquanto mantinha a mão que lhe era estendida apertada na sua:
 - Já se vai embora? Fique mais um bocadinho…
“Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto” – terei feito o mesmo, mas a estória da tia Deolinda é verdadeira e faz sorrir, o que, nos dias de agora, dá um certo jeito… por ser de borla.

22 de junho de 2007

Como se fossem dois adolescentes

A meio da tarde, no bar, havia mesas livres; o casal entrou, escolheu uma delas, olharam os dois em redor e, já instalados, pediram que lhe servisse duas bebidas.

Os olhares perdiam-se pelas paredes, onde estavam exposta pinturas do Wild de Wildt, Rui Monteiro e Alberto Péssimo; a. música ambiente aconchegava o sossego do momento e o tom das suas vozes era suave.

Tocou um telemóvel, a senhora atendeu, levantou apenas um pouco a voz e falou em francês, expedita, de forma alegre. Repetiu por três vezes merci, e continuou, veloz, na articulação das palavras – sinal de que, para si, a língua de Nicolas Sarkozy lhe era familiar…

O cavalheiro, entretanto, inquire sobre o espaço: é público, não? Respondo afirmativamente. Sabe, acrescenta, como tem um estilo completamente diferente do habitual, a minha esposa deduziu que fosse um “clube privado”. Em traços largos, explico que o comércio das bebidas era um pretexto para algumas actividades culturais - a exposição que tinham à sua frente era um exemplo disso mesmo.

Terminada a conversa, foi a vez da senhora parabenizar os autores das obras expostas e quem tivera o arrojo de colocar de pé o espaço como se apresenta.

Agradeci a generosidade do que foi dito.

Pergunto se estão de férias por estas paragens. Responde a senhora: de férias já estamos há imenso tempo, somos reformados, e viemos de Leiria passar uns dias a esta região, que desconhecíamos em absoluto, pernoitamos na Pousada do Convento do Desagravo e durante o dia damos uns passeios por aí. É muito lindo, tudo aqui à volta, a serra, tudo!

O encantamento do olhar, transmitia alegria, satisfação, prazer, felicidade na forma mais pura – que sei eu desse sublime sentimento?

Sempre de sorriso nos lábios, desenhados num rosto de enorme beleza, disse ao que vieram em concreto, desvendou o segredo, enquanto o marido, talvez um pouco envergonhado, olhava terno e meigo a “jovem” e bonita esposa: faço hoje oitenta anos, e o meu marido presenteou-me com este magnífico passeio.

Oitenta?

Não, não imaginava aquela figura esbelta, meã na altura e aspecto prazenteiro com uma mão cheia de “viçosas primaveras”, muito próxima do centenário que, acrescentei, por certo irá comemorar…

Pedi licença por breves segundos, saí, fui à florista Clara, logo na esquina, comprei uma rosa (que não paguei, por que a Clara conhece de longe o meu “vício” por flores e partilha comigo a sensibilidade do belo, e volta não volta tem destas delicadezas…), e com o meu melhor sorriso ofereci-a à bonita senhora – apenas uma lembrança com que procurei honrar o seu aniversário e o amor do casal

…Fiquei com a sensação de que a rosa vermelha “ganhou vida própria” e um “rosto” – “um dos olhinhos sorriu, atirou-me uma piscadela” e eu fiquei a ver o casal, de mão dada, rua acima, como se fossem dois adolescentes apaixonados.

21 de fevereiro de 2007

Vento na "terra do nunca"

.'.
Longe vão os tempos das grandes descobertas marítimas; bem andaram as majestades reais com os empenhos e engenhos guerreiros que se conhecem, a par de outros interesses religiosos e profanos.
Das riquezas de que se sabia, vieram cheios os porões das naus e caravelas; das outras (riquezas), a colheita justificou os martírios de marinheiros e soldados, Dominicanos, Jesuítas e outra gente de Deus. Mais bélicos, os galeões, ao sabor de ventos e correntes, faziam da força bruta a sua raça indomável, mas nem por isso tinham melhor sorte, e a sua altivez de contratorpedeiros de pouco lhes valia, perante as forças da Natureza, e iam ao fundo com a mesma desgraça dos seus congéneres cargueiros de bens e pessoas;
O panorama desses tempos, no arrojo do Homem, tem hossanas de poetas. É por via da escrita que conhecemos os feitos de glória com que se cobriam os viajantes nas suas lutas contra hábitos e costumes de outras origens - nas guerras com os gentios, "falavam" mais alto e mais forte as "vozes" das escopetas e fuzis do homem branco.Houvesse ou não ventos de feição, os navios sempre se fizeram ao largo.
O mar tem as suas marés, e as ondas, ainda que encapeladas, não eram obstáculo para quem se dispunha a entrar na História pela associação da inteligência, coragem, esperteza, e sabedoria empírica ou não. Os tempos mudaram, as pessoas também – só o mar e o vento continuam sendo mar e vento, proporcionando ao Homem as mesmas benesses de que nos continuamos a servir "gratuitamente"e em maior escala, porque estamos cada vez mais "espertos"e de inteligência refinada pelo conhecimento cientifico que espanta, tal a evolução das descobertas, como outrora…
Da água do mar, retira-se o sal e serve-se o líquido a contento das sementes que germinam na terra. Das marés, aproveita-se o vai e vem das águas para gerar energia. O vento é o ar em movimento que soprou as velas dos barcos de outros séculos e, agora, faz mover gigantescas hélices que, por sua vez, geram energia. Aos povos que têm a desdita de viver longe dos oceanos, fica-lhes reservada a felicidade de subir mais alto e olhar o mundo lá de cima, com o vento a enrolar-se mansamente à nossa volta, ou asfixiando-nos, como uma anaconda.
Infelizmente, a região do "meu" Concelho é quase plana; sem montes que mereçam a honra de montanhas, não temos altura nem estatura para tocar as nuvens, por isso, o vento que sopra sei lá de que banda, não traz a força suficiente para fazer rodar de forma constante aquelas três enormes pás que se vão desenhando um pouco pelas serras aqui à volta – do Açor à Estrela.
Ventos sem qualidade, pelo que li, é o que temos cá por baixo, nos arrabaldes, logo, a riqueza de ventos de feição não nos calhou em sorte – conclusão simples e sherlockiana. Sem a possibilidade de, pelo menos, um parque eólico que nos honre a estima, envaideça o ego e alimente o erário público, longe do mar e das marés, sem petróleo ou gás no subsolo (que se saiba!), só resta a barragem da mini - hídrica de Avô para nos tirar da pobreza franciscana, no que à energia eléctrica diz respeito… É pouco.
Perante factos, vou deixar de dizer aos amigos de longe que vivo na serra do Peter Pan e afiançar-lhe que moro na Terra do Nunca, onde o vento pouco ruge. O diabrete Capitão Gancho, esse continua, mauzinho, arrogante, inconveniente e …pirata! Quanto ao Sininho… plimmmmmm!