No panorama cultural e social de Oliveira do Hospital, poucos espaços deixaram uma marca tão eclética como o RiTuAL Bar. Mais do que um local de lazer, o estabelecimento afirmou-se, especialmente entre 2005 e 2007, como um palco privilegiado para o debate democrático e a expressão artística espontânea.
O Fervor das Presidenciais de 2006
O ano de 2006, marcado por uma das corridas presidenciais mais disputadas da história recente, que opôs figuras como Cavaco Silva, Manuel Alegre e Mário Soares — encontrou no RiTuAL um eco local. No dia 6 de janeiro desse ano, o bar serviu de sede para uma tertúlia dedicada à "Cidadania", inserida na campanha de Manuel Alegre.
O debate, que contou com as presenças de Elísio Estanque, José Gama e Pedro Bandeira, antecipou o clima eleitoral que levaria Manuel Alegre ao segundo lugar nas urnas, atrás de Cavaco Silva.
O ano de 2026, entretanto, suplantou todas as expectativas: 11 candidatos "baralham as contas" aos eleitores.
Debate Social e Intervenção
A vocação do espaço para a intervenção cívica não se esgotou na política partidária. Em fevereiro de 2007, o RiTuAL acolheu um debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, um tema que então dominava a agenda nacional. O evento, organizado pelo Movimento de Intervenção e Cidadania por Coimbra, foi moderado pelo jornalista Henrique Barreto e reuniu especialistas como as Dras. Alice Castro e Margarida Bandeira. além do Dr. Pedro Bandeira.
"Música Vadia" e Erotismo na Poesia
Para além da política, o RiTuAL era um refúgio para as artes. A sua filosofia incluía exposições regulares de pintura e artesanato, mas era na palavra dita e no som que o espaço ganhava uma alma única:
Sessões de Poesia: Momentos marcantes como o serão dedicado ao “Erotismo na Poesia”, onde vozes como as de José Vieira , Álvaro Assunção e João Dinis reabilitaram clássicos de Bocage, Natália Correia e de outros autores
Música ao Vivo: Entre concertos programados e divulgados à comunidade, surgia a chamada “música vadia” — sessões improvisadas que, sem dia nem hora marcada, aconteciam simplesmente, ao sabor da presença de músicos e clientes.
Como refere a memória viva do espaço, o RiTuAL Bar servia "copos", mas o seu verdadeiro serviço à comunidade eram os "pretextos para dois dedos de conversa em ambiente a condizer", mantendo viva a chama da convivência democrática.
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