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11 de março de 2024

Portugal… é “esperar para ver”




Qualquer cidadão português de “bons costumes”, com preocupações socias quanto baste, não pode ficar indiferente aos resultados eleitorais de ontem, domingo.
Sou, assumidamente, um eleitor social-democrata, corrente política com uma conceção de centro-esquerda.
Fiel aos valores que estiveram na base da Revolução de Abril, pacifista por natureza, não é – nunca foi! – do meu agrado todo e qualquer movimento extremista, venha ele de onde vier. Falo de política partidária…
De ontem para hoje, a leitura destas eleições, feita por entendidos na matéria, anuncia maus ventos para o país que somos. Possivelmente, Portugal pode estar à beira de se assemelhar à Itália que, durante largo tempo, mudou de governo como quem muda de camisa.
A Itália, oitava maior economia do mundo e a quarta maior da Europa em termos de PIB nominal, “aguentou-se” durante o descalabro político…
Portugal… é “esperar para ver”.
…Talvez em novembro do ano em curso possamos recordar a “Crónica de uma Morte Anunciada”, de Gabriel García Márquez. A história (verídica) do romance é outra, mas o título parece-me sugestivo para o associar, com a devida vénia, à depressão política que estará para chegar, com epicentro no Palácio de Belém.
- “Honi soit qui mal y pense”.

CR


19 de março de 2022

"Correio da Manhã", Contumélias e eu


A vida é feita de opções - umas boas, outras nem por isso...
O "Correio da Manhã" completa hoje mais um aniversário.
Num dia qualquer do ano da primeira edição, durante um beberete social no Hotel Sheraton, em Lisboa, o futuro chefe de redação do jornal, Mário Contumélias, honrou-me com um convite para fazer parte do corpo redatorial. Na época, era redator da revista Plateia, colaborador de outras publicações da Agência Portuguesa de Revista…e estava "a caminho" de Jerusalém para "cobrir" o Festival Eurovisão da Canção.
Eu e o Mário Contumélias, profissional prestigiado da Imprensa (além de João Carreira Bom, Francisco Máximo, Roby Amorim, José Mensurado e outras personalidades), fomos companheiros no semanário "Telex", que teve, infelizmente, vida curta.
Ao honroso convite de Contumélias disse NÃO, obrigado - tinha “em mãos” outro projeto de vida.


1 de janeiro de 2018

Imani Nsambe e eu

Quando o sino da torre da igreja do meu sitio anunciou a meia-noite,  e meia dúzia de foguetes poluíram o silêncio, é que dei conta do falecimento do ano velho. Trau, trau, trau - pum! É esta a fala dos foguetes, dos baratinhos, sem “lágrimas coloridas”.
Bolo rei, passas e “champanhe”, abraços e beijinhos, sorrisos e votos de bom ano. Na casa do meu amigo Armando a mesa estava posta - perto da lareira é que se estava bem...
- Vai à nossa e das nossas famílias, chim, chim – tocam-se os copos com a “Raposeira” a borbulhar. 
De regresso a casa “aconcheguei-me nos braços da Imani Nsambe ”, (…) uma jovem negra que estudou numa missão católica (…), na esperança de “dois dedos de conversa” - impossível, o telefone não permitia tais mimos, há sempre retardatários, amigos e familiares: bom ano, bom ano, com saúde, digo eu, que é o que mais desejo - a ver se me faço anunciar em dezembro, daqui a um ano…
Já tarde, em sossego, aproximei-me  novamente  da Imani Nsambe e aí fiquei,  as "minhas mãos nas mãos de Imani Nsambe".
Estou a meio da leitura do romance histórico escrito pelo meu amigo Mia Couto, “O Bebedor de Horizontes”. Foi ele, o autor, que me apresentou Imani Nsambe, a narradora dos (…) trágicos acontecimentos do final do reinado de Gaza (…).
Mia Couto “enfeitiça” o leitor com as palavras que escolhe para contar estórias e realça a história do seu (e meu!) povo com a autenticidade dos pormenores recolhidos em múltiplas fontes. A trilogia “As Areias do Imperador”, que termina com “O Bebedor de Horizontes”, é o melhor testemunho do que me vai no pensamento sobre as lendas que escutei aqui e ali, em terras de Inhambane, mais tarde em Gaza, sobre Gungunhana, o rei.
Possivelmente Imani Nsambe é figura de conveniência no romance - que importa? Hoje foi o mote para esta croniqueta de “trazer por casa” depois de um festim com espumante, “sonhos”, “fatias douradas”, “arroz doce” e, a abrir, camarões de Moçambique, possivelmente pescados nas águas de Morrumbene, a norte de Inhambane.
Bayete, Imani Nsambe!
___

Vale a pena ler "AS MULHERES DO GUNGUNHANA":

https://delagoabayword.files.wordpress.com/2011/01/as-mulheres-de-gungunhana-maria_vilhena_p407-415.pdf

12 de maio de 2012

Miradouro da "esperança"

Vou puxar a brasa à minha sardinha, com vossa licença…
Inaugurado em 1992 pelo então Secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Amaro, o “Miradouro da Esperança” continua a desempenhar a missão para que foi construído: suster uma inestética barreira, sita na rua principal do meu sítio. Como lhe acrescentaram um passadiço com proteção física, mais ou menos a três quartos da altura, batizaram- no de mirante, sinal de que dali se descortina horizonte suficiente para saciar a vista, o que não corresponde à verdade. Digamos que tem as “vistas curtas” para o outro lado da rua, para cima, para baixo e para o alto…
Nunca questionei os autores da ideia sobre o pomposo título; os senhores desse tempo, no meu sítio, lá saberão da sua importância nacional, a ponto de merecer a honra presencial de um membro do Governo na hora de cortar a fita. Adiante – importa a obra que alindou o espaço, e o resto pertence às manigâncias político-partidárias –, nada a acrescentar perante a evidência da pompa e circunstância da inauguração, a que associo um pouco da “Procissão” de António Lopes Ribeiro, poema magistralmente interpretado por João Villaret:: “…Na nossa aldeia, que Deus a proteja, já passou a procissão…”!
Nesse recuado ano, os anseios de alguns dos meus conterrâneos manifestaram-se através da construção de um paredão e do vocábulo esperança! Certamente profetizaram renovado futuro, e nada melhor do que a rigidez do betão para exprimirem, simbolicamente, sentimentos e desejos legítimos. Infelizmente, a aldeia desertifica-se de ano para ano e não se adivinham tempos de fartura. Essa “esperança” evaporou-se…
Por cá, no meu sítio, há casas reconstruídas por quem se apaixonou pela terra, e muitas, imensas casas decrépitas – retrato em sépia de uma realidade confrangedora. O “meu” rio, que agora transborda, no estio abandona-se no leito, mal se espreguiça, e deixou de ser a grande atração turística pela ausência de caudal capaz de arrastar toda a espécie de porcaria para bem longe das margens. Junta-se ao Mondego perto de Penacova e perde a identidade a caminho do mar. Hoje fui visitá-lo de perto – assusta o turbilhão das águas revoltas.
No “coração” da aldeia, a última filial dos Grandes Armazéns do Chiado morre devagar, e o mesmo acontece ao palacete da família Nunes dos Santos, fundadores dos célebres armazéns, consumidos pelo fogo em 1988.
E pronto, disse, basta por hoje, mas continuo pensativo e insisto na dúvida: sempre gostaria de saber se alguém já lobrigou do “miradouro” algum tipo de esperança….
(Adaptado da croniqueta com o mesmo título, publicada no "Correio da Beira Serra"  em Fevereiro de 2009)



12 de fevereiro de 2012

A voz do bispo

D. Januário Torgal, bispo das Forças Armadas, veio acentuar o descontentamento da tropa, o que me parece lógico neste tempo de  cortes e cintos apertados.
A família militar tem (mais) uma voz a abanar as consciências dos políticos, mas o povo não acredita  numa revolução, muito menos numa "guerra" entre as partes, governo e soldados, sem tiros, talvez com cravos, e, se for assim, basta um "golpe de estado", como aconteceu em abril de 1974, para lavar as afrontas de agora: "em casa onde não há pão..."

18 de dezembro de 2011

"Honi soit qui mal y pense"

                                  Imagem retirada do blog 
          "O sítio dos desenhos",com a devida vénia

O Primeiro Ministro, simpático e altruísta, sugeriu aos professores desempregados uma solução que nada tem de inédita, por isso não admira que, mais cedo ou mais tarde, os docentes demandem o Brasil ou iniciem uma aventura num local remoto dos países de África onde o português é língua oficial.
O "tuga" sempre procurou outras paragens em busca da fortuna. Por norma, o nosso emigrante, assimila com facilidade os hábitos e costumes dos outros povos, e se a vida lhe corre de feição fica no país adoptivo por longo tempo. A “proposta”, de facto, não tem nada de extraordinário – ou terá?
Segundos os Censos, somos" muitos": 10.555.853! É preciso cortar, reduzir, eliminar!
- Para os mais velhos, o Serviço Nacional de Saúde “dá” uma ajuda!
- Para os excedentários na plenitude das suas forças, o Ministro dos Negócios Estrangeiros certamente “dará” um empurrão!
Passos Coelho não sabe o que o futuro lhe reserva, talvez se mantenha no poder por meio século, ou emigre, como fez o seu antecessor e outros de ”boa memória” (António Guterres e José Manuel Barroso).
Marcelo Caetano “também emigrou” para o Brasil…

16 de dezembro de 2011

Como pagar a dívida rapidamente

Li a intervenção do deputado socialista Pedro Nuno Santos durante um jantar e, confesso, fiquei perplexo com o uso de alguns termos linguísticos, quase sempre ditos no aconchego de uma “conversa em família” e não assim, aos microfones, e perante largas dezenas de pessoas, simpatizantes ou não do Partido Socialista. Depois, voltei à leitura da mesma matéria num outro jornal, onde a introdução do artigo fez alguma luz sobre o estar, ou não, “de joelhos” perante os senhores que nos emprestaram mãos cheias de“trocados”, que havemos de devolver com juros altos, claro…
O deputado Pedro pode ter sido “bruto” e politicamente incorrecto, mas provou que não é tolo; por certo os seus argumentos estavam “pesados” e pensados, atravessados no gorgomilo, e o momento foi o que considerou ideal para entrar no compêndio das estórias das coisas simples, isto é, “marimbou-se” em cuidar das palavras, foi direito ao assunto, como a gente do povo faz quando entende que tem a razão do seu lado, como agora.
Outro texto sobre o mesmo tema tem a assinatura de Daniel de Oliveira e está na página on line do Expresso (http://aeiou.expresso.pt/-escandalo-um-deputado-nao-esta-de-joelhos=f694701). Vale a pena ler – eu li e gostei!
Para remate de croniqueta sem pretensões, como ando “feliz da vida”, adianto uma ideia libertina, que o Governo pode aproveitar como sua: que tal vender o país a retalho? Querem melhor solução para liquidar rapidamente o empréstimo da troika?
Faço anúncio, desde já, que sou legítimo proprietário de uma parcela de terreno com bons acessos; precisava rentabilizar “aquilo” – vendo a pronto!

5 de novembro de 2011

Sala de memórias

sonho com uma "sala de memórias" (o nome tem a chancela do dr. Nuno Mata) no edifício da antiga escola primária do meu sítio.

Sou  avesso à exposição de alfaias agrícolas  e outros objetos enquanto regra, como se o passado estivesse  reduzido ao trabalho rural, de sol a sol. Todas as aldeias, como a minha, têm uma História que não pode ser contada apenas e só pela visão de um arado, de um ferro de engomar, de um prato recuperado com  agrafos (chamavam-lhe "gatos"!), de um alcatruz, etc, etc - podia continuar a citar objetos  usados pelos nossos antepassados, trazendo à memória um pouco da minha infância ,repartida pela aldeia e umas quantas visitas a Almada, onde  tinha familiares.
O sonho ocupa-me a mente quando  recortes da "Comarca de Arganil" - com a bonita idade  de um século! - ou imagens como a que escolhi para ilustrar esta  croniqueta, chegam às minhas mãos.  
- "Lavadeiras" -  chamo-lhe assim porque a  fotografia retrata a ocupação de algumas mulheres durante determinado período do verão, quando os "senhores do Chiado"  vinham passar férias ao palacete da família Nunes dos Santos. Acrescento: os fundadores dos Grandes  Armazéns do Chiado, de boa memória, eram naturais daqui, do Barril de Alva, uma aldeia maneirinha nos seus 3,3 kms, bem servida de acessos e de outros pequenos "luxos", que se orgulha do "seu" rio Alva  e de algumas das pessoas  que por cá ergueram obra de relevo, a vários níveis, tendo em vista o bem estar do povo.
Na imagem, salta à vista uma roda de alcatruzes que, durante o estio, alimentava as várzeas através de levadas com a água a transbordar. No concelho de Arganil havia dezenas destes engenhos - hoje, no meu sítio,  existe um, decrépito, triste, sem uso, mas bonito como cenário. Talvez lhe deem vida na próxima primavera...
É bom de ver que o  meu sonho passa por trazer para a sala de memórias documentos  onde possamos (re) descobrir as nossas origens e "conviver" com os nossos antepassados.

Isto hoje “deu para o torto”

Bolas, estou sem ideias “brilhantes” para um texto.
Comecei por escrever sobre o provável - é quase certo! - casamento da minha freguesia com a vizinha do lado, porque não reúne os requisitos do “Documento Verde” para manter o estatuto que lhe foi concedido pelo Estado há oitenta e oito anos; desisti e avancei nas teclas com outro tema, voltei atrás e fiz “delete”, e agora vejo-me perante a teimosia da minha mente, “ vá, continua, não desistas”, eu a tentar explicar-lhe que estou “vazio” de ideias, ou por outra: ideias, tenho, mas nenhuma delas é flor que se cheire – alguém estará interessado na leitura de uma das minhas raivinhas? Não creio…
Imaginem esta situação absurda de me sentir com “cara de parvo”, a olhar para o ecrã do “Asus” como quem olha para um espelho; não tenho o retorno da imagem, e isso que importa? Importante é como me entendo, ou não, com as palavras.
Passa da meia-noite, é preferível ficar por aqui – isto hoje “deu para o torto”!

2 de novembro de 2011

O Francisco joga à bola, é capaz de se "safar"...



"O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, defende que os jovens que se encontrem no desemprego devem “sair da zona de conforto” e partir “além fronteiras”.


"A notícia veio assim mesmo, do nada, do invisível das coisas boas, gentis, simpáticas, e eu deixei-me ficar em sossego mas pensativo sobre o rumo que a família há-de tomar nas vésperas de uma capicua de primaveras, que espero festejar em breve com meio quartilho ao almoço.


O assunto “não tem a haver comigo”, estou distante da juventude, mas tenho filhos e netos, os primeiros “já encaminhados”, como se diz por aqui, e as crianças nos bancos da escola dos "mais pequenos" (excepto o Gonçalo, que já é "grande" e está numa "escola dos grandes", na Universidade...).


Tenho para mim que o senhor Miguel Mestre conhece mal a História; de outro modo, lembrar-se-ia que as “nossas” províncias ultramarinas foram entregues aos seus proprietários logo a seguir à “Revolução dos Cravos”. Portanto, a antiga África portuguesa não pode ser o destino à escala dos milhares; a maior parte dos países da Europa estão pelas ruas da amargura, a América do Norte também, e mais para o Sul não se pode embarcar sem “mais nem menos”.Talvez as arábias, mas não é aconselhável…


Obviamente, há mais destinos a levar em conta se os meus filhos (e netos) tomarem a decisão de seguir os sábios e altruístas conselhos do senhor Mestre, a quem compete DIZER de viva voz onde estão as portas escancaradas para outra “zona de conforto” (“zona de conforto” é uma frase bonita e “confortável”, como se fosse um sofá dos Aquinos…)!


Pensando bem, de todos os meus netos, o Francisco, pequenote e reguila, como convém, é “capaz de se safar”: joga à bola, é guarda-redes. Desde que “assine” pelo Real Madrid, nunca se sabe…".

_




P.S.

Agora, a "sério": o tema é insosso para o meu lado - nenhum dos meus está no desemprego, à excepção da Rita, que vai agora à Finlândia apresentar o seu artesanato enquanto o seu "mais que tudo", o Rui, como DJ,, "passa música".

A croniqueta vai com dedicatória para a malta da "geração rasca", que bem precisa de "portas escancaradas"...

31 de outubro de 2011

"Um líder não se faz: já nasce feito"



O dia de domingo foi atarefado, a ponto de me perder nas horas do jantar; verdade seja dita que a culpa vai para o ritual da mudança da hora. Posso, ainda, endereçar uma parte da culpa para a conversa animada que mantive com amigos ao fim da tarde sobre um tema que há pouco foi superiormente esmiuçado pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, quando se referiu às questões que o Governo tem entre mãos, como o Orçamento, que vê a sua discussão adiada.


Argumentava o professor que os membros do Governo, a começar pelo primeiro-ministro, têm de ser transparentes - digo eu: nas palavras e nos actos. De transparência se falou, também, durante a conversa de amigos esta tarde.


O associativismo, aqui no meu sítio e arredores, tem carência de lideranças capazes de levar a “bom porto” algumas instituições - do desporto à cultura, há um vazio de pessoas válidas que não pode deixar de preocupar quem tem memórias vivas de um passado recente. Entende-se não ser apelativo “dar o corpo ao manifesto”, oferecendo tempo e dinheiro em troca de quase nada, melhor: recebendo como reconhecimento do seu esforço e dedicação, desconfianças e palavras amargas. É por isso que (quase) ninguém aceita liderar um grupo, assumindo a gestão de algumas colectividades, que correm o risco de fechar portas por falta de “carolas”. Naturalmente, há excepções, algumas credíveis, outras nem por isso… por falta de transparência, até na assunção da ausência das próprias limitações, intelectuais e/ou outras.


Escreve um famoso psicólogo: “…é comum dizer-se que um líder não se faz: já nasce feito!...” Tenho as minhas dúvidas...

25 de outubro de 2011

O “vermelho” quase não se nota, mas existe

O meu sítio e o meu concelho, em termos políticos, é maioritariamente “laranja”, um pouco “rosa”, uma pitada de “azul”, e o “vermelho” quase não se nota, mas existe.
Perante este cenário, as grandes acções partidárias, obviamente têm o peso que a força da simpatia lhes confere, sobretudo nos comícios (e “bebícios”!) em tempo de eleições, sejam elas quais forem. Fora isso, raramente os partidos políticos vêm para a rua falar às massas; as excepções, quando existem, quase nunca são consideradas relevantes.
Este tempo de múltiplas crises é o “campo de batalha” para, pelo menos, um partido não deixar esmorecer os seus princípios filosóficos; alguns dos seus destacados militantes desdobravam-se em sessões de esclarecimento, assiste quem quer, com ou sem aplausos, mas por maior que seja a distracção de quem se faz presente, há sempre uma frase do orador, uma ideia, talvez um argumento a reter...
O Partido Comunista Português é o exemplo puro do que ficou dito mais atrás…
Depois de largos anos de ausência das festas políticas que não sejam bastante “rosa”, este fim de semana, no sábado, durante o almoço do aniversário de uma instituição social e cultural, usou da palavra o ex candidato às últimas eleições presidenciais e deputado com assento na Assembleia da República, Francisco Lopes. Sendo natural “daqui perto”, de Vinhó, a sua presença foi entendida como ilustre, e não teve qualquer cariz político, embora a situação do país estivesse presente no discurso, como era esperado. Francisco Lopes “entregou a carta a Garcia” sem ser “chato” com as palavras acertadas, foi atentamente escutado e recebeu palmas.
Domingo, agora no meu sítio, durante a tarde, com a chuva por perto, durante um convívio no “parque de merendas” o deputado Bernardino Soares, líder de bancada do PCP, foi brilhante na sua intervenção, objectivamente partidária - todos sabíamos ao que íamos e daí não “veio mal ao mundo”, bem pelo contrário…
O convívio merendeiro, seguido de um magusto, juntou largas dezenas de pessoas com “alma de poeta”, isto é: creio que os seguidores do PCP, sobretudo os mais velhos na militância, continuam fiéis às ideias do antigo e carismático líder que foi Álvaro Cunhal…
Os tempos mudaram (ou não?...), mas como tenho um fraquinho pela melodia do refrão do hino “Avante Camarada”, entrei no coro…

23 de outubro de 2011

“Não sendo nada por aí além”, é uma boa notícia

1.-Para aliviar as chatices das responsabilidades de quem desempenha funções públicas, nada melhor do que uma pantagruélica refeição de euros ao fim do mês, o que é mais do que justo. Se assim não fosse, as grandes inteligências do país simplesmente procurariam outras paragens com a mesma ementa dos banquetes democráticos; felizmente, não é o caso da senhora Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que continua por cá e não esconde do povo as "iguarias" que, anualmente, lhe servem de sustento - qualquer coisa como 146.784,82 euros!


2.-Podem dizer… “é pá, isso é uma pipa de massa!”, mas para quem tem o dever de zelar pela ordem na Casa da Democracia, além de outros afazeres, como sorrir, enfim, até nem é nada de “muito”…


Acontece, simplesmente, que este valor, “não sendo nada por aí além” quando comparado com a “folha do salário” de alguns príncipes do pontapé na bola, políticos de falas mansas e meia dúzia de cantores “pimba”, é a soma do que lhe é devido segundo as leis de um país com dificuldades económicas e financeiras. Portanto, nada de ilegalidades…


3.-Entretanto, o Presidente da República entendeu criticar as opções do Governo, o Primeiro-ministro, ficou estupefacto com esta “intromissão” mas achou por bem não responder ao Chefe Supremo das Forças Armadas; por outro lado, um dos capitães de Abril, para lembrar as (suas) virtudes revolucionárias, foi dizendo que o país tem uma “revolução nos braços”, e os seus camaradas de armas, no activo, marcaram um “passeio” reivindicativo para o dia 12 de Novembro. Tudo normal - democraticamente normal!


4.-“Não sendo nada por aí além”, quando comparado com o que se passa em alguns países, estes sinais não podem deixar de nos apoquentar e são bem mais graves (digo eu…) do que o tema do novo livro do “ meu conterrâneo” José Rodrigues dos Santos. Vir agora, em plena crise, afiançar que Jesus Cristo não era cristão, que tinha uma catrefa de irmãos, além de acrescentar mais umas quantas “verdades”, segundo ele, é o melhor que nos podia acontecer – passamos a discutir a obra literária e esquecemos o défice!


5.-Depois desta “boa notícia”, caros leitores (as), ainda estão (muito) interessados (as) nas contas da segunda Figura de Portugal? Então, leiam o que anda por ai à solta:





“Assunção Esteves, a actual Presidente da Assembleia da República reformou-se aos 42 anos, com a pensão mensal (14 vezes ano) de € 2.315,51. Fica o Diário da República de 30/07/1998 para vossa informação. Para que saibam ainda, a Senhora Assunção Esteves recebe ainda de vencimento mensal (14 vezes anos) € 5.799,05 e de ajudas de custas mensal (14 vezes ano) € 2.370,07. Aufere, portanto, a quantia anual de € 146.784,82. Ou seja, recebe do erário público, a remuneração média mensal de € 12.232,07 (Doze mil, duzentos e trinta e dois euros, sete cêntimos). Relembramos que também tem direito a uma viatura oficial BMW a tempo inteiro!"

19 de outubro de 2011

Ritualidades II

"...pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma estratégia maquiavélica ..."

O Orçamento apresentado pelo Governo tem sido dissecado até à medula - haverá qualquer coisa mais para esmiuçar? Duvido…
A informação, boa e má, que a Comunicação Social despeja na nossa corrente tem sentido e é eficaz porque acicata os medos e acelera a tensão arterial; pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma "estratégia maquiavélica", com a finalidade de apressar o passamento de milhares de cidadãos; a acontecer, imagine-se o jeito que dava ao actual Governo deixar de contar no activo com reformados a longo prazo, funcionários públicos desesperados, jovens “ à rasca”, desempregados, poetas e sonhadores, artistas e outros domadores da arte do perigo, como os funâmbulos – afinal, somos todos equilibristas a caminhar na corda bamba! – e gente sem profissão definida, os “desenrasca”, especialidade muito nossa pela força das circunstâncias  geracionais…
Deixo para os especialistas as contas – todas as contas, das mais simples às mais complexas. Perante a evidência dos resultados, o ministro das finanças era capaz de sorrir e acelerar o discurso de ocasião…

18 de outubro de 2011

Ritualidades

Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem

Acordar, abrir a janela por onde o sol entra (quando brilha!) sem pedir licença, lavar a cara e pentear os cabelos desgrenhados, tomar o pequeno-almoço, voltar ao quarto, ligar o portátil, ler as notícias de primeira página, retocar as leituras mais próximas da minha sensibilidade - um ritual que não dispenso pela manhã, quer a noite tenha sido bem ou mal dormida. Para alguns, começar o dia desta maneira, sempre igual, trata-se de um vício, sobretudo porque incluo a internet no pacote dos hábitos matinais, e a internet vicia, dizem. O outro vício, da leitura, vem do tempo em que tinha um jornal diário à mão; agora, felizmente, tenho muitos jornais à distância de vários cliques.
A cadência dos pequenos gestos descansa-me o espírito, como quem ora a pedir graças para o dia inteiro; o meu dia, de há muitos anos a esta parte, começa tarde, tão tarde que, por norma, programo os meus afazeres para depois das doze horas – outro ritual, que se quebra por imperativos inadiáveis e só por isso.
Como é manhã, e cedo, depois da leitura, tenho tempo para dele fazer uso durante uma hora e vou, de seguida, aparar a relva do jardim, soltar os pombos (diariamente ansiosos pelo voo redondo com que me brindam do alto…), alimentar duas galinhas e um coelho que “responde” pelo nome “Guilherme”, dois canários e três periquitos, e depois subo ao primeiro andar para o banho retemperador.
Ontem a mãe fez uma sopa de feijão vermelho com batatas e couves do quintal, acrescentou um pouco de massa, e, para dar gosto, azeite e uma morcela. Está, garanto, uma delícia – não há melhores sopas do que estas, espessas e saborosas: duas conchas e ficamos a abarrotar, sem vontade de comer uma peça da fruta que está encavalitada num taça no centro da mesa. O almoço está feito, é só aquecer…
Como ando atarefado com o entendimento das várias crises, fico-me por aqui - é preferível dar continuidade aos meus rituais diários, a começar pela contemplação do voo dos meus pombos; às crises, agarro-as pelos bigodes, faço-as rodopiar e lanço-as para longe!
Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem – façam tudo isso em “segredo”e depois logo se vê, se sou capaz, ou não, de sobreviver com a minha “profissão” de reformado a tempo inteiro - outro ritual que não dispenso!

21 de fevereiro de 2007

Vento na "terra do nunca"

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Longe vão os tempos das grandes descobertas marítimas; bem andaram as majestades reais com os empenhos e engenhos guerreiros que se conhecem, a par de outros interesses religiosos e profanos.
Das riquezas de que se sabia, vieram cheios os porões das naus e caravelas; das outras (riquezas), a colheita justificou os martírios de marinheiros e soldados, Dominicanos, Jesuítas e outra gente de Deus. Mais bélicos, os galeões, ao sabor de ventos e correntes, faziam da força bruta a sua raça indomável, mas nem por isso tinham melhor sorte, e a sua altivez de contratorpedeiros de pouco lhes valia, perante as forças da Natureza, e iam ao fundo com a mesma desgraça dos seus congéneres cargueiros de bens e pessoas;
O panorama desses tempos, no arrojo do Homem, tem hossanas de poetas. É por via da escrita que conhecemos os feitos de glória com que se cobriam os viajantes nas suas lutas contra hábitos e costumes de outras origens - nas guerras com os gentios, "falavam" mais alto e mais forte as "vozes" das escopetas e fuzis do homem branco.Houvesse ou não ventos de feição, os navios sempre se fizeram ao largo.
O mar tem as suas marés, e as ondas, ainda que encapeladas, não eram obstáculo para quem se dispunha a entrar na História pela associação da inteligência, coragem, esperteza, e sabedoria empírica ou não. Os tempos mudaram, as pessoas também – só o mar e o vento continuam sendo mar e vento, proporcionando ao Homem as mesmas benesses de que nos continuamos a servir "gratuitamente"e em maior escala, porque estamos cada vez mais "espertos"e de inteligência refinada pelo conhecimento cientifico que espanta, tal a evolução das descobertas, como outrora…
Da água do mar, retira-se o sal e serve-se o líquido a contento das sementes que germinam na terra. Das marés, aproveita-se o vai e vem das águas para gerar energia. O vento é o ar em movimento que soprou as velas dos barcos de outros séculos e, agora, faz mover gigantescas hélices que, por sua vez, geram energia. Aos povos que têm a desdita de viver longe dos oceanos, fica-lhes reservada a felicidade de subir mais alto e olhar o mundo lá de cima, com o vento a enrolar-se mansamente à nossa volta, ou asfixiando-nos, como uma anaconda.
Infelizmente, a região do "meu" Concelho é quase plana; sem montes que mereçam a honra de montanhas, não temos altura nem estatura para tocar as nuvens, por isso, o vento que sopra sei lá de que banda, não traz a força suficiente para fazer rodar de forma constante aquelas três enormes pás que se vão desenhando um pouco pelas serras aqui à volta – do Açor à Estrela.
Ventos sem qualidade, pelo que li, é o que temos cá por baixo, nos arrabaldes, logo, a riqueza de ventos de feição não nos calhou em sorte – conclusão simples e sherlockiana. Sem a possibilidade de, pelo menos, um parque eólico que nos honre a estima, envaideça o ego e alimente o erário público, longe do mar e das marés, sem petróleo ou gás no subsolo (que se saiba!), só resta a barragem da mini - hídrica de Avô para nos tirar da pobreza franciscana, no que à energia eléctrica diz respeito… É pouco.
Perante factos, vou deixar de dizer aos amigos de longe que vivo na serra do Peter Pan e afiançar-lhe que moro na Terra do Nunca, onde o vento pouco ruge. O diabrete Capitão Gancho, esse continua, mauzinho, arrogante, inconveniente e …pirata! Quanto ao Sininho… plimmmmmm!