1.-Para aliviar as chatices das responsabilidades de quem desempenha funções públicas, nada melhor do que uma pantagruélica refeição de euros ao fim do mês, o que é mais do que justo. Se assim não fosse, as grandes inteligências do país simplesmente procurariam outras paragens com a mesma ementa dos banquetes democráticos; felizmente, não é o caso da senhora Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que continua por cá e não esconde do povo as "iguarias" que, anualmente, lhe servem de sustento - qualquer coisa como 146.784,82 euros!
2.-Podem dizer… “é pá, isso é uma pipa de massa!”, mas para quem tem o dever de zelar pela ordem na Casa da Democracia, além de outros afazeres, como sorrir, enfim, até nem é nada de “muito”…
Acontece, simplesmente, que este valor, “não sendo nada por aí além” quando comparado com a “folha do salário” de alguns príncipes do pontapé na bola, políticos de falas mansas e meia dúzia de cantores “pimba”, é a soma do que lhe é devido segundo as leis de um país com dificuldades económicas e financeiras. Portanto, nada de ilegalidades…
3.-Entretanto, o Presidente da República entendeu criticar as opções do Governo, o Primeiro-ministro, ficou estupefacto com esta “intromissão” mas achou por bem não responder ao Chefe Supremo das Forças Armadas; por outro lado, um dos capitães de Abril, para lembrar as (suas) virtudes revolucionárias, foi dizendo que o país tem uma “revolução nos braços”, e os seus camaradas de armas, no activo, marcaram um “passeio” reivindicativo para o dia 12 de Novembro. Tudo normal - democraticamente normal!
4.-“Não sendo nada por aí além”, quando comparado com o que se passa em alguns países, estes sinais não podem deixar de nos apoquentar e são bem mais graves (digo eu…) do que o tema do novo livro do “ meu conterrâneo” José Rodrigues dos Santos. Vir agora, em plena crise, afiançar que Jesus Cristo não era cristão, que tinha uma catrefa de irmãos, além de acrescentar mais umas quantas “verdades”, segundo ele, é o melhor que nos podia acontecer – passamos a discutir a obra literária e esquecemos o défice!
5.-Depois desta “boa notícia”, caros leitores (as), ainda estão (muito) interessados (as) nas contas da segunda Figura de Portugal? Então, leiam o que anda por ai à solta:
“Assunção Esteves, a actual Presidente da Assembleia da República reformou-se aos 42 anos, com a pensão mensal (14 vezes ano) de € 2.315,51. Fica o Diário da República de 30/07/1998 para vossa informação. Para que saibam ainda, a Senhora Assunção Esteves recebe ainda de vencimento mensal (14 vezes anos) € 5.799,05 e de ajudas de custas mensal (14 vezes ano) € 2.370,07. Aufere, portanto, a quantia anual de € 146.784,82. Ou seja, recebe do erário público, a remuneração média mensal de € 12.232,07 (Doze mil, duzentos e trinta e dois euros, sete cêntimos). Relembramos que também tem direito a uma viatura oficial BMW a tempo inteiro!"
23 de outubro de 2011
21 de outubro de 2011
Já se vai embora?
A tia Deolinda (por parte da minha ex mulher) era uma senhora de uma gentileza sublime; tinha sentido de humor e até os queixumes sobre a sua avançada idade vinham envolvidos em sorrisos. Teria sido uma pessoa divertida e alegre na mocidade e, por razões que nunca questionei, não chegou a constituir família.
Durante os anos em que privámos, sobretudo durante as visitas de cortesia, recebia com um certo requinte: chá, café e bolinhos servidos em louça ”de marca”, toalhas bordadas à mão, mas o melhor de tudo eram as conversas sobre as suas memórias…
Não sendo senhora de frequência diária, sempre que podia assistia à Missa de domingo. Um dia – contava a tia Deolinda - estava tão absorvida nos seus pensamentos que não deu conta que se aproximava o momento da saudação. De repente, a pessoa que estava a seu lado, cumprimentou-a com um aperto de mão e ela, sem saber muito bem que dizer, possivelmente a pensar nas despedidas, continuou, como sempre, a ser gentil e fina no trato com palavras de circunstância, enquanto mantinha a mão que lhe era estendida apertada na sua:
- Já se vai embora? Fique mais um bocadinho…
“Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto” – terei feito o mesmo, mas a estória da tia Deolinda é verdadeira e faz sorrir, o que, nos dias de agora, dá um certo jeito… por ser de borla.
19 de outubro de 2011
Ritualidades II
"...pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma estratégia maquiavélica ..."
O Orçamento apresentado pelo Governo tem sido dissecado até à medula - haverá qualquer coisa mais para esmiuçar? Duvido…
A informação, boa e má, que a Comunicação Social despeja na nossa corrente tem sentido e é eficaz porque acicata os medos e acelera a tensão arterial; pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma "estratégia maquiavélica", com a finalidade de apressar o passamento de milhares de cidadãos; a acontecer, imagine-se o jeito que dava ao actual Governo deixar de contar no activo com reformados a longo prazo, funcionários públicos desesperados, jovens “ à rasca”, desempregados, poetas e sonhadores, artistas e outros domadores da arte do perigo, como os funâmbulos – afinal, somos todos equilibristas a caminhar na corda bamba! – e gente sem profissão definida, os “desenrasca”, especialidade muito nossa pela força das circunstâncias geracionais…
Deixo para os especialistas as contas – todas as contas, das mais simples às mais complexas. Perante a evidência dos resultados, o ministro das finanças era capaz de sorrir e acelerar o discurso de ocasião…
18 de outubro de 2011
Ritualidades
Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem
Acordar, abrir a janela por onde o sol entra (quando brilha!) sem pedir licença, lavar a cara e pentear os cabelos desgrenhados, tomar o pequeno-almoço, voltar ao quarto, ligar o portátil, ler as notícias de primeira página, retocar as leituras mais próximas da minha sensibilidade - um ritual que não dispenso pela manhã, quer a noite tenha sido bem ou mal dormida. Para alguns, começar o dia desta maneira, sempre igual, trata-se de um vício, sobretudo porque incluo a internet no pacote dos hábitos matinais, e a internet vicia, dizem. O outro vício, da leitura, vem do tempo em que tinha um jornal diário à mão; agora, felizmente, tenho muitos jornais à distância de vários cliques.
A cadência dos pequenos gestos descansa-me o espírito, como quem ora a pedir graças para o dia inteiro; o meu dia, de há muitos anos a esta parte, começa tarde, tão tarde que, por norma, programo os meus afazeres para depois das doze horas – outro ritual, que se quebra por imperativos inadiáveis e só por isso.
Como é manhã, e cedo, depois da leitura, tenho tempo para dele fazer uso durante uma hora e vou, de seguida, aparar a relva do jardim, soltar os pombos (diariamente ansiosos pelo voo redondo com que me brindam do alto…), alimentar duas galinhas e um coelho que “responde” pelo nome “Guilherme”, dois canários e três periquitos, e depois subo ao primeiro andar para o banho retemperador.
Ontem a mãe fez uma sopa de feijão vermelho com batatas e couves do quintal, acrescentou um pouco de massa, e, para dar gosto, azeite e uma morcela. Está, garanto, uma delícia – não há melhores sopas do que estas, espessas e saborosas: duas conchas e ficamos a abarrotar, sem vontade de comer uma peça da fruta que está encavalitada num taça no centro da mesa. O almoço está feito, é só aquecer…
Como ando atarefado com o entendimento das várias crises, fico-me por aqui - é preferível dar continuidade aos meus rituais diários, a começar pela contemplação do voo dos meus pombos; às crises, agarro-as pelos bigodes, faço-as rodopiar e lanço-as para longe!
Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem – façam tudo isso em “segredo”e depois logo se vê, se sou capaz, ou não, de sobreviver com a minha “profissão” de reformado a tempo inteiro - outro ritual que não dispenso!
17 de outubro de 2011
Bombeiros de Coja festejaram S. Mguel

Não tenho por costume assistir à Missa dominical, mas hoje decidi aceitar por inteiro o convite dos Bombeiros Voluntários de Coja e participei na cerimónia religiosa dos festejos a S. Miguel.
Missa cantada, qualidade vocal e instrumental acima da média, o templo repleto. O padre Dinis, como sempre, foi brilhante na homilia.
Para quem não é frequentador assíduo das práticas religiosas, o tempo desta manhã de domingo foi propício ao pensamento profundo; cada um por si, a seu modo, interiorizou as suas convicções religiosas e espirituais. Por mim, saí da Igreja “melhor do que entrei, de "alma cheia"...
16 de outubro de 2011
Fórum “Freguesias com futuro”
Assisti em Alvôco das Várzeas ao fórum “Aldeias com futuro”.
Em análise e discussão, o “documento verde”, onde estão definidos os critérios que determinam o futuro das mais de quatro mil freguesias do país.
A mesa foi composta por gente de muito saber; uns renegam em absoluto a “carta de intenções”, outros colocam reticências à remodelação autárquica, outros entendem que “não tem pés nem cabeça” o que está escrito no papel; há contradições aberrantes nos critérios, e o próprio documento, em si mesmo, é uma aberração. O Primeiro-ministro e o super Ministro Miguel Relvas bem podem esperar pela “voz da razão” das populações e autarcas atingidos…
Como se sabe, as freguesias que não cumprirem determinados rácios, serão agregadas a outras, dando lugar a NOVAS FREGUESIAS. Sobre este ponto, está escrito no “documento verde”:
“No caso das novas Freguesias, a designação deverá ser definida com base numa ampla discussão entre cidadãos e os seus representantes nos Órgãos Autárquicos de Freguesia
e Municipais, devendo as propostas ser submetidas à Assembleia da República…”.
Sempre quero ver os consensos quando chegar a hora de escolher uma NOVA designação para a Freguesia de Coja, se lhe calhar em “sorte” a Freguesia de Barril de Alva, ou a Vila Cova de Alva, se lhe sair na “rifa” a Freguesia de Anseriz!
... E o povo, pá?
15 de outubro de 2011
"Brigadinho" pelos incentivos
Anos depois de ter feito uma pausa, o "Ritual" ( blog), para meu contento, ainda não estava esquecido. Quando remexia o baú das minhas memórias, com frequência tomava conhecimento dos registos das visitas dos amigos do "RiTuAL bar" ( como se sabe, o estabelecimento continua em franca actividade, embora com um outro conceito lúdico), Agora que anunciei o retorno, tenho recebido palavras simpáticas de pessoas de quem gosto - os tais amigos de sempre, do peito, pelo amor espiritual que nos une no gosto do belo.
Imaginam o "estado calamitoso" do meu ego?
"Brigadinho" pelos incentivos...
14 de outubro de 2011
De regresso...
Por razões de consciência, faz todo o sentido voltar "a casa"...
A partir de agora, marco o próximo encontro nesta esquina, onde as palavras por escrever são mais intensas - eventualmente, diferentes das que teriam forma. Quem vier, encontra sempre a porta aberta e um lugar vago para dois dedos de conversa.
Fica, pois, o convite para "um café sem segredos", acompanhado de um cálice de "medronheira" ou, se preferirem, um copo com vinho tinto, sem aumento de IVA! "Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses"! É isso que faremos, quando a fome apertar...
Fica, pois, o convite para "um café sem segredos", acompanhado de um cálice de "medronheira" ou, se preferirem, um copo com vinho tinto, sem aumento de IVA! "Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses"! É isso que faremos, quando a fome apertar...
Abençoado Governo que tudo faz pelo bem estar do povo!
11 de agosto de 2009
Raul Solnado
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Imposssível dizer adeus a alguém que sempre exisiu na minha memória e que, de passagem, "mora na Rua do Grémio Lusitano", ao Bairro Alto.
Dá por mim um dos nossos abraços ao Fausto Correia
Um dia destes, "em pé e à ordem", havemos de gargalhar juntos.
Alberto Martins de Carvalho
“A profissão de jornalista em tempos de transição” é um excelente exercício de ideias que o director do Correio da Beira Serra, Henrique Barreto, trouxe à luz do sol – digo bem, luz do sol, porque a liberdade, para ser visível, necessita de “luz”, de preferência a que nos aquece e ilumina de borla.
Vem este propósito de enveredar pelas “ideias dos outros" – como se alguma delas fosse minha! - o facto de ter passado a vista e as mãos pelas doze páginas do número zero de hebdomadário Tábua/Arganil Notícias.Posso ter uma ideia sibilina e permanecer calado, em sossego pela inércia do “não vale a pena, deixa-me estar quieto”, mas não é bem esse o jeito de me fazer entender, na linha de João Carreira Bom, Roby Amorim, e outros ilustres camaradas com quem privei no extinto O Século, ou do Henrique Barreto, amigo de alguns anos, e parece ser, também, o mote de quem dá corpo e (alguma) alma ao novel jornal, nascido “ali ao lado”. Posto isto, vamos ao pormenor (da ideia!) que trago à croniqueta.
Era adolescente quando conheci o insigne pedagogo Alberto Martins de Carvalho, licenciado em Direito e Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra. Quando tomou conhecimento de que tínhamos as mesmas origens (Barril de Alva), procurou-me no Liceu D.João III., em Coimbra; desse (s) encontro (s), guardo poucas memórias.Bastante mais tarde, trinta anos depois de África, fiquei a conhecer com algum pormenor a sua carreira académica, e soube que “… nas décadas de 20 e 30 do século passado, foi um dos grandes vultos intelectuais de Coimbra, privando com nomes como Miguel Torga (a quem apresentou Fernando Valle), Paulo Quintela, Vitorino Nemésio, José Régio e outros…”, (in Universidade Fernando Pessoa). Mais recentemente, com agrado, tomei nota da sua incursão no jornalismo, ao estilo das figuras que são referidas atrás, isto é: sem papas na língua, preciso nas ideias, vincando o seu carácter iluminado de homem livre. Foi assim que fez carreira, nas palavras sábias de Fernando Valle.
Os tempos actuais não são diferentes dos de outrora, quando se manifesta a verticalidade de qualquer cidadão, seja em que circunstância for.No campo específico do jornalismo, existem agora outros suportes para dar a conhecer a notícia, passar ideias, divulgar conhecimentos, e será por aí, sem dúvida, que passa o próximo futuro, talvez em exclusividade, com as edições electrónicas dos jornais a justificarem aposta segura, mas, como refere o director do CBS, “…como todo este conjunto de meios tecnológicos, está indissociavelmente dependente da Internet, é importante que os jornalistas, “em tempos de transição”, se apercebam de como é que este fenómeno comunicacional está a evoluir em Portugal…”.Se fossem vivos e no activo, não tenho qualquer dúvida em acreditar que homens do gabarito intelectual de Roby Amorim, João Carreira Bom, e sobretudo do meu conterrâneo (também) jornalista Alberto Martins de Carvalho – que recordo, para que as memórias não fiquem vazias de si – com facilidade abraçariam as novas tecnologias, usando-as como meio rápido e eficaz de se fazerem ouvir!
Dirão: nada se compara ao folhear do jornal impresso, o cheiro da tinta, enfim… – sou pelo romantismo de algumas tradições, mas quando se trata de divulgar informação, através das edições impressas, o “agora” já é “passado”!Vida longa ao Tábua/Arganil Notícias, que surge nas bancas quando ainda se “chora” o passamento da Comarca de Arganil.
5 de agosto de 2009
A “teoria” da chiclete
O regresso aos discos da Banda do Porto “Táxi”, surge num momento óptimo para animar a campanha eleitoral, que não tarda.
É interessante estar atento à letra do tema “Chiclete” para que o possamos “encaixar” nas coisas mais comezinhas do dia a dia, incluindo a política caseira agora que os partidos se desdobram na construção das listas concorrentes às eleições Autárquicas.
Há uma “estranha sensação” de que para alcançar o poder numa modesta junta de freguesia, vale (quase) tudo, desde importar eleitores, através do recenseamento de residentes eventuais durante fins de semana e/ou férias, à troca de elementos que ainda pertencem à gestão das juntas de freguesia por outros, surripiados à oposição ou não (aqui aplico a minha teoria da chiclete, “… que se prova, mastiga e deita fora, sem demora…”, numa analogia “perfeita”) – importa é que façam parte de um agregado familiar onde se contabilize o maior número de potenciais (e solidários) eleitores, ou de pessoas que “garantam” determinados interesses… pessoais!
Não acontece qualquer ilegalidade na prática destes actos. O que está verdadeiramente em causa, na minha óptica, é a ausência de carácter de quem usa as premissas que a Lei confere, no que ao recenseamento diz respeito, falseando a verdade pela assunção pública de um certo pedantismo, que o povo alimenta, de forma semi-inconsciente, quando lhe falam com palavrinhas mansas…
Por outro lado, ”…de há uns anos a esta parte, o que se nota, em algumas situações, é o regresso de um certo tipo de caciquismo disfarçado em representação democrática. Voltou a “cultura do medo”, fazem-se ameaças veladas “à boca pequena”, promete-se o que é de Lei junto dos mais idosos – logo, mais sensíveis – como se tratasse de uma benesse pessoal, garantem-se empregos invisíveis… “ – escrevi de passagem num outro local, e acrescentei: “…Mais do que ser militante de um partido, por vezes dá “um certo jeito” aos candidatos liderar uma instituição, sobretudo se for de carácter social, ou ser empregador…”!
Infelizmente, esta realidade – entre outras! - afasta os jovens da militância partidária. Dizem eles que “os mais velhos são uns troca-tintas”, que falta competência à maioria dos eleitos… o rol de acusações é extenso!
À eventual pergunta sobre a revitalização (?) de determinado partido, cujo candidato “usou e abusou” da (minha) teoria da chiclete, teria respondido que, no caso, os maus exemplos do líder felizmente não são seguidos pelos “Jotas”, mais esclarecidos e informados e, por isso mesmo, nada motivados para a militância partidária!
Pintam-se os ideais com as cores do arco-íris, mas nem assim se adivinha “bom tempo”…
“E como tudo o que é coisa que promete/ A gente vê como uma chiclete…” – cantam os “Táxi”.
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