1 de dezembro de 2006

Jaime MARTINS BARATA

Numa velha lenda nórdica,
um cavaleiro pede a um espelho mágico
que lhe mostre
a mais bela cidade da Europa.
E o espelho apresenta
aos seus olhos assombrados
a vista de Lisboa, a Grande,
como antigamente lhe chamavam.

"A obra de Martins Barata
é extraordinariamente numerosa e variada:
selos e moedas que circularam durante anos,
ilustrações, ferramentas, brinquedos,
livros e publicações, pinturas monumentais
(dispersas pelo país e estrangeiro).
Martins Barata foi um verdadeiro
homem da Renascença
"
- está escrito sobre esta figura fantástica, que desconhecia. Tive o privilégio de conhecer uma anciã que lhe serviu de modelo em algumas das suas obras.Fascinante!
Aconselho uma visita.

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27 de novembro de 2006

21 de novembro de 2006

A rapariguinha

A rapariguinha dizia à amiga que estava grávida.
Como ambas são demasiado jovens, ouvia as conversas de passagem e não lhes dava crédito.A dado momento, percebi que o assunto era mesmo sério; então, fiz uma pausa nas minhas idas e vindas, entre cafés e sumos de laranja, e perguntei:
-Mas... estás mesmo grávida?
-Estou com um mês, é verdade.
-Qu idade tens?
-17.
-E o teu namorado?
-Tem a minha idade.
A amiga entra na conversa:
-Anda por cima esta parva engravidou por que quis!
-Foi? - perguntei.
-Foi pois - respondeu de imediato, com ar feliz, como se tivesse subido ao Everest, e conta:
-O meu namorado enganou-me com outra e eu, como queria ficar com ele, engravidei para o prender.Em minha casa ninguém queria acreditar, nem ele, mas fui fazer os testes à farmácia, e quando os mostrei é que viram que não estava a brincar!
-És "muita stupida" - atira-lhe a amiga, com ar de desprezo.
A rapariguinha encolheu os ombros e continuou a sorrir enquanto se despedia da amiga.
-Bem, tenho de ir. "Xau" . Porta-te bem.

15 de novembro de 2006

Posso ajudar?

A Mariana trabalhava na Livraria Académica e usava os cabelos compridos.
Perdi o conto às visitas que fiz à livraria, na esperança de ser ela a ouvir os meus pedidos de coisas simples: lápis, borrachas, papel cavalinho, aguarelas...
Quando não estava necessitado de nada, teimava em continuar cliente de leituras, embora curtas. Foi assim que conheci Mário Sá Carneiro, António Botto, Alves Redol e tantos outros autores portugueses
A estratégia era simples: para que a Mariana viesse ter comigo, entrava na loja e ia direitinho à estante das obras menos procuradas. E ela vinha, mesmo depois de se ter apercebido da marosca, com um sorriso malandro.
- Posso ajudar?
Poder, podia, mas a ajuda necessária não tinha nada a ver com esclareciemntos sobre as obras expostas.Talvez se falasse do tempo que fazia lá fora, do "single" musical em voga ou de qualquer coisa que me fizesse ganhar coragem, eu teria saído do canto da minha timidez e declarava-me... "apaixonado"!
A Mariana foi sempre muito profissional no seu papel de balconista e nunca passou do cumprimento de circunstância e da frase sempre igual:
-Posso ajudar!
Eu, como não tinha asas para voar para outras conversas, fiquei cativo da timidez e ela nunca soube da minha "paixoneta"... adolescente.

9 de novembro de 2006

Saudade (s)

Quando se tem tempo de sobra para ganhar outros tempos, umas visitinhas a "blogs" de estimação podem proporcionar excelentes "elixires" para dias menos positivos."Descobri" este caminho:http://contosdefadasehistoriasdebruxas.blogspot.com/ e , pelo que li, estou para saber se as "estórias" que a autora conta são suas por inteiro ou as "surripiou" à mente de imaginação fértil e farta, viajando por mundos estranhos, como o meu, por exemplo!
Com as devidas distâncias, já que somos de sexo oposto e as nossas saudades também são dispares, o texto que acabo de ler é demasiado... autêntico para passarmos adiante sem uma pausa. Apesar de "tétrico", o último parágrafo tem poesia no desapego às coisas terrenas - só o espírito lhe basta para se "confundir" na espuma de uma das "próximas" ondas!
Será a morte "coisa" doce?
Quero acreditar na voz do povo quando uma triste personagem entrega a "alma ao Criador" ou então ... "foi desta para melhor".
A saudade mata devagar - nota-se!
... A minha começou pelo brilho do olhar o que, convenhamos, não abona em nada a mentira do que sou: um sujeito "forte", face às contingências de erros e enganos!
Mas isso são outras histórias de bruxas e...contos de fadas...
Felizmente, o mar ficou calmo e sossegado - deixou de ter "ondas" - só o "meu rio" continua a correr pelas margens, a caminho do mar das espumas onde "tudo se trasnforma".

5 de novembro de 2006

Cartas de jogar

Um dia destes cruzei-me com a "dama de copas" das minhas cartas; cumprimentou-me como se fosse um "duque de espadas"ou um "terno de paus"e eu, vestido de "rei de ouros", não fui ao "jogo" porque o baralho estava "viciado"...

31 de outubro de 2006

"Pavarotti"











No meu "jardim de entrada" está prisioneiro um canário amarelo que, parecendo alegre, tristemente canta a saudade.

27 de outubro de 2006

Arre-burro


Que eu saiba, há, pelo menos, um burro de quatro patas que passa debaixo da minha janela, arrastando ronceiramente uma carroça, velha como ele, o burro.
Se o dono tivesse acompanhado o progresso, por certo a carroça teria rodas com amortecedores e pneumáticos, mas como não tem, acordo logo pela manhã, bem cedo, com um barulho sem melodia; não sei onde começa, mas vem de longe, e vai chegando perto, mais perto, sempre mais perto!
Saint-Exupéry, no "Principezinho", é muito mais romântico quando imagina a felicidade da raposa:
-"... Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz.E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto...".
Por mim, não posso ser como a raposa, ansioso pela carroça, que o burro puxa sem pressas, numa hora madrugadora para quem se deita sempre no dia seguinte. O ruído das rodas, revestidas a aço, como chegou também desapareceu: devagar, mais distante, e perde-se no silêncio. Depois de encontrar o jeito, volto a adormecer. Interromper o sono com gosto, só quando a Filarmónica vem, estrada abaixo (a banda de música, que me lembre, nunca subiu, sempre desceu a minha rua…), a tocar uma marcha, mais uma menos afinada, com os "pratos" e o bombo a sobressairem dos clarinetes e da requinta, por vezes dos contrabaixos - só as trompetes lhes fazem frente, mas nem sempre!
Duas vezes no ano, é certo e sabido que tenho a Filarmónica debaixo da minha janela num simpático cumprimento de "bons dias", e aí sim, gosto do som que vem de longe, na minha mente, acordo devagar, e delicio-me. Se regresso ao sono, as voltas nos lençóis são suaves, e os sonhos, se os houver, desejo-os com final feliz.
O sossego da noite, na minha aldeia, não tem preço; o vento, quando vem, sopra de modo diferente nas "portadas" das janelas e a chuva parece acariciar os cocurutos das árvores. O Sol, se eu quiser, beija-me o rosto através da janela. Como os vizinhos moram mais para os lados, não fazem sombra nem barulho, o que, convenhamos, é uma bênção dos céus.
O burro, ao fim da tarde, larga a carroça perto do aconchego do curral, e posso contar pelos dedos de uma mão as outras viaturas com motor que passam debaixo da minha janela. A pé, são poucos os viajantes que se fazem ao caminho, o que não abona o censo da última década.
Estava a cogitar sobre todas estas vantagens que a minha aldeia me proporciona, e sou invadido por um arrepio, da cabeça à ponta do dedo grandão do pé.
- Ups… de onde vem isto? – pensei, tremelicando.. Ah, a solidão de quem passa dia após dia ouvindo o silêncio da minha rua e das outras ruas, quase desertas de vida, e o medo que me apoquenta quando me imagino naquele casarão, sozinho, um dia…
O burro, pela lógica da (sua) vida, mais cedo ou mais tarde, entrega a alma ao Criador; a Banda Filarmónica definha a olhos vistos…isso significa que vou ter ainda mais silêncio, não tarda! Se o barulho, agora, tem este "ruído", imagino como será daqui a uns tempos…
… A não ser que eu vá "desta para melhor" antes do burro deixar de ter forças para andar com a carroça a reboque, ou se fine de velhice. E quanto à "banda", até com meia dúzia de músicos se toca uma marcha fúnebre!
.'.

23 de outubro de 2006

O retrato


Tenho um retrato de mim à vista, mas não me reconheço quando o fito, pausadamente ou de forma fugidia. Nos traços do rosto não há sinais de caminhadas e nas pupilas não vislumbro lampejos de felicidade; até o meio sorriso pouco diz…
Houve um tempo de balanço, quando as esperanças definharam, com resultados positivos. Agora, se desnudo a alma e a deixo por aí, carpindo mágoas e mendigando gestos de afagos, fico sem saber quem sou, quem fui, e quanto ao dia seguinte, não vislumbro mudança de opinião – apenas a expectativa do que possa suceder entre a manhã e a madrugada, faz com que fique atento.
Se o retrato pouco diz (?) e a alma inquieta não veste sinais de esperança, que farei com este corpo?
As palavras, arranco-as do mais recôndito refúgio e espalho-as por aí, a esmo - talvez alguma germine em terra árida, fecundando-a de emoções, embora tardias…
Perante as dúvidas do ego, decido-me pela descoberta do outro “eu”, ao espelho, mas não vejo o cordão umbilical que me amarra à vida.
Terei passado ao Oriente Eterno? Se assim é, o corpo, que não tinha utilidade visível, está no sítio certo – o tempo se encarregará de apagar das memórias as minhas coisinhas miúdas, e talvez ganhe rótulo de “bom sujeito”, mas pouco lúcido.
A alma, quero-a imortal, mas sem lembranças do último adeus.

19 de outubro de 2006

Falta de "gravidade"!


O Maio (a) foi de abalada até à Tunísia com uns amigos ( uma daquelas viagens de fim de
curso, espécie de "bónus" dos papás por terem sido meninos muito bem comportados e óptimos estudantes; eu, que os conheço de "ginjeira", não abonava a decisão dos progenitores, se tivessem vindo "investigar as vidas" dos elementos do grupinho, principalmente do Maia e do Albano - outro amigão do peito - meio escondido pela bandeira. Das meninas, não falo - essas sim, nada a apontar...) e descobriu em pleno deserto um morro onde estava plantado o símbolo do nosso País.Quem terá sido o autor? Português? Talvez, mas com a falta de "gravidade", provocada por uma qualquer beberagem africana, errou na colocação da bandeira. Sorte do meu especial e grande amigo Maia (o) que, com esta fotografia ganhou um telemóvel num programa de TV.
Sortudo!!!