21 de outubro de 2011

Já se vai embora?

A tia Deolinda (por parte da minha ex mulher) era uma senhora de uma gentileza sublime; tinha sentido de humor e até os queixumes sobre a sua avançada idade vinham envolvidos em sorrisos. Teria sido uma pessoa divertida e alegre na mocidade e, por razões que nunca questionei, não chegou a constituir família.
Durante os anos em que privámos, sobretudo durante as visitas de cortesia, recebia com um certo requinte: chá, café e bolinhos servidos em louça ”de marca”, toalhas bordadas à mão, mas o melhor de tudo eram as conversas sobre as suas memórias…
Não sendo senhora de frequência diária, sempre que podia assistia à Missa de domingo. Um dia – contava a tia Deolinda - estava tão absorvida nos seus pensamentos que não deu conta que se aproximava o momento da saudação. De repente, a pessoa que estava a seu lado, cumprimentou-a com um aperto de mão e ela, sem saber muito bem que dizer, possivelmente a pensar nas despedidas, continuou, como sempre, a ser gentil e fina no trato com palavras de circunstância, enquanto mantinha a mão que lhe era estendida apertada na sua:
 - Já se vai embora? Fique mais um bocadinho…
“Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto” – terei feito o mesmo, mas a estória da tia Deolinda é verdadeira e faz sorrir, o que, nos dias de agora, dá um certo jeito… por ser de borla.

19 de outubro de 2011

Ritualidades II

"...pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma estratégia maquiavélica ..."

O Orçamento apresentado pelo Governo tem sido dissecado até à medula - haverá qualquer coisa mais para esmiuçar? Duvido…
A informação, boa e má, que a Comunicação Social despeja na nossa corrente tem sentido e é eficaz porque acicata os medos e acelera a tensão arterial; pensando bem, sou capaz de concluir que estamos perante uma "estratégia maquiavélica", com a finalidade de apressar o passamento de milhares de cidadãos; a acontecer, imagine-se o jeito que dava ao actual Governo deixar de contar no activo com reformados a longo prazo, funcionários públicos desesperados, jovens “ à rasca”, desempregados, poetas e sonhadores, artistas e outros domadores da arte do perigo, como os funâmbulos – afinal, somos todos equilibristas a caminhar na corda bamba! – e gente sem profissão definida, os “desenrasca”, especialidade muito nossa pela força das circunstâncias  geracionais…
Deixo para os especialistas as contas – todas as contas, das mais simples às mais complexas. Perante a evidência dos resultados, o ministro das finanças era capaz de sorrir e acelerar o discurso de ocasião…

18 de outubro de 2011

Ritualidades

Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem

Acordar, abrir a janela por onde o sol entra (quando brilha!) sem pedir licença, lavar a cara e pentear os cabelos desgrenhados, tomar o pequeno-almoço, voltar ao quarto, ligar o portátil, ler as notícias de primeira página, retocar as leituras mais próximas da minha sensibilidade - um ritual que não dispenso pela manhã, quer a noite tenha sido bem ou mal dormida. Para alguns, começar o dia desta maneira, sempre igual, trata-se de um vício, sobretudo porque incluo a internet no pacote dos hábitos matinais, e a internet vicia, dizem. O outro vício, da leitura, vem do tempo em que tinha um jornal diário à mão; agora, felizmente, tenho muitos jornais à distância de vários cliques.
A cadência dos pequenos gestos descansa-me o espírito, como quem ora a pedir graças para o dia inteiro; o meu dia, de há muitos anos a esta parte, começa tarde, tão tarde que, por norma, programo os meus afazeres para depois das doze horas – outro ritual, que se quebra por imperativos inadiáveis e só por isso.
Como é manhã, e cedo, depois da leitura, tenho tempo para dele fazer uso durante uma hora e vou, de seguida, aparar a relva do jardim, soltar os pombos (diariamente ansiosos pelo voo redondo com que me brindam do alto…), alimentar duas galinhas e um coelho que “responde” pelo nome “Guilherme”, dois canários e três periquitos, e depois subo ao primeiro andar para o banho retemperador.
Ontem a mãe fez uma sopa de feijão vermelho com batatas e couves do quintal, acrescentou um pouco de massa, e, para dar gosto, azeite e uma morcela. Está, garanto, uma delícia – não há melhores sopas do que estas, espessas e saborosas: duas conchas e ficamos a abarrotar, sem vontade de comer uma peça da fruta que está encavalitada num taça no centro da mesa. O almoço está feito, é só aquecer…
Como ando atarefado com o entendimento das várias crises, fico-me por aqui - é preferível dar continuidade aos meus rituais diários, a começar pela contemplação do voo dos meus pombos; às crises, agarro-as pelos bigodes, faço-as rodopiar e lanço-as para longe!
Reduzam a reforma, aumentem os impostos, tirem-me o médico de família, obriguem-me a mudar para outra freguesia, mas não me chateiem – façam tudo isso em “segredo”e depois logo se vê, se sou capaz, ou não, de sobreviver com a minha “profissão” de reformado a tempo inteiro - outro ritual que não dispenso!

17 de outubro de 2011

Bombeiros de Coja festejaram S. Mguel




Não tenho por costume assistir à Missa dominical, mas hoje decidi aceitar por inteiro o convite dos Bombeiros Voluntários de Coja e participei na cerimónia religiosa dos festejos a S. Miguel.
Missa cantada, qualidade vocal e instrumental acima da média, o templo repleto. O padre Dinis, como sempre, foi brilhante na homilia.
Para quem não é frequentador assíduo das práticas religiosas, o tempo desta manhã de domingo foi propício ao pensamento profundo; cada um por si, a seu modo, interiorizou as suas convicções religiosas e espirituais. Por mim, saí da Igreja “melhor do que entrei, de "alma cheia"...

16 de outubro de 2011

Fórum “Freguesias com futuro”

Assisti em Alvôco das Várzeas ao fórum “Aldeias com futuro”.
Em análise e discussão, o “documento verde”, onde estão definidos os critérios que determinam o futuro das mais de quatro mil freguesias do país.
A mesa foi composta por gente de muito saber; uns renegam em absoluto a “carta de intenções”, outros colocam reticências à remodelação autárquica, outros entendem que “não tem pés nem cabeça” o que está escrito no papel; há contradições aberrantes nos critérios, e o próprio documento, em si mesmo, é uma aberração. O Primeiro-ministro e o super Ministro Miguel Relvas bem podem esperar pela “voz da razão”  das populações e autarcas  atingidos…
Como se sabe, as freguesias que não cumprirem determinados rácios, serão agregadas a outras, dando lugar a NOVAS FREGUESIAS. Sobre este ponto, está escrito no “documento verde”:
No caso das novas Freguesias, a designação deverá ser definida com base numa ampla discussão entre cidadãos e os seus representantes nos Órgãos Autárquicos de Freguesia
e Municipais, devendo as propostas ser submetidas à Assembleia da República…”.
Sempre quero ver  os consensos quando chegar a hora de escolher uma NOVA designação para a Freguesia de Coja, se lhe calhar em “sorte” a Freguesia de Barril de Alva, ou a Vila Cova de Alva, se lhe sair na “rifa” a Freguesia de Anseriz!
... E o povo, pá? 

15 de outubro de 2011

"Brigadinho" pelos incentivos

Anos depois de ter feito uma pausa, o "Ritual" ( blog), para meu contento, ainda não estava esquecido. Quando remexia  o baú das minhas memórias, com frequência  tomava  conhecimento   dos registos das visitas  dos amigos do "RiTuAL bar" ( como se sabe, o estabelecimento continua em franca actividade, embora com um outro conceito lúdico), Agora que anunciei o retorno,  tenho recebido palavras simpáticas de pessoas de quem gosto - os tais amigos de sempre, do peito, pelo amor espiritual que nos une no gosto do belo.
Imaginam  o "estado calamitoso" do meu ego?
"Brigadinho" pelos incentivos...

14 de outubro de 2011

De regresso...


Por razões de consciência, faz todo o sentido voltar "a casa"... 
A partir de agora, marco o próximo encontro nesta esquina, onde as palavras por escrever são mais intensas - eventualmente, diferentes das que teriam forma. Quem vier, encontra sempre a porta aberta e um lugar vago para dois dedos de conversa.
Fica, pois, o convite para "um café sem segredos", acompanhado de um cálice  de "medronheira" ou, se preferirem, um copo com vinho tinto, sem aumento de IVA! "Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses"! É isso que faremos, quando a fome apertar...
Abençoado Governo que tudo faz pelo bem estar do povo!