9 de junho de 2008

A preços de saldo

Faz de conta que eu tinha uns tostões amealhados e que, por uma doidice, decidia investir numa equipa de futebol, adquirindo-a por inteiro. Nada de mais, os negócios do futebol estão na moda; assim sendo, bem podia fazer parte da tertúlia do Roman Abramovich, Thaksin Shinawatra, e mais uns quantos camaradas endinheirados – por que não?
Além do clube, havia de ter um terreno para a prática do jogo e, claro, jogadores suficientes para formar uma equipa, suplentes incluídos. Com as economias arrecadadas no cofre-forte, como o “tio Patinhas” sempre fez, contratava uns tantos jogadores “já feitos” e treinador com provas dadas na arte do chuto na bola – e pronto!
Procurar atletas estrangeiros – comunitários ou não – sem passar a fronteira seria fácil: chegam a Portugal às “carradas”, sem carta de chamada, como aconteceu no mês passado … a “preço de saldo”!
“Olheiros” fora de portas, para quê? É mais seguro, fácil e económico escolher a “mercadoria” numa montra, como a que o clube brasileiro “O Cruzeiro” trouxe até nós: vinte dos seus craques – vinte! – para umas partidinhas de forte emoção perante os olhares atentos de presidentes das sades desportivas, empresários, treinadores e investidores como eu, “faz de conta”….
A sibilina aposta no mercado português tem, na minha exagerada e radical opinião, resquícios de um “negócio”, (oficialmente abolido pelos portugueses no dia 12 de Fevereiro de 1761) que nem me atrevo a pronunciar…
Ora, lá pelo Brasil a informação chega tarde, pelos vistos; de outro modo, a “directoria” do clube em causa havia de saber que Portugal (já) é o país do mundo que importa mais jogadores brasileiros, e que muitos deles andam por aí à míngua de “vales por conta” do ordenado que não sabem se irão receber por inteiro…
Voltando ao “faz de conta”, estou em acreditar que na montra do “Cruzeiro” havia nomes garantidos, “com pinta e cheiro a craque”, a saber: Maicon, Emerson, ,Gatti, Rodrigão, Énio, Tallys, Fabinho, entre outros…
O hipotético negócio deu-me uma ideia, igualmente sibilina, mas não importa: e se carregássemos um avião, dos grandalhões, com … sei lá, não me lembro (e se lembro, não digo!) de ninguém em especial, mas podiam ser …os chatos, os políticos carreiristas, por exemplo, e os exportássemos igualmente a preços de saldo, ou mesmo à borla, para a Amazónia? Imagine-se essa malta a “praticar desporto” e outras actividades lúdicas em plena selva ao som e ao ritmo do carimbó!
No entrementes desta croniqueta, não soube de nenhum negócio de ocasião com o clube brasileiro, mas o melhor é fixar os nomes dos futebolistas/candidatos a vedetas, e esperar pelos campeonatos, que estão para breve, lá para o verão.

26 de maio de 2008

Francisco Rolo vai casar!


Veio no insuspeito tablóide “24 horas” do passado dia 15!
O assunto certamente não passou despercebido aos habituais leitores dos episódios pessoais e/ou intimistas – ditos “cor-de-rosa” – de gente famosa, como é o caso da “escritora” Carolina Salgado; eu, curioso, fui às páginas interiores do jornal, no intuito de ficar a conhecer os pormenores do próximo casamento da senhora que, pelos vistos, vai avançada na gravidez, o que abona, penso, a urgência do casório.
A notícia informa que o noivo da escritora Salgado tem um restaurante em Portalegre e uma estalagem em Castelo de Vide, é pessoa de posses e o enlace está para breve – não há mais pormenores que “identifiquem” o futuro marido. Mesmo assim, esmiucei as entrelinhas da primeira página, procurei meias palavras no desenvolvimento do título, e nada, fiquei na mesma – tudo muito em segredo…
Dito assim, a novidade parece não ter qualquer importância, nem o casamento nem a gravidez – o amor de tudo é capaz, quem não cometeu “loucuras” antenupciais que atire a primeira pedra – mas quando o consorte dá pelo nome de Francisco Rolo, a notícia surge como uma “bomba”, embora de fumo rasteiro e fogo fátuo!
Prezo o Francisco Rolo, um bom amigo, mas não lhe conhecia conversada a este nível “publicitário”; que é homem para casar e fazer filhos, acredito, mas subir “tão alto”, a ponto de andar nas primeiras páginas dos jornais pelo merecimento da noiva, ex madame Pinto da Costa – pormenor sem importância neste caso – nunca me passou pela ideia…
Será possível “tamanha fortuna”?
(Não coloco em causa a possibilidade do meu amigo ir num salto ao Alentejo e voltar num pulo às suas obrigações profissionais e sociais que tem por cá, na beira serra, uma, duas…muitas vezes, sem ninguém dar conta!...).
Ora, depois das cataratas do Niagara, onde pousei o olhar de espanto, se há “coisa” na vida que gostava de conhecer “ao vivo”, era a ex madame Pinto da Costa, por nenhuma razão especial, confesso – insisto que sou curioso de nascença…
Como não fui convidado para a boda, perdi essa oportunidade, paciência, mas que me dá pena, também confesso …
Mais calmo, passado o tempo do espanto seguido de outro de resignação, “perguntei”aos meus botões:
- E se a notícia do “24 horas” refere outro “Rolo”?
Enorme a coincidência, a ser verdade a minha dúvida, mas bem pode acontecer…
Até à hora do fecho da edição do CBS foi de todo impossível contactar o meu amigo que, penso, estar inocente no meio desta croniqueta, mas nunca fiando…
Há, pelo menos, uma certeza: se existirem dois Franciscos “Rolos”, um deles vai ter de jurar amor eterno à noiva, “até que a morte os separe”!
Ao rebento do casal, saudações benfiquistas - por um “apito”não nascia sob o símbolo do “dragão”!

12 de maio de 2008

Nem padre nem doutor


Passaram anos sobre o dia em que fui desterrado para um primeiro andar de uma casa sita na rua Dr. João Jacinto, em Coimbra, com a finalidade de, um dia, chegar a doutor se para tal houvesse sabedoria.
A nobreza da intenção possivelmente foi abençoada pelo arcipreste Januário, pastor das almas da freguesia; porém, nem ele nem a minha família tiveram o cuidado de conhecer os meus anseios, coisa pouca, devo acrescentar: queria ser padre para entoar a imperceptível ladainha da missa ao domingo e usar uma “saia” negra como o prior.
Lá por casa tiraram-me daí o sentido com o argumento de que os padres não podiam casar e então, para não ter de inventar sobrinhas ou primas afastadas, o melhor era ser doutor de qualquer coisa e depois se veria com quem partilhar o aconchego da família oficial que havia de ter…
Coimbra e o Liceu D. João III seriam, pois, o destino da criança que eu era. E lá fui, com medos e vergonhas a fazerem mossa na imatura e periclitante personalidade. Fui, mas regressei no fim do ano lectivo, vergado a um chumbo de “noves”, escrito a vermelho na pauta.
No ano seguinte, havia duas opções: o colégio de Oliveira, afamado, ou o de Arganil, que não lhe ficava atrás nos resultados académicos. Escolheram por mim: Arganil –sempre havia carreira de manhã e à tarde, e ficava sob a alçada da família, que continuava a insistir no “doutor de qualquer coisa” - padre é que nem pensar!
As voltas que dei na vida afastaram-me, definitivamente, de todas as vontades e desejos.
Mais tarde, os ares de Abril trouxeram-me de regresso “à terra”, deixando para trás, contrariado, um pedaço de África, como se tivesse arrancado à força o sonho de…ser doutor – ou padre! - e voltei a Oliveira do Hospital a tempo de conhecer gente que, se a roda da fortuna tivesse girado noutro sentido, bem poderiam ter sido meus condiscípulos no Colégio Brás Garcia de Mascarenhas. Agora ouço relatos de peripécias inarráveis em letra de forma, conheço estórias de sucesso, e sei da saudade com que alguns desses amigos recordam os tempos do “Brás”.
Naturalmente, graças à dedicação dos professores e ao rigor do ensino, o mítico Colégio é referência nacional de um tempo em que para se “ser doutor no liceu” não estava ao alcance de todas as bolsas e Coimbra, depois do tirocínio em Oliveira, com aproveitamento académico, era o melhor destino para se chegar ao almejado canudo.
Algum do espólio do “Brás” está, a partir de agora, reunido num documento único, posto à disposição de centenas de antigos alunos que, por certo, vão gostar de recuar nos anos ao passar o olhar pelas duzentas e noventa páginas do livro “Do Colégio Brás Garcia de Mascarenhas ao Externato de Oliveira do Hospital 1932 – 1973” , mesmo que não tenham chegado a “doutores”.
…Pena será se a obra não estiver à disposição dos leitores da Biblioteca Municipal, à semelhança de outras com o mesmo carácter histórico.
Tem a palavra a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.
Por mim, nem padre nem doutor de qualquer coisa – continuo aprendiz pela “leitura do conhecimento” de mestres como o João Soares, o melhor contador de estórias que alguma vez conheci.

7 de maio de 2008

Para sorrir....






Surripiei esta "delícia"daqui:
...
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã? E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah. Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver??? O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?

14 de abril de 2008

Às voltas com a História


Depois de conjugar uma mão cheia de situações, decidi mudar de estilo e ritmo de vida, nada que os mais próximos não estivessem à espera, mais dia menos - foi agora, pela primavera, para “renascer” no novo ciclo da mãe Natureza.

A vantagem que retiro destes dias sem obrigação que se veja útil à comunidade, é poder ler horas a fio, ouvir música e andar por aí; confesso a ausência destes pequenos prazeres durante anos, mas agora tiro a desforra nestes três ou quatro dias de vento e chuva que são um “encanto” para os sentidos!

À cabeceira continua “Rio das Flores”, do Miguel Sousa Tavares. Vou a meio do livro, com algum custo porque é “chato” pela minúcia da (s) estórias (s); estava disposto a terminar agora a leitura da obra, mas alterei os planos quando dei de caras com outro livro, da autoria do conhecido e polémico José Hermano Saraiva: “História Concisa de Portugal”, datada de 1980.

Primeiro umas linhas… depois uma história, e cá vou “devorando” mais de trezentos e cinquenta páginas com o prazer inaudito do regresso às origens do País que somos.

É bem capaz de nem tudo ter acontecido como é relatado, porque “quem conta um conto, acrescenta um ponto”; que importância tem, afinal, por exemplo, conhecer o pormenor da morte do D. Sebastião? Morreu à paulada ou à espadeirada - está morto e não se fala mais nisso.

A importância do que é importante, a meu ver, reside na lenda da sua morte e do significado de um certo “sebastianismo” bacoco, de que as “profecias” do sapateiro Bandarra fizeram एको. As “profecias” ainda se comentam, e o “sebastianismo”, como certo ideal de esperança (?) num salvador (sabe-se lá de quê!) que há-de vir, não desapareceu de todo…

Além dos desgostos de Alcácer Quibir, a morte do rei português trouxe mais tarde os espanhóis à liça “em casa alheia”, e por cá se mantiveram por um ror de anos, até que “corremos” com eles; voltaram à carga umas quantas vezes mas, cansados da guerra, uns e outros, lá se decidiram pelo sossego. E ainda bem!

… Se assim não fosse, hoje seríamos mais uma “região” sob o domínio do rei Juan Carlos, possivelmente a lutar entre muros pela independência do País Portugal, como o País Basco o faz…

A propósito: leram ou ouviram atrasado que o Nobel da Literatura, José Saramago, defendeu a integração de Portugal em Espanha?

Pois…

Sem comentários.

(Daqui a nada volto à História de Portugal; à conta dos pequenos conflitos e das guerras com os espanhóis, já li mais de duzentas páginas – é obra! Relembro que o autor cuidou em acrescentar ao título o adjectivo conciso - breve, sucinto - no feminino.

Para o escritor Saramago se “identificar” com o passado português, nem que fosse um pouco, possivelmente seria necessária a leitura de vários volumes da nossa História, digo eu…

Mudar de estilo e ritmo de vida, com tempo livre até dizer basta, traz à ideia cada coisa mais absurda….).

1 de abril de 2008

Piercings & mini saias

O deputado socialista Renato Sampaio é autor de um projecto-lei que, eventualmente, pode alterar a liberdade de quem pretende decorar parte do corpo com piercings. Como a saúde está primeiro, entende o deputado que deverá existir legislação adequada aos malefícios das tatuagens e similares, o que me parece bem …

Confesso desconhecer pormenores sobre a matéria, verdade seja dita. Portanto, a estória dos piercings e das tatuagens é coisa que não me dá pena, mas se o Governo entende por bem emitir Lei sobre o assunto, que o faça, está no seu direito.

Ora, factos são factos (a propósito: no acordo ortográfico luso brasileiro, o vocábulo «facto» fica como está – uma boa notícia para os puristas) e quanto a isso, nada a fazer: o IVA sempre vai baixar lá para o verão, o que pode significar melhoria de vida para os portugueses, na opinião do Primeiro Ministro, mas quanto aos piercings nada está decidido - uma péssima notícia para quem os usa ou pensa vir a usar, depois de legalizada a sua aplicação – escolhi este dois “factozinhos” por me parecer que não estão no mesmo pacote das coisas importantes - ou talvez estejam – para o português comum… Acreditando que o projecto-lei tem pernas para andar, no futuro a quem competirá fiscalizar a aplicação dos pingentes? À ASAE? Pois, não se sabe, mas há-de ser giro o fiscal, depois de se identificar, claro, solicitar ao eventual “prevaricador” que mostre certas partes do corpo, por norma resguardadas no recato de um slip; a elas, que desça o decote e o soutien!

…Se desce o decote, porque não subir a bainha da saia?
O “Público” online, a propósito de saias curtas, conta como a clínica espanhola San Rafael, em Cádis, espolia em alguns euros as suas funcionárias pelo simples facto destas não usarem mini-saia, como está estipulado no uso do uniforme obrigatório. As senhoras, enfim, recusaram o traje que, além de deixar as pernas descobertas obriga ao uso de um avental justo e pouco prático – leio. Além disso, argumentam, sentem-se objectos decorativos; diz uma: – “quando estamos a trabalhar não temos liberdade de movimentos e não nos podemos baixar para atender doentes que estão acamados.

Apesar dos nossos brandos costumes, acho que entre nós este tipo de farda jamais teria opositores (as), digo eu que sou do tempo do grande sucesso da mini-saia, inventada por Mary Quant dizem uns, outros dão a paternidade a Pacco Rabanne, a não ser que a proibição viesse de instâncias superiores, alicerçada no pudico desconchavo de alguns senhores…

Se a administração da clínica de Cádis entende que o uso da saia curta é um paliativo para os seus doentes, nada a opor -o efeito placebo, pelo menos, está garantido!

Quanto ao uso de piercings, nada consta…