14 de julho de 2006

“Elementar, meu caro Watson”


A minha cidade não me dá grandes motivos para uma croniqueta caseira.
Quando soube de um “caso rocambolesco”, esfreguei as mãos de contente mas, sem saber como, alguém me “roubou” a notícia; mesmo assim, não quero deixar de recorrer à grande Agatha Christie para tentar repor toda a verdade!
Como sabemos, a autora é famosa pelos seus livros policiais, daí que os “mistérios”, segundo o seu raciocínio, deixem de o ser quatrocentas ou quinhentas páginas depois do crime ter sido cometido. Foi com esta ideia fixa (desvendar o mistério!) que me preparei para encetar o relato da coisa, mas o correio electrónico trouxe-me o assunto muito bem escrito mas sem identificação do prosador.
Perante tal despautério, agora só me apetecia escrever uma carta aberta para que fosse lida por quem de direito, onde procuraria defender os meus direitos, ou os direitos das minhas “fontes de informação”. Passo a explicar:
O caso a que me reporto tem a ver com um pneu (de automóvel). Um amigo, conhecedor da matéria, nem esteve de modas e logo ali, na hora, disse:
– Aí está um belo título para best-seller: “ O Crime do Pneu Furado”!
Como a novidade era só minha (pensava eu…), jamais me passou pela ideia que alguém a usurpasse e do modo como o fez. O título não foi usado, presumo não ter sido o meu amigo o “traidor” (não o tenho nesse contexto, mas enfim…).
Quanto à “estória”, como se presume, estou danado com o “roubo”da dita.
O que se passou foi muito mais grave (digo eu) do que um simples furinho no pneumático da viatura. Vejamos:
1.º Os pretensos criminosos seriam quatro e estavam na noite indevidamente. Àquela hora, quase manhã, os jardins não são locais propriamente decentes, recatados e fofos para repousar o físico; se estivéssemos a falar da alma de um qualquer romântico, ainda vá que não vá, mas não era o caso, segundo a minha “fonte”…
2.º Ao grupo deve ser acrescentada uma outra figura de mamífero, de que ninguém fala: o cão, ”Boby” de sua graça, não estava presente quando os outros animais de “duas patas” foram colocados perante a autenticidade do grave delito.
Onde estaria o “Boby”? Que teria feito, entretanto, ao abrigo da escuridão?
Face a estes relevantes pormenores, não se pode ajuizar de ânimo leve, porque o “crime”, como deixei perceber, não se limitou a um pneu vazio: anexo à roda da viatura estava um “xixi de cão”, toda a gente exalou o seu cheiro, mas isso não foi referido na notícia que alguém espalhou como um boato com perna comprida.
A quem interessou ocultar o facto?
Longe de mim insinuar ter sido A ou B o autor do nefasto delito, mas se bem conheço a estratégia mental da insigne escritora, o criminoso é facílimo de localizar… na “estória”!
Mas se as congeminações de Agatha Christie não forem suficientes, posso recorrer à “lógica científica” do mestre Sherlock Holmes que, perante as evidências, dirá:
- “Elementar, meu caro Watson”!

11 de julho de 2006

Boa noite!

Por sugestão de um amigo, venho dar sinal de vida. Reconheço o meu descuidado "boa noite" como cumprimento formal; enfim... mil perdões por esta prolongada ausência.Prometo voltar "às lides" em breve ( se tiver engenho e arte!), por isso, até lá!

29 de junho de 2006

Há por aí uma festarola?

A "senhora" veio de mansinho, instalou-se, e fez questão de dizer que veio para ficar.
Por mim, quero vê-la bem longe do meu canto, não gosto dela, é o que é...
Depois, aqui à volta, nem uma sardinhada à moda antiga, umas febrinhas, sei lá...
O vinho é de estalo (digo eu...) mas não vai muito bem com o queijo da (minha) serra. Por isso, queria sardinhas, febras ou frango"churrascado" para ter um aconchego de estilo.
Se fosse à borla, melhor - a carteira agradecia.
Se houver uma festarola não vou faltar, feito “emplastro”, com a alegria do costume, mas não acontece nada, anda toda a gente receosa...
- Ai a crise, ai a crise!!!

16 de junho de 2006

Uma ideia (pouco) brilhante

Prometi e vou cumprir.
Eis a croniqueta que fiz publicar:
...
"Não que eu seja patriota cego surdo e mudo, capaz de olhar o mundo como os asnos quando usam viseira: o horizonte visto do alto da serra da Estrela não (me) limita o Universo, tão pouco o mar das praias da Figueira “termina” na terra prometida, embora se saiba que, do “outro lado”, existem as Américas…
Portanto, português sim, patriota sim, mas… calma, devagar – tenhamos bom senso e nada de exageros, principalmente quando reivindicamos o que não somos ou o que não temos.
Não somos, por exemplo, um povo “arrumado”, até nas ideias. E também não temos “grandes, geniais ideias”; as excepções confirmam a regra.
As coisas ditas assim, não parecem, mas são mesmo pensamentos radicais! Assumo este radicalismo idiota que por vezes tolhe as (poucas) ideias que gostaria de levar à prática, mas o melhor é deixar em letra de forma os motivos que me trazem a terreiro para esta luta de cegos, mudos e surdos – insisto!
Camões, dizem, inspirou-se na “Eneida” de um “tal” Virgílio e foi por aí fora, de pena em riste, num assomo de Portugalidade impar, escrever “Os Lusíadas”. Se foi ou não inspirado pelo poema épico de Virgílio, não vem ao caso – a “casualidade” advém do facto de ambas as obras enaltecerem as qualidades e o sucesso de um povo, ainda que a “Eneida”, segundo as más línguas, seja um texto político encomendado pelo Imperador César Augusto. Mesmo assim, o talento e o patriotismo do autor ninguém (?) põe em causa.
Já o nosso Camões teve a desdita de “andar por África, Macau… por aí”, coitado, feito amante, escritor e guerreiro, magro de finanças, declamando os seus poemas e esmolando uma tença.
Como se vê, a única (?) diferença entre os dois talentosos autores reside nesta coisa “sem importância”: um escreveu a “Eneida”com o alto patrocínio do Imperador, o outro cantou os feitos gloriosos dos Portugueses sem a ajuda de umas míseras moedas que lhe garantissem a aquisição das penas de pato com que escrevia, e muito menos o sustento.
Outros tempos…
Uns “anitos” após o seu passamento, um iluminado cidadão (honra lhe seja feita), entendeu que o dia 10 de Junho, data da morte do poeta, no futuro, seria lembrado e comemorado como o “Dia de Portugal”.
A História é escrita de trás para a frente: hoje, oficialmente, é considerado o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades. Assim, ao Camões e aos feitos dos portugueses de antanho, anexou-se a imagem dos milhões de portugueses que mourejam pelo mundo. Tem lógica, e de uma penada “escreve-se” um País naquilo que temos de mais sublime: por um lado, a saudade dos familiares e amigos distantes, por outro, a honra do que fomos e somos como Nação independente!
Como se não fosse bastante juntar Camões e o ser português na essência Universal, atrevo-me a um “cocktail” ainda mais apetitoso e “misturo” um “sujeito, pouco conhecido”, que deu pelo nome de Fernando Pessoa. “Parece que escreveu” uns “livritos”, fez uns poemas e deixou para a posteridade umas quantas frases que se vão fixando como lapidares. Lembro-me de uma, com que me identifico enquanto português “cidadão do mundo” com vivência africana e cultura europeia:
A minha Pátria é a Língua Portuguesa”!
Estamos em Junho. Lembro-me que em tempos desfilei de camisa verde, calções de caqui e bivaque castanho na cabeça, desde o ex Liceu D. João III até à Igreja de Santa Cruz, em Coimbra. Chovia imenso e éramos muitos naquela estranha. “tropa” . Apesar disso, senti-me honrado por ter participado no desfile – era o dia da Pátria, que a professora Georgina ensinara a amar!
Mudam-se os tempos, mudam-se… os ideais, talvez o patriotismo, de certeza o amor pela língua pátria, e nem vale a pena recordar Camões, Pessoa, Eça, Torga…. a (minha) professora Georgina., o (nosso) historiador Pina Martins…
…Na edição online do dia 8 do C.B.S. li que o Deputado Municipal, João Dinis, protestou, publicamente, contra a realização da “1ª Festa do Inglês”, que teve lugar a 10 de Junho, frisando que “… aquela iniciativa do município oliveirense no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, é “completamente descabida…”!
Pois.
(E prontussss: a ideia foi bué da fixe e o people curtiu)"!

9 de junho de 2006

"Admirem-se " comigo~...


Sua Excelência o Senhor Presidente da Câmara Municipal do meu sítio, homem de muitas ideias e afazeres, entendeu que amanhã, dez de Junho, se deve realizar a "1ª festa do Inglês no 1º Ciclo de Ensino Básico”!
Dia de Portugal?
De Camões?
Das Comunidades?
Nada disso - vamos é aproveitar o feriado e botar estrangeiro pela boca fora!
E prontussss: a ideia é bué da fixe e o people curte!
(Isto de ser portuga tem que se lhe diga.Voltarei à "festa", prometo) ...

29 de maio de 2006

"Su"



O "destino" deu-me a conhecer um blog que, por momentos, se transformou numa "ponte entre o agora e o ontem". Não resisti: numa fracção de segundo, "transportei-me" para a marginal da Baía do Espírito Santo e disse:

"... Vim do "nada" para viajar pelo seu mundo (...) e prometo voltar - regresso sempre, quanto mais não seja num "voo picado" até à outra margem! De lá, contemplo a saudade das minhas memórias, olho o mar e os barcos em porto seguro; mais à direita, um esqueleto de betão...De volta, olho o céu: a noite está para chegar, o sol esconde-se e deixa na retina imagem única. E há sempre uma palmeira que figura nesta tela do Grande Arquitecto do Universo.Ando um pouco, a estrada é plana, e num ápice chego ao "Continental". Peço uma "cola".E por ali fico, minutos perdidos num tempo que já foi meu - agora ( o tempo) é todo seu. Um dia destes, "ofereça-me" uma flor da acácia... do seu tempo".
De forma singela, saúdo o oxigénio da "Su".
(Fotos de Anibal )

28 de maio de 2006

.'.

Estou "vivo"!
Prometo dois dedos de prosa humilde e pouco sapiente entre o "meio dia e a meia noite".
Para quem for "livre e de bons costumes", um TFA.
____
P.S.
Ah... deixei-me de "raivinhas" - progredi nos "sentimentos".

15 de maio de 2006

Confesso...

Apetece-me escrever a "metro", noite fora, quanto mais não seja para decarregar a minha "bílis" - espécie de "raivinha", já de si miúda, a raiva - e aliviar os pensamentos desta madrugada. Eu, que tenho a sublime mania e o péssimo defeito de ser prior da minha paróquia, dou comigo em plena confissão - logo eu, que seria agora, sei lá, no mínimo Bispo, caso tivesse seguido a carreira eclesiástica, tal a disponibilidade para ser fiel depositário dos achaques de terceiros!
Portanto, pecador de "raivinhas" me confesso.
Em tempos recuados adoeci da mesma maleita - venha a penitência (i) merecida.
("Branco ou tinto", tanto faz - quero o copo cheio!).

14 de maio de 2006

Apenas o refrão...

Porque é Maio,
mês de rosas, amores
e outras cantigas,
posso ser o refrão da tua primavera
no meu outono?

9 de maio de 2006

"Má Língua"

Talvez se lembrem de certo programa da SIC que tinha o nome sugestivo de "Noite da Má Língua"!Nesse tempo, tinha tempo e via todos os tempos de antena dos quatro canais; esse tempo foi, de facto, um tempo fantástico, sobretudo pelas intervenções saborosas do eloquente MEC (recordam-se do Miguel Esteves Cardoso?).
Noites ( e dias...) assim , de má língua, há com fartura por aí fora. Então na minha cidade...
Peguei no tema, escrevi uma "croniqueta", e aqui vai parte dela, com a saborosa ilustração do amigo Paulo Ribeiro...

(...) Cidade em vias de crescimento, dirão uns, cidade sem estruturas que mereçam tal epíteto, dirão outros. Por mim, dou de barato estas e outras opiniões porque, agora, trago à liça assunto não menos importante, do meu ponto de vista; refiro-me à má-língua que campeia por cá..
Os meus (minhas) conterrâneos/as gostam de rotular as pessoas e as coisas de ânimo leve, a tal ponto que, por vezes, dou comigo a pensar se não estarei noutra era … e numa aldeia onde as comadres “fazem renda” com a vida dos vizinhos. O boato tem perna comprida, propaga-se em velocidade supersónica, e por este andar, não há rotundas e passadeiras que travem a marcha à má-língua.
Se os leitores desta “croniqueta” esperam por exemplos (que não são necessários…), tirem daí o sentido, não vou “lavar roupa suja” - apenas aproveitei o mote para dar lhe corpo (nunca “alma”!) e citar parte do que escreveu uma jovem num “artigo de opinião” em página virtual.
Diz a “Anita” (?), treze anos de gente pequena, que um dia vai ser grande:
(...) Se eu pudesse voar, ia para longe daqui, desta terra, pouco feia mas com muita maldade e gente "alcoviteira"! Então, a "catolicidade" das pessoas é incrível. (…); o que eu gostava era que, tudo aquilo que eu falo das pessoas elas falassem de mim, ou seja, NADA!!! Mas para quê lamentos? Não serve de nada…. As pessoas não vão mudar! (…) E aquele ditado "nas costas dos outros vejo as minhas", tanto o posso encarar como verdadeiro ou não (…). Concluo, assim, um GRANDE desabafo.
A “Anita” quer ser feliz na terra onde nasceu, apesar de tudo…
Eu, teimoso me confesso: a paixão tem nome de gente - é aqui que “vou ser feliz”, espero!

4 de maio de 2006

Pouco e devagar...

A vida tem tempos assim: quando há novos afazeres, a disponibilidade das horas encurta...
Assim sendo, procuro equilibar os espaços vazios na minha mente de modo a entrar num ritmo novo; depois volto à rotina (espero...) e vão sobrar minutos de qualidade para rebuscar ideias.
Nao quero, de todo, ficar sem este convívio sadio.
Escrever (aqui) pouco e devagar vai ser a constante destes próximos dias.

29 de abril de 2006

...As pessoas vieram vestidas de "abril" para ouvir os sons do "Zé " Augusto, Luís Antero, Sérgio, Vieira, Almeida Jr. e Álvaro Assunção (também autor das pinturas que ornamentam os espaços nobres... ).

Cantigas de Maio em Abril

A festa foi bonita, "pá"!