22 de março de 2006

Eu, "poeta"

"... - Olá, bom dia! - disse ele.
Era um jardim cheio de rosas.
- Olá, bom dia! - disseram as rosas..."
( O Principezinho)
*

21 de março de 2006

Se eu fosse poeta...

Hoje, se eu fosse poeta, a Mulher seria o poema da minha vida porque...

"...nasci de uma mulher,
fui criado por duas,
e vivo em função de três".


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Natália Ana Rita, com amor
(no Dia Mundial da Poesia)

18 de março de 2006

"Estórias" (2)

Levei os dois irmãos ao futebol. O Hugo, aluno da escola primária, estava encantado com o ambiente de festa. Mal o jogo começa, pergunta ao irmão, uns anitos mais velho:
- Mano, eles "mudam de campo aos quantos"?

17 de março de 2006

"Estórias" (1)

Na entrada do prédio onde em tempos morei, havia uns vasos enormes com plantas naturais. Um dia, o Nuno ( Carlo), que teria uns seis anitos, disse-me que ia semear caroços de laranja num dos vasos. Incentivei-o, mas reparei com surpresa que recuou na ideia:
- Pois é, pai, mas depois as pessoas roubam-me as laranjas...

13 de março de 2006

"INSOMNIA" com "memória de elefante"!

Quando o tempo permite, ando por aí, viajo pelos pelos "blogs" dos amigos que me visitam, descubro outros, e não posso deixar de os acrescentar aos meus favoritos quando de facto me revejo naquilo que leio.
Certo dia "descobri" uma senhorinha com veia de artista. Imagino-a esculpindo a pedra bruta; perante uma tela vazia adivinho-a na fimeza do traço, nas cores fortes; acredito que seja capaz de escrever suave melodia para piano e orquestra, um requiem...
Enquanto não lhe conheço (as) outras virtudes, encanto-me com as "meias palavras nas entrelinhas" de cada texto.
Entre a tristeza e a nostalgia, sorri - sente-se! Depois, o "secreto dos seus segredos " parece ter características de um vulcão prestes a explodir...
Mais cedo do que imagino, compro o " livro" e peço à Raquel um autógrafo com dedicatória...

11 de março de 2006

9 de março de 2006

"O rei ia nu"!!!

Dr. Mário Soares: inacreditável a falta de sentido democrático, hoje, na Casa da República!

"Cocktail"

A Isabel trouxe uma amiga, escolheram uma mesa de canto e pediram uma cerveja e um cocktail; o taberneiro sugeriu "Abadia", servida no cálice característico da marca, e sobre as "misturas" falou das suas invenções. A amiga da Isabel pediu coisa desconhecida(?), mas adiantou que o composto levava vinho tinto aquecido, uma rodela de laranja, um pouco de canela e uma pitada de cravinho - de fácil preparo, acrescentou.
- Intragável - pensei.
Vieram as bebidas e a Isabel, sorridente e bem disposta, sugeriu que provasse a mistela, o que fiz por simpatia.
Para o meu palato, simplesmente horrível!...
Não dei parte de fraco, corri à copa e bebi um enorme copo de água.
A noite ia alta.
Depois de saborear com deleite a beberagem, a amiga da Isabel pagou a conta e saiu.
A Isabel ficou no mesmo lugar, mas à segunda cerveja, decidiu-se pelo balcão e por ali ficámos em amema conversa.
Procurei ser bom ouvinte de estórias intermináveis, sem comentários: ontem era a noite de "todos" os desbafos!
Veio outra cerveja.
Falámos de terras no "fim do mundo", de viagens feitas, de sítios que "adorávamos conhecer", de amores e desamores...
A Isabel deixou de olhar de frente, e quando voltou a fazê-lo, trazia os olhos molhados, não sorria, como sempre faz...
A hora era tardia - concluimos que o momento era o menos próprio para recordações que se desejam perdidas e esquecidas. Para sempre!
Ponto final.
.... E fiquei sem saber o nome do cocktail que, pelos vistos, é típico de paises frios, como a Holanda - é o que me diz a Rita, "farta de água" e cansada da neve!
Para estas duas amigas, o " sol português não as deixa" voltar às origens!...
...
No próximo serão, pode ser que outro cocktail seja mais saboroso...

4 de março de 2006

Pé de dança

Acordei na confusão de um sonho onde as personagens eram díspares entre si: havia soldados romanos trajados de capa e batina, estudantes disfarçados de camponeses, os
políticos eram querubins e o povo anónimo, com a máscara de sempre, dançava embriagado pelo som da banda filarmónica – os músicos, não mais de uma vintena, vestiam com o rigor de um traje marcial.
Eu era mero espectador num espaço de todo desconhecido, mas tinha a consciência de “estar em casa”e aprestava-me para entrar no baile com uma moçoila que, desde o início do sonho, me fazia negaças com o olhar.
- A menina dança? – perguntei gentil, mas com o frenesi próprio da ocasião.
Entretanto, despertei!
A cena passava-se em Ulveira do Espital ou na cidade que agora se conhece?
A que propósito surgia um sonho alegre, contagiante ?
Os sonhos têm explicação lógica ou enquadramento real?
- Ah… o Carnaval, raciocinei – e tudo ficou mais claro, até os “disfarces”!
Naquela noite tinha privado com três “bruxinhas”, um Maio disfarçado em “duende” e o acólito Al Bano. Não fora festança de cansar, mas deu para sorrir, rir e gargalhar durante uma hora bem contada. Portanto, tudo se resumiu a brincadeiras de ocasião. Os bares e cafés encerraram portas às duas da madrugada – ainda a noite começava a espreguiçar-se – não houve tempo para mais. Por isso o sonho!
A “minha” cidade tem noites assim, “curtas de pequenas que são “ (o que contraria a vontade de a sentirmos vibrante e nada amorfa), deita-se cedo dia após dia, em qualquer altura do ano, e não há santo milagreiro que a salve desta desdita.
(...) Já divaguei que baste – vou tentar voltar ao sono. Pode ser que ainda dê um pé de dança.

1 de março de 2006

Chegou o Francisco!


Recebi uma mensagem que partilho, com muito gosto:
-"Olá, eu sou o Francisco e nasci no dia 24 às 23 h e 15 m com 2,65 kgs.Era só para nascer para o mês que vem, mas adiantei o serviço para ver o Benfica/Porto.Quando quiserem, apareçam lá em casa. Eu, a mamã Lurdes e o papá Carlo vamos gostar de os ver ".
A feliz notícia deixa perceber que os babados papás querem fazer do Francisco um adepto do futebol, e quanto ao clube... só podem vesti-lo de vermelho!
Por mim, faço outra leitura da mensagem: o Francisco veio brincar ao Carnaval, por isso chegou "mais cedo"!
Quanto ao jogo da bola, não creio: o Francisco tem dedos de pianista e é bonitão, o que deixa toda a família de sorriso rasgado! (Aqui pra nós: o Francisco é parecido com o avô paterno, mas não comentem com ninguém, não vá o compadre Manuel ficar enciumado...)
Meninas... cuidem-se!!!
Ah, falta a morada: na Lousã é só perguntarem pelo Francisco, qualquer pessoa indica onde fica a casa da família...

23 de fevereiro de 2006

De volta ao "Namoro"

Peguei no belíssimo poema do angolano Viriato da Cruz ( musicado pelo Fausto para a voz do Sérgio Godinho) e "transformei-me no Benjamim" durante uns dias.Só isso!
Nem o "...cartão que o amigo Maninho tipografou: "Por ti sofre o meu coração" Num canto - SIM, noutro canto - NÃO..." teve destino certo ou incerto. E não " andei barbudo, sujo e descalço como um mona-ngamba..."! Mesmo assim, "entrei no personagem", recuei no tempo e recordei certa tombazana que poderia ter sido ansati kamina... mas nem chegámos a ganguissar! Foi pena...
Se o Viriato da Cruz tivesse nascido em Moçambique, como Craveirinha, Rui Knopfli, Reinaldo Ferreira, Guilherme de Melo e tantos outros poetas da "minha terra", decerto seria eu o "Benjamim" de uma "estória" de amor.

18 de fevereiro de 2006

"O Namoro", de Viriato da Cruz

Tenho o écran em branco e uma “estória” para contar.
Escrevo … ou deixo o segredo adormecido?
A “estória” tem anos de silêncio…

Nove, dez anos? Digo que foi ontem…
... Numa tarde, quase noite, falei do teu sorriso e respondeste sorrindo.
Sem o saberes, nessa hora, como na “estória” do “Principezinho”, de Saint-Exupéry, ”… tornaste-te responsável para todo o sempre por tudo aquilo que cativaste…”!
Depois, trocámos olhares e palavras umas vinte, trinta vezes, não mais.
Consoante a sorte ou o azar dos dias, assim os fomos medindo, pesando, contabilizando. Alguns foram demasiado longos, enormes, deixaram marcas, modificaram-nos, alteraram as nossas vidas.
Sabiamos de nós, quanto mais não fosse, pela curiosidade de uma notícia inesperada, de mão em mão. Por mim, sempre encontrei modo de saber de ti, de fonte segura!
Diziam-me:
- Nem sempre sorri por dentro
No momento, entristecia.
Devagar, voltavas ao sono na minha mente, e no leito onde te deitava, os lençóis eram de ilusão de seda pura, sem cor definida.
Às vezes acordavas com o sorriso de sempre e eu ficava em sobressalto.
Agora, a meio de um monólogo solitário, um amigo comum acordou-te! Bruscamente!
Foi hoje!
Para meu desespero, como nunca o tiveras feito, saltaste do teu canto, e disseste sem falar, que estavas desperta!
Vieste: olhei de soslaio, tremeu a mão que escrevia, alteraram-se os sentidos - fiquei tenso. Pouco disse.Tu, sorrias...
Recorri ao disfarce, usei-o para te deixar longe das minhas emoções.
E assim continuarias, sem saber de mim, não tivesse eu subido às nuvens nas asas de sonhos em noites seguidas.
Então, decidi plagiar parte do ”Namoro” do Viriato da Cruz e…

Mandei-(te)lhe uma carta/ em papel perfumado/ e com letra bonita/ dizia ela tinha/ um sorriso luminoso tão triste e gaiato/ como o sol de Novembro/ brincando de artista/ nas acácias floridas/ na fímbria do mar (…)” !

Agora, consciente de mim, que fazer? Acordo-te de vez com um bouquet de flores, ou volto ao secreto do meu segredo?
Adormecerás para sempre no (teu) silêncio, ou preferes conhecer o resto da canção do Viriato da Cruz?
Entretanto, as flores!
Depois, a carta!
Agora...alegra-te com um sorriso – fica-te bem!