4 de março de 2006

Pé de dança

Acordei na confusão de um sonho onde as personagens eram díspares entre si: havia soldados romanos trajados de capa e batina, estudantes disfarçados de camponeses, os
políticos eram querubins e o povo anónimo, com a máscara de sempre, dançava embriagado pelo som da banda filarmónica – os músicos, não mais de uma vintena, vestiam com o rigor de um traje marcial.
Eu era mero espectador num espaço de todo desconhecido, mas tinha a consciência de “estar em casa”e aprestava-me para entrar no baile com uma moçoila que, desde o início do sonho, me fazia negaças com o olhar.
- A menina dança? – perguntei gentil, mas com o frenesi próprio da ocasião.
Entretanto, despertei!
A cena passava-se em Ulveira do Espital ou na cidade que agora se conhece?
A que propósito surgia um sonho alegre, contagiante ?
Os sonhos têm explicação lógica ou enquadramento real?
- Ah… o Carnaval, raciocinei – e tudo ficou mais claro, até os “disfarces”!
Naquela noite tinha privado com três “bruxinhas”, um Maio disfarçado em “duende” e o acólito Al Bano. Não fora festança de cansar, mas deu para sorrir, rir e gargalhar durante uma hora bem contada. Portanto, tudo se resumiu a brincadeiras de ocasião. Os bares e cafés encerraram portas às duas da madrugada – ainda a noite começava a espreguiçar-se – não houve tempo para mais. Por isso o sonho!
A “minha” cidade tem noites assim, “curtas de pequenas que são “ (o que contraria a vontade de a sentirmos vibrante e nada amorfa), deita-se cedo dia após dia, em qualquer altura do ano, e não há santo milagreiro que a salve desta desdita.
(...) Já divaguei que baste – vou tentar voltar ao sono. Pode ser que ainda dê um pé de dança.

1 de março de 2006

Chegou o Francisco!


Recebi uma mensagem que partilho, com muito gosto:
-"Olá, eu sou o Francisco e nasci no dia 24 às 23 h e 15 m com 2,65 kgs.Era só para nascer para o mês que vem, mas adiantei o serviço para ver o Benfica/Porto.Quando quiserem, apareçam lá em casa. Eu, a mamã Lurdes e o papá Carlo vamos gostar de os ver ".
A feliz notícia deixa perceber que os babados papás querem fazer do Francisco um adepto do futebol, e quanto ao clube... só podem vesti-lo de vermelho!
Por mim, faço outra leitura da mensagem: o Francisco veio brincar ao Carnaval, por isso chegou "mais cedo"!
Quanto ao jogo da bola, não creio: o Francisco tem dedos de pianista e é bonitão, o que deixa toda a família de sorriso rasgado! (Aqui pra nós: o Francisco é parecido com o avô paterno, mas não comentem com ninguém, não vá o compadre Manuel ficar enciumado...)
Meninas... cuidem-se!!!
Ah, falta a morada: na Lousã é só perguntarem pelo Francisco, qualquer pessoa indica onde fica a casa da família...

23 de fevereiro de 2006

De volta ao "Namoro"

Peguei no belíssimo poema do angolano Viriato da Cruz ( musicado pelo Fausto para a voz do Sérgio Godinho) e "transformei-me no Benjamim" durante uns dias.Só isso!
Nem o "...cartão que o amigo Maninho tipografou: "Por ti sofre o meu coração" Num canto - SIM, noutro canto - NÃO..." teve destino certo ou incerto. E não " andei barbudo, sujo e descalço como um mona-ngamba..."! Mesmo assim, "entrei no personagem", recuei no tempo e recordei certa tombazana que poderia ter sido ansati kamina... mas nem chegámos a ganguissar! Foi pena...
Se o Viriato da Cruz tivesse nascido em Moçambique, como Craveirinha, Rui Knopfli, Reinaldo Ferreira, Guilherme de Melo e tantos outros poetas da "minha terra", decerto seria eu o "Benjamim" de uma "estória" de amor.

18 de fevereiro de 2006

"O Namoro", de Viriato da Cruz

Tenho o écran em branco e uma “estória” para contar.
Escrevo … ou deixo o segredo adormecido?
A “estória” tem anos de silêncio…

Nove, dez anos? Digo que foi ontem…
... Numa tarde, quase noite, falei do teu sorriso e respondeste sorrindo.
Sem o saberes, nessa hora, como na “estória” do “Principezinho”, de Saint-Exupéry, ”… tornaste-te responsável para todo o sempre por tudo aquilo que cativaste…”!
Depois, trocámos olhares e palavras umas vinte, trinta vezes, não mais.
Consoante a sorte ou o azar dos dias, assim os fomos medindo, pesando, contabilizando. Alguns foram demasiado longos, enormes, deixaram marcas, modificaram-nos, alteraram as nossas vidas.
Sabiamos de nós, quanto mais não fosse, pela curiosidade de uma notícia inesperada, de mão em mão. Por mim, sempre encontrei modo de saber de ti, de fonte segura!
Diziam-me:
- Nem sempre sorri por dentro
No momento, entristecia.
Devagar, voltavas ao sono na minha mente, e no leito onde te deitava, os lençóis eram de ilusão de seda pura, sem cor definida.
Às vezes acordavas com o sorriso de sempre e eu ficava em sobressalto.
Agora, a meio de um monólogo solitário, um amigo comum acordou-te! Bruscamente!
Foi hoje!
Para meu desespero, como nunca o tiveras feito, saltaste do teu canto, e disseste sem falar, que estavas desperta!
Vieste: olhei de soslaio, tremeu a mão que escrevia, alteraram-se os sentidos - fiquei tenso. Pouco disse.Tu, sorrias...
Recorri ao disfarce, usei-o para te deixar longe das minhas emoções.
E assim continuarias, sem saber de mim, não tivesse eu subido às nuvens nas asas de sonhos em noites seguidas.
Então, decidi plagiar parte do ”Namoro” do Viriato da Cruz e…

Mandei-(te)lhe uma carta/ em papel perfumado/ e com letra bonita/ dizia ela tinha/ um sorriso luminoso tão triste e gaiato/ como o sol de Novembro/ brincando de artista/ nas acácias floridas/ na fímbria do mar (…)” !

Agora, consciente de mim, que fazer? Acordo-te de vez com um bouquet de flores, ou volto ao secreto do meu segredo?
Adormecerás para sempre no (teu) silêncio, ou preferes conhecer o resto da canção do Viriato da Cruz?
Entretanto, as flores!
Depois, a carta!
Agora...alegra-te com um sorriso – fica-te bem!

13 de fevereiro de 2006

Exagero?


Revisitei o meu "blog", reli a (quase) totalidade dos textos que fui escrevendo ao longo destes (poucos) meses de existência e, por simpatia, recordei os comentários dos (as) bloguistas que, como eu, ocupam a mente, pensam e executam - escrevem!
Com alguma dose de "narcisismo", devo confessar que os textos, na sua maioria, até não estão mal de todo, na forma e no conteúdo.Tentei ser igual a mim mesmo, coerente, e o retorno foi gentil nos gestos das respostas. Sendo assim, fica uma vénia aos idealistas do golpe de Abril (ou revolução...) que (nos) proporcionaram liberdade de expressão e ... pensamento!
Será "pouco" para tanta carência nacional, mas cada Nação tem as revoluções que merece...
Com o Abril dos cravos vermelhos foi-se o lápis da censura, mas é importante que cada um de nós seja comedido no modo como exprime alguns pensamentos, sendo certo que cada atitude de liberdade (s) termina (m) quando começa (m) outra(s).
Somos gente de brandos costumes, mas ficamos (?) "encolerizados" com os resultados desportivos do nosso clube de eleição - coisa aleatória mas que pode ter a repercussão de um cartoon - e daí à violência (mesmo em pensamento...) é um passo pequeníssimo!
Exagero ?

8 de fevereiro de 2006

Laca, gel ou brilhantina?

A eleição do novo presidente da República trouxe matéria para dissecar, consoante as emoções do momento.
Depois do folclore da campanha, a escolha do S. Exª o Prof. Dr. Cavaco Silva não foi, de todo, inesperada. Se o Governo não tivesse aumentado os combustiveis uns dias antes, estou em crer que S.Exª o Dr. Manuel Alegre teria votos suficientes para uma segunda volta, e aí... talvez se repetisse o milagre do galo de Barcelos. Enfim, está feito, não se fala mais nisso, que venha o dia da tomada de posse e a festa laranja, que voltem os bombos e o adufes, gaitas e pífaros, bandeiras e foguetes para a festa ter o brilho merecido. Eu e outros como eu, ficaremos atentos aos discursos de circunstância; para os curiosos, aos pormenores das promessas e garantias de um mandato que "respeitará o sistema democrático", vai juntar-se a atracção do chique e elegância das senhoras e cavalheiros presentes ao acto solene.Por mim, sempre quero ver se o novel presidente continua com o mesmo penteado, risco ao lado, certinho e aprumado.
Usará laca, gel, ou brilhantina?

6 de fevereiro de 2006

De rosa a tulipa


Ando em maré de sorrisos,
"mas há uma nuvem que esconde o sol quando anoitece no sexto andar,
e o barulho do silêncio não permite que olhe as estrelas da minha janela"!
Possivelmente haverá uma tulipa a espreguiçar-se daqui a pouco, pela manhã;

possivelmente...
Vou telefonar-lhe!

4 de fevereiro de 2006

Gargalhei!!!

(Autor desconhecido)
Ia ficando assim depois de tanto gargalhar
____

Resultou!!!
Estou grato a quem conseguiu que soltasse umas quantas gargalhadas. O Carlitos, sempre ele...
(Ler a "estória" colocada simpaticamente por um(a) anónimo (a) nos comentários do post anterior)

31 de janeiro de 2006

Jogo de (meias) palavras






Por que espero, se desespero?
E por que fico, se quero ir?
E por que vou, se quero ficar?
E por que insisto e não desisto?
Isto é loucura ou desventura?
Inconsciência ou pertinência?
Sabedoria ou estupidez?
...Mania?
Talvez...
Agora, que nada sei de mim,
fico assim, quedo,
e em segredo
não desespero
- espero, insisto!
Desisto?
_______
c.a.
.'.

"Nascer de novo"!

Depois da meia noite
vou acordar a minha mãe com dois beijos,
uma rosa
e dois pasteis de nata.

30 de janeiro de 2006

Os olhos da "alma"

Esta manhã havia sol na minha varanda. Abri a vidraça e o vento frio envolveu-me num abraço nada agradável. Deixei-me ficar alguns minutos enquanto olhava a serra e os montes na linha do horizonte. A neve tinha feito o "milagre" de os cobrir com um manto branco e o contraste com o azul do céu era imagem a merecer contemplação, como faço em circunstâncias idênticas.Desta vez, porém, a paisagem era outra -pensei!
Erro de apreciação: a serra e os montes sempre (?) estiveram "ali", e a neve também costuma ser presença assídua nesta altura, eu é que nunca tinha visto a paisagem com os olhos da alma - só quando estamos na varanda de um sexto andar, ao frio, é que nos apercebemos que temos "uma"!