25 de janeiro de 2006

Os "pavarottis" da minha rua!

Estou sem poesia capaz de articular meia dúzia de palavras com sentido estético.
.....
O canário continua prisioneiro na cela de grades brancas, saltita de poleiro em poleiro, chilreia mas não interpreta melodia de jeito, como qualquer canário que se preze... Aguardo pelo calor da primavera para o deleite dos seus trinados.
Ontem trouxe-o de volta ao jardim de entrada, sempre vê pessoas; algumas assobiam-lhe, feitas pavarottis . O animal olha, inocente, e não responde, talvez por não lhes reconhecer mestria na arte do "assobio".
Por mim, alimento-o e cuido da sua prisão para que não se sinta tão constrangido na existência penosa.
-Felizes são os pardais, que vivem em liberdade - deve pensar o canário.

23 de janeiro de 2006

Eu, "alegre" me confesso (2)

Em Democracia o voto é um verdadeiro cavalo alado que corre, salta, voa, consoante algumas circunstâncias sociais. As vitórias e as derrotas, embora não sendo obra do acaso, nunca representam a vontade do todo, mas apenas e só parte desse todo.Imagine-se que todos os portugueses abstencionistas exerciam o direito de escolher o presidente da República... possivelmente os resultados deste domingo tinham sido outros, na forma e no conteúdo!
Perante factos....
Encontrado o Presidente, há que respeitar os "vencidos", mas mesmo aqueles para quem um punhado de votos não significa alcançar o topo do pódio, a derrota pode não ser vista como tal, dadas as circunstâncias (ainda e sempre) sociais... e políticas do País. Assim sendo, quem foi atrás de um ideal e se entregou à luta convicto da sua coerência, a vitória pertence-lhes por inteiro.
Por isso, "alegre" me confesso.

20 de janeiro de 2006

17 de janeiro de 2006

"- Olá, como está?"

A Fernanda é senhora de amizades antigas. As vicissitudes da vida afastaram-nos de um ocasional "- olá, como está?". Nos últimos anos contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que nos cruzámos; ontem visitou-me e gastou algum do seu tempo numa conversa de sentimentos. Inesperadamente.
As palavras vinham em catadupa, fluentes, precisas, e foi fácil entender que eu era terra de aluvião onde poderiam germinar - ela notou-o, eu confirmei.
Manifestei-lhe, à despedida, a surpresa de a saber assim, importante, presente, num tempo de alguma fragilidade espiritual...
Que forças superiores a trouxeram até mim para me falar de recomeços, descobertas, conquistas e vitórias?
...
Alguns dos gestos tornam mais "leve a tonelada".

14 de janeiro de 2006


A palavra solidão pesa toneladas!
(Desconhecia que as "coisas" falavam!E gritam!Algumas sorriem...)

13 de janeiro de 2006

"Está frio"...


Há momentos em que a vida não tem sentido - ou parece não ter...
Tenho frio - está frio cá dentro. Não tenho agasalho capaz...
E chove - falta-me resguardo.
Vou recomeçar a caminhada outra vez, se tiver engenho e arte e alguma força física e mental.
Falta pouco para chegar.
- Chegarei!

9 de janeiro de 2006

Vamos a "votos"!

"Eu", no lápis de Paulo Araújo





Há um tempito zanguei-me por coisa pouca com o vizinho do terceiro esquerdo. Era chato porque o senhor cruzava-se comigo e eu ficava sem jeito: "olho para ele ou não, digo bom dia ou finjo que não o vejo"? Estas dúvidas atormentavam-me com frequência, ou com a frequência com que passávamos um pelo outro, para ser sincero. Então, resolvi fazer as pazes com o senhor Silva (é o último nome do meu vizinho...) e agora, pelo natal, desejei-lhe "boas festas", estendendo a mão.
Retribuição da praxe, que agradeci.
Simpático, este senhor Silva!...
- Pronto, pensei, assim é que é bonito, os vizinhos não devem andar desavindos, ainda nos cruzamos em algum sítio público com mais pessoas por perto, e continuaria a ser chato alguém notar a indiferença mútua...
Confesso que fui um pouco agressivo com ele no dia em que decidi virar-lhe as costas- até fiz por esquecer o seu nome próprio, com o intuito claro de o desconsiderar aos ouvidos de quem estava. Errei, dou a mão à palmatória da professora Georgina, que já morreu, por isso descanse em paz; por mim está perdoada - as reguadas nem sempre eram justas, mas o que lá vai, lá vai.
Como se vê, tenho esta mania de esquecer e perdoar os arrufos, as injustiças, etc, etc...
Entretanto, o senhor Silva candidatou-se ao lugar de presidente do condomínio do prédio que habitamos e não está de modas: organiza um comício junto à porta do elevador, no rés do chão, com a intenção de explicar aos restantes inquilinos as razões da sua candidatura ( um ritual de todos os comícios, digo eu...) ! Ainda lhe zumbi ao ouvido que sem um "bebício"era difícil juntar as pessoas, o senhor Silva concordou e deu, de imediato, ordens à técnica da limpeza das escadas para comprar bifanas, "minis" e sumos sem gás.
Como sou presidente do clube do bairro e tenho alguma influência (modéstia à parte) junto dos vizinhos do primeiro andar e não só, o senhor Silva, sem qualquer intenção de se aproveitar da minha posição social, é preciso que se diga, convidou-me para estar ao seu lado no dia da festança.
E assim foi! Até usei da palavra para afiançar que a nossa desavença foi coisa de putos, hoje somos grandes amigos, enfim.... disse o que a ocasião pedia, do alto meu havano, num jeito, tipo democrata, eu é que sei, eu é que mando - essas coisas que sempre se dizem quando se tem um estatuto social como o meu!
Agora é esperar pelo dia das eleições, que estão para breve.
E em Fevereiro há Carnaval ...

5 de janeiro de 2006

Navegar é preciso!

Olho à minha volta,
leio, ouço, e fico com a sensação de que não vale a pena reunir forças e ir às urnas no próximo dia 22 para o combate democrático que se avizinha. As pessoas renunciaram à luta, não discutem, votar será um acto cívico sem grande impacto nos resultados finais....
Poderá não ser assim, mas a sensação desconfortável existe, e isso preocupa-me.
O Presidente não "manda no País", todos o sabemos, mas não deixa de ser a figura máxima - o CHEFE!
Se está nas nossas mãos a sua escolha, demitimo-nos desse direito democrático?
Talvez a pré-campanha eleitoral tenha conseguido esclarecer (?) o Povo; se assim foi, vamos todos "morrer na praia" e entregar o ouro ao bandido: (também) é um direito que nos assiste!
Cá por mim, continuo firme no sonho, e acredito que navegar é preciso!!!

31 de dezembro de 2005

"Balancê"



A tarde deste último dia de 2005 foi passada em viagem. Pouco trânsito, o sol brilhava meio envergonhado, e eu, de bem comigo e com o mundo, conduzi devagar.
Tinha o rádio ligado e ouvia a "Antena 1". À hora certa, começou um programa "ao vivo" com a Sara Tavares.
Sei de quem se trata; apareceu no meu mundo ainda catraia, segui o seu percurso como autora e intérprete, mas o modo como desenhava o espírito, fascinava-me.
Conhecia as suas raizes religiosas, imaginava que o sucesso fosse o bastante para alterar o seu percurso de "louvores", crenças e mensagens.
- Não alter
ou! O sucesso foi uma benção e a Sara continua a dizer (e a cantar) "direito por linhas tortas" que pode "...fazer tudo, mas nem tudo lhe convêm.."!
... Neste "Balancê" ela voa para longe, para muito longe...
O CD, editado na Holanda, será um êxito, mas a Sara continua a somar garantias de menina equilibrada: segura de si e dos valores que defende, eloquente, calma, terna, deixou respostas que definem as (os) predestinadas (os) .
Para mim, foi um excelente fim de tarde.

28 de dezembro de 2005

"As Minhas Asas"

Foto: Nuno Botelho

A estória conta-se em poucas palavras: ninguém (?) tem dinheiro para manter esta casa como memória de um passado rico de cambiantes sociais. Nem o Estado - dizem!
Um óptimo tema para discussão.

Um dia destes a casa vem abaixo.Nela viveu e morreu o autor deste belíssimo poema. Quem foi?

As Minhas Asas

Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.
— Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra,
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
— Veio a ambição, co'as grandezas,
Vinham para mas cortar,
Davam-me poder e glória;
Por nenhum preço as quis dar.
Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.
Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
— Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.
Cegou-me essas luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!
— Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.


João Batista Leitão de ...

23 de dezembro de 2005

Bom Natal!



...Aos lugares comuns acrescento mais uns "trocados": saúde, trabalho, amor (com ternura, carinho e entendimento...), paz, e só coisas muito boas em 2006 - é o meu desejo para todos.

22 de dezembro de 2005

Leiam!

Por favor, corram para este blog. Depois digam que não sou vosso amigo...
tp://www.causa-nossa.blogspot.com/

Não gostei...


... Não gostei das insinuações do dr. Soares durante o debate com o dr.Cavaco; apesar das diferanças, o segundo tem direito ao respeito cívico - não pode valer tudo em política! Chamem "animal político" ao dr. Mário, mas acrescente-se mais qualquer coisa, talvez... racional!