25 de outubro de 2005

Viagem com regresso marcado


... Ontem as andorinhas do meu bairro voaram baixo, em grupos, chilreios mais audiveis. Olhei-as do sexto andar e, por breves segundos, segui a evolução do voo: iam e vinham num corrupio alucinante sobre os beirados...
... Afinal, as andorinhas do meu bairro estavam a "despedir-se" dos seus lares... A viagem que encetavam tem regresso marcado. Talvez em março próximo.
Virão todas?
Voltarei a vê-las da minha varanda?

24 de outubro de 2005

Em cantos...

Em cantos canto a tristeza que sobre mim se abate;
em cantos canto a alegria que recordo com saudade...
em cantos vivo o dia a dia pensando,
correndo suavemente pelos canteiros do destino.
...
Parto sem saber para onde vou, e volto sem saber por que parti,
sempre na imensidão do silêncio absurdo e acusador que me rodeia e aperta...
...
Em cantos me fecho e tapo, me lamento e debato,
sonhando realidades mais confusas que utopias,
sonhos mais duros que a realidade impossivel que me rodeia.
Em cantos grito a dor que sinto,
grito o silêncio que doi e flameja no meu peito...
Em cantos vivo,
em cantos sofro e escorrego pelo meu próprio pensar.
Denise ("noite de poesias "/ RiTuAL -00/02/11)

SECRETO SEGREDO

Viajei com as minhas mãos pelo oceano de lágrimas do teu rosto
em busca de porto seguro
- miragem de emoções
cativas da memória do olhar que se perdeu
na imensidão do teu sorriso,
que sempre fala, mas pouco diz;
por isso, há uma jura de não te ver
e um desejo para que voltes
todos os dias...
Fico à espera
das palavras que não ouvi, do carinho que não recebi,
do acto que não senti - do gesto de um beijo!
Ah... mas se eu soubesse
que outras mãos percorriam o teu corpo
em busca de sensações adormecidas,
talvez a paixão ganhasse asas
e voasse,
como num sonho,
rumo à solidão a que me proponho!
Este secreto segredo
é muito mais do que estar só!...

23 de outubro de 2005

FERNANDO VALLE -"O Mestre que ensinou a arte de sonhar"! .'.


"O que desejo deixar expresso... é o facto de a determinante de toda a minha vida ter sido o lutar pela libertação do homem, no sentido de se conseguir, efectivamente, um regime de direito em que seja possível, de facto, a paz, a liberdade e a justiça social"
Fernando Valle, 1977

21 de outubro de 2005

AMBANINI!


Polémica latente que baila perante o meu olhar, melancólico e ausente,
eclodiu com violência de desesperar.
Polémica visível entre entes como eu, de
olhares frios e vazios,
mas de vontades férreas como a que me prendeu;
por isso, deixei que o tempo corresse - separei o trigo do joio e fiquei quedo e mudo a escutar a voz da adolescência numa linguagem que não entendo:

- Choaneeeeeeeeeeee - entoam as marimbas!
- Buialéne!
Não respondo ao cumprimento nem ao apelo do passado...
Agora, este cajado a que me apoio, pau tortuoso e sem medida,
verga coitado ao peso desta desdita ...
Sem ele,percorri o tempo de lés a lés,
fui autodidacta,"procurei a verdade ",
e deixei que me negassem outros mundos preciosos
- desfez-se o sonho da esperança...
Perante esta polémica que baila em sorrisos hipócritas, horas,dias,semanas,meses e anos a fio,
fiquei
...vazio.

20 de outubro de 2005

...Era uma vez...


AINDA O "MESTRE" ROBY AMORIM, COM SAUDADE!
(no tempo do "telex")

Tempo de guerra

(ilustração: Roby Amorim)
*
Passos... ruído...
e tudo num repente se transforma:
as sombras são homens
e a noite faz-se dia - é o céu que se ilumina
com o ribombar dos clarões;
eles caminham,
correm, caem, vêm aos trambolhões!
Eis que as trevas se desvanecem
e "eles" aparecem!!!
...
Aqui um ruído,
além um grito,
um corpo que cai
sem um gemido
sem um ai!
Vila Cabral/68 -BC 20

Eu,"deus"






Equiparei-me a um deus
desprovido de omnipotência
na ânsia de ser igual a mim mesmo...
____
Ilustração: aguarela de Roby Amorim (77) - redacção do jornal "telex"
(singela homenagem ao "mestre")

Fim de festa

Queria ver-te nua
e da alma despida
na rua,
perdida...
Em gozos celestiais,
êxtases de loucuras
e orgias de entontecer,
banais seriam as tuas graças
- desventuras talvez!
E eu, rosto enxuto,
braços cruzados,
a ver morrer aos poucos,
de vez,
a alma, o corpo
a tua imagem,
sem coragem
de oscular em fim de festa
o pouco que de ti resta....
ca.'.