21 de outubro de 2005

AMBANINI!


Polémica latente que baila perante o meu olhar, melancólico e ausente,
eclodiu com violência de desesperar.
Polémica visível entre entes como eu, de
olhares frios e vazios,
mas de vontades férreas como a que me prendeu;
por isso, deixei que o tempo corresse - separei o trigo do joio e fiquei quedo e mudo a escutar a voz da adolescência numa linguagem que não entendo:

- Choaneeeeeeeeeeee - entoam as marimbas!
- Buialéne!
Não respondo ao cumprimento nem ao apelo do passado...
Agora, este cajado a que me apoio, pau tortuoso e sem medida,
verga coitado ao peso desta desdita ...
Sem ele,percorri o tempo de lés a lés,
fui autodidacta,"procurei a verdade ",
e deixei que me negassem outros mundos preciosos
- desfez-se o sonho da esperança...
Perante esta polémica que baila em sorrisos hipócritas, horas,dias,semanas,meses e anos a fio,
fiquei
...vazio.

20 de outubro de 2005

...Era uma vez...


AINDA O "MESTRE" ROBY AMORIM, COM SAUDADE!
(no tempo do "telex")

Tempo de guerra

(ilustração: Roby Amorim)
*
Passos... ruído...
e tudo num repente se transforma:
as sombras são homens
e a noite faz-se dia - é o céu que se ilumina
com o ribombar dos clarões;
eles caminham,
correm, caem, vêm aos trambolhões!
Eis que as trevas se desvanecem
e "eles" aparecem!!!
...
Aqui um ruído,
além um grito,
um corpo que cai
sem um gemido
sem um ai!
Vila Cabral/68 -BC 20

Eu,"deus"






Equiparei-me a um deus
desprovido de omnipotência
na ânsia de ser igual a mim mesmo...
____
Ilustração: aguarela de Roby Amorim (77) - redacção do jornal "telex"
(singela homenagem ao "mestre")

Fim de festa

Queria ver-te nua
e da alma despida
na rua,
perdida...
Em gozos celestiais,
êxtases de loucuras
e orgias de entontecer,
banais seriam as tuas graças
- desventuras talvez!
E eu, rosto enxuto,
braços cruzados,
a ver morrer aos poucos,
de vez,
a alma, o corpo
a tua imagem,
sem coragem
de oscular em fim de festa
o pouco que de ti resta....
ca.'.