17.4.07

Ai coração, coração!

A minha “estória” é semelhante a tantas outras: o coração achou por bem “ir de férias”, e vai daí “alertou-me” para a necessidade de repouso conveniente.”Partidas” destas não se fazem a ninguém, quanto mais ao dono do dito músculo, que (quase) sempre o estimou, deu-lhe amores e paixões q.b. e andava, agora, com ele nas palminhas, não fosse cair na esparrela de outra paixoneta…

De fonte segura nada se sabe sobre o futuro do SAP de Oliveira do Hospital. Talvez fique tudo como está (improvável!) ou então a responsabilidade (diz-se…) do atendimento nocturno passará pela competência dos serviços da Fundação Aurélio Amaro Diniz.

Há quem argumente que o Hospital oferece valências relevantes, logo, a mudança traria benefícios à população. A ver vamos…

Seria interessante recuar no tempo e contar a história do nosso Hospital, mas deixemos isso para melhor ocasião, porque o que importa, agora, é saber qual a solução encontrada. Obviamente, nem equaciono a hipótese de ficarmos sem assistência médica durante a noite, mas se tal vier a acontecer, é certo que algumas vidas humanas ficarão perante uma situação de elevado risco, principalmente se se vierem a verificar situações de urgência sem hora marcada – como me sucedeu na noite do passado dia 30.

A minha “estória” é semelhante a tantas outras: o coração achou por bem “ir de férias”, e vai daí “alertou-me” para a necessidade de repouso conveniente.”Partidas” destas não se fazem a ninguém, quanto mais ao dono do dito músculo, que (quase) sempre o estimou, deu-lhe amores e paixões q.b. e andava, agora, com ele nas palminhas, não fosse cair na esparrela de outra paixoneta…

Vá-se lá saber porquê, cansado de me aturar, atirou-me para o Centro de Saúde de armas e bagagens. Felizmente, o SAP ainda não recebeu guia de marcha (sorte minha!), e a equipa liderada pelo Dr Herdade tratou dos primeiros cuidados com eficiência e competência. Coimbra fica logo ali, a dois passos; na prestimosa e fundamental companhia do Enfermeiro Carlos, a viagem foi “rápida” e, uma vez mais, a sorte esteve comigo: cheguei aos HUC a tempo de tratamento capaz.

Durante o trajecto, viajei pelo mundo dos sonhos fantásticos (?), em tons de cinzento; mais tarde relacionei o “filme” com algumas leituras especulativas (?), interessantes apesar de tudo, imaginação fértil, digo eu, mas devo confessar o espanto por, de um momento para outro, as dores asfixiantes no peito terem desaparecido; veio um tempo, segundos talvez, de sossego maravilhoso, e não fora o chamamento do Carlos, talvez me deixasse ficar por ali!

-Fale comigo! – disse – e abanou-me o braço!

Regressaram as dores e a sensação de sufoco. Quando dei por mim, estava deitado numa marquesa, rodeado por umas quantas pessoas vestidas com batas de cores diferentes.

Os dias que passei na Unidade dos Cuidados Intensivos Coronários foram “óptimos” – nada a dizer do tratamento vip com que fui obsequiado; porém, ficaria de mal com a minha consciência (e o meu coração…) se não trouxesse à ribalta o nome da enfermeira oliveirense Sónia Nunes pela gentileza (à sua competência profissional, e das restantes colegas, nota máxima!) das suas atenções, a lembrar-me a cada momento os “trabalhos de casa”:

- Tem de mudar de vida, descanse mais, alimente-se bem, não faça isto, não faça aquilo…

Respondia a tudo que sim, claro – quem apanha um susto destes (ai coração, coração!) só pode dizer ámen a todas as recomendações.

Entretanto, em Oliveira, o Ricardo Brito vai ao leme dos barcos de ambos com jeito e algum sacrifício: de manhã nos computadores, ao meio dia de serviço aos cafés, volta à informática, e à noite regressa ao “local do crime”, que é como quem diz, ao barzinho onde me deu a macacoa! Enorme amigo este “filhote”, que adoptei pela via do amor fraterno, vai para sete anos…

Naquele dia, se o João Paiva tivesse sido multado por excesso de velocidade, quem pagava a multa era eu - foi o João que me conduziu ao Centro de Saúde num abrir e fechar de olhos. Amigos destes, felizmente tenho mais, muitos mais, e o Ritual deve ser o único bar do mundo onde esses amigos se servem, levantam a loiça, e ainda pagam a conta!!!

A partir de agora, vou preocupar-me mais a sério com o futuro do SAP da minha cidade, não vá o diabo tecê-las e eu ter de ir às pressas para Seia ou Arganil - a sorte também se procura… quando a assistência médica está a dois passos; de outro modo, a viagem é capaz de ter só um sentido

9.4.07

Morrer devagar...

...
Confirmo: é possível morrer de amor, embora devagar!
Foi na semana passada.
"Testemunho" que a morte (?) não tem nada de negro - só não vi a luzinha nem o túnel, fiquei-me pelo cinzento. Sem dor nem tristeza.
Não me deixaram seguir viagem...
Um dia conto mais.
Talvez...